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Home Opinião 2026: o ano da viragem para as empresas que querem ser verdadeiramente ‘AI-Ready’

Opinião

2026: o ano da viragem para as empresas que querem ser verdadeiramente ‘AI-Ready’

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23 Janeiro, 2026 | 4 minutos de leitura

2026 será um ano de choque para muitas empresas. Depois de um período marcado por entusiasmo, experimentação e provas de conceito em torno da Inteligência Artificial (IA), chegamos agora ao momento em que a maturidade, ou a falta dela, se tornará inconfundivelmente visível.

As previsões mais recentes da IDC deixam um aviso claro: as organizações que não acelerarem a modernização tecnológica e a adoção estratégica de IA correm o risco de ficar estruturalmente para trás. E é precisamente neste processo que surge um dos maiores perigos para as empresas – a falsa sensação de progresso. Muitas acreditam estar a fazer “transformação digital” apenas por utilizarem algumas ferramentas de IA generativa no dia a dia. Na realidade, essa adoção superficial não prepara o negócio para os desafios que se avizinham.

A IDC prevê que, já em 2026, 70% das empresas passem a trabalhar em modelos de Composite AI, combinando inteligência generativa com capacidades preditivas e prescritivas. Isto não representa apenas uma evolução técnica, mas a transição para sistemas que aprendem, recomendam e executam de forma integrada, o que resulta em organizações mais rápidas, mais inteligentes e capazes de tomar decisões automatizadas em larga escala.

No entanto, esta mudança só será sustentável para quem tiver a infraestrutura certa. A Gartner sublinha precisamente isso ao destacar a emergência das AI supercomputing platforms como novo pilar tecnológico, prevendo que, até 2028, 40% das empresas adotem arquiteturas híbridas de computação para suportar modelos cada vez mais exigentes. Consequentemente, as empresas que continuarem a operar com tecnologias fragmentadas ou infraestruturas envelhecidas não conseguirão acompanhar e, pior ainda, não conseguirão competir.

O mesmo se aplica ao avanço dos agentes de IA. Até 2027, o seu uso nas grandes empresas deverá aumentar dez vezes, suportando volumes de processamento mil vezes superiores. Isto não representa uma simples tendência, mas a consolidação de um novo modelo operacional. Num cenário dominado por autonomia e eficiência, tudo o que puder ser automatizado será automatizado, e qualquer tarefa humana essencialmente repetitiva deixará de ser sustentável.

Mas, embora esta mudança seja inevitável, está longe de ser automática. Sem governance, visão e capacidade de execução, a adoção de IA pode gerar mais problemas do que benefícios. Quando as empresas avançam sem controlo, surgem riscos reais: os agentes de IA multiplicam-se de forma desordenada, decisões produzidas por modelos non-explainable tornam-se um problema sério de confiança e compliance, e os custos de cloud disparam rapidamente fora do planeamento. Modernizar a cloud, reorganizar dados, reforçar a segurança, definir mecanismos de controlo e preparar equipas não são detalhes — são pré-condições para o futuro.

Se estes riscos internos já são suficientes para travar empresas, atenção decisores porque a pressão externa só vai aumentar. Até 2028, 60% das organizações irão recorrer a clean rooms e data exchanges para colaborar com parceiros e desenvolver modelos mais ricos e competitivos.

Isto não é futurologia. É a redefinição do que significa operar numa economia digital global.

Mas talvez o ponto mais subestimado de todos seja o fator humano. A IDC antecipa que as empresas que conseguirem medir e otimizar a colaboração entre pessoas e IA terão margens até 15% superiores. Isto deve levar-nos a uma conclusão simples, a IA não substitui talento; amplifica-o. As empresas que encaram a IA como substituto perdem o foco, já que o verdadeiro ganho reside na capacidade de elevar a competência humana e libertá-la para tarefas de maior valor.

Na prática, vemos uma divisão clara entre organizações que se estão a preparar para este novo ciclo e outras que continuam presas à ideia errada de que a transformação se faz pela acumulação de ferramentas. Na economia que se aproxima, não haverá espaço para adiar decisões estruturantes: a questão não é se a IA vai transformar o negócio, mas se as empresas terão coragem de fazer agora o que será inevitável mais tarde. Quem agir primeiro terá vantagem; quem esperar arrisca-se a chegar tarde demais. É por isso que 2026 se afirmará como um verdadeiro ponto de viragem — o início da consolidação de uma era tecnológica mais autónoma, mais inteligente e profundamente orientada para resultados.

Nelson Pereira,
CTO, Noesis

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