30% das empresas que pediram layoff ainda não receberam apoio, conclui estudo da CIP

Das empresas que pediram layoff simplificado, a 4 de maio 30% ainda não tinham recebido o apoio.” Esta é uma das conclusões do questionário feito, entre 5 e 7 de maio, a decisores empresariais através da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e das suas associações. Uma organização que representa, diretamente e através da sua rede associativa, mais de 150 mil empresas, que empregam mais de 1,8 milhões de trabalhadores e são responsáveis por cerca de 71% do produto interno bruto (PIB) de Portugal.

A principal causa dos atrasos identificada por António Saraiva, presidente da CIP, é o “erro de perceção da parte do Governo” em avaliar a dimensão do problema e o timing necessário à apreciação do elevado número de pedidos de layoff simplificado.

Numa conferência online nesta segunda-feira sobre os resultados do questionário semanal Projeto Sinais Vitais, o dirigente associativo apontou mais uma vez o dedo às ineficiências do Estado: “Uma máquina mal preparada para o fluxo que se verificou” e que, na sua opinião, “devia ter sido percecionado e antecipado.”

Foram ouvidas 1451 empresas portuguesas num universo de 150 mil. A amostra foi constituída em 40% por microempresas e 38% pequenas empresas. As grandes empresas pesaram 4,9% na amostra, “realidade sobredimensionada em número de empresas, mas que é fundamental ser bem conhecida pelo impacto económico que têm no tecido empresarial português”, é explicado no relatório.

O estudo semanal, que é o segundo no âmbito do projeto que envolve a CIP, em parceria com o Marketing Future Cast Lab do ISCTE, mostra ainda que entre o total de empresas que solicitou layoff simplificado, 4% admite não ter cumprido os seus compromissos salariais, enquanto 84% afirma ter cumprido na totalidade os seus compromissos com os trabalhadores. As empresas que admitem ter cumprido parcialmente são 12%.

Na semana em análise, 48% das empresas já tinham pedido layoff, enquanto 44% das empresas não pediu nem pensa vir a pedir este apoio do Estado. As 8% que ainda não pediram, pensam fazê-lo.

O estudo mostra que metade das empresas inquiridas solicitou layoff simplificado nos primeiros dias de abril e que 25% das empresas que solicitou layoff tem a totalidade dos trabalhadores neste regime. Em 30% dos casos este pedido afetou até 20% dos trabalhadores.

Porque é que há empresas que não pediram apoio nem pensam fazê-lo? O inquérito revela que consideram não precisar. Para 16% a razão apontada foi a falta de condições de elegibilidade, como a existência de dívidas à Segurança Social ou uma quebra de vendas inferior a 40%- dois dos critérios para acesso aos apoios.

Sobre os programas de resgate à economia, 84% das empresas consideram que estão aquém (ou muito aquém) do que necessitam. Face à semana anterior, o número de empresas que já pediu financiamento bancário aumentou para quase 40%.

Medida deve ser prolongada
Sobre o prazo que as empresas têm para pedir apoio à proteção dos postos de trabalho, António Saraiva acredita que é preciso prolongar a medida no tempo, prorrogando por mais três meses o decreto-lei que criou o layoff simplificado que, para já, é válido até 30 de junho.

Saraiva disse ainda que esta semana deverão aprovar a proposta de criação de um fundo para capitalização das empresas para proteger as mais fracas.

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