42% consideram abandonar a cidade onde vivem por causa da poluição

A vida nas cidades não está à altura das expectativas dos cidadãos. A conclusão resulta de uma investigação da empresa de consultoria e tecnologia digital Capgemini sobre cidades inteligentes. O “Street Smart: Putting the citizen at the center of Smart City initiatives” inquiriu mais de 300 autarcas de 58 cidades em 10 países, como os EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos, Itália, Espanha, Suécia, Índia e Singapura.

Mas, antes de mais, o que é uma smart city ou cidade inteligente? A Capgemini usou a definição das Nações Unidas: “cidade inovadora que usa tecnologias de informação e comunicação para melhorar a qualidade de vida e a eficiência da operação urbana, à medida que procura responder às necessidades das gerações atuais e futuras.”

Hoje, no contexto da era digital, uma larga maioria dos habitantes das grandes cidades está insatisfeita com a atual gestão dos locais onde vive e considera mudar-se para outras cidades onde a transformação digital esteja mais avançada.

Assim, 40% dos inquiridos nesta análise, que envolveu 10 mil pessoas, não põem de lado a hipótese de abandonar a sua atual área de residência no curto prazo. A poluição (42%) e a ausência de iniciativas sustentáveis (36%) poderão levá-los a abandonar as cidades onde vivem atualmente.

Apesar disso, 42% dos autarcas afirmaram que nos últimos três anos se verificou um atraso no desenvolvimento das iniciativas de sustentabilidade, e 41% apontou o risco de, nos próximos 5 a 10 anos, as suas cidades poderem vir a tornar-se insustentáveis.

Mas, sabia que mais de um terço dos cidadãos (36%) estão dispostos a pagar mais para viverem em cidades inteligentes? Este número sobe entre os mais jovens e mais ricos: 44% entre os millennials, 41% entre os inquiridos da Gen Z e 43% entre os inquiridos a ganhar mais de 80 mil dólares.

Smart Cities e a pandemia

Outra das conclusões interessantes deste relatório é que as Smart Cities contribuem para uma melhor gestão de crises como a pandemia que vivemos hoje. A Capgemini verificou que os políticos locais estão a recorrer a várias tecnologias para responderem aos desafios da COVID-19.

Por exemplo, 68% dos autarcas reconheceram que as iniciativas digitais, como as aplicações mobile que ligam as pessoas aos centros de saúde ou que permitem monitorizar remotamente os pacientes, estão a ser úteis na gestão desta crise.

“As Smart Cities são mais resistentes a crises como a atual pandemia”, diz Pierre-Adrien Hanania, Global Offer Leader for AI in the Public Sector da Capgemini, para quem “é essencial unir o ecossistema de dados e os vários stakeholders da cidade para criar um plano único, assente na privacidade dos dados e na visão global do ADN da cidade.”

Desafios impostos pelas cidades inteligentes

Ainda são muitos os desafios a ultrapassar na implementação de projetos de Smart Cities, como é a questão do acesso a dados e ao financiamento. Os dados são fundamentais para garantir a otimização das cidades inteligentes, mas 63% dos cidadãos em todo o mundo afirmam que a privacidade dos seus dados pessoais é mais importante do que o acesso a serviços urbanos de qualidade.

Quase 70% dos autarcas afirmaram que as fontes de financiamento para os seus orçamentos de implementação de iniciativas Smart Cities constituem um grande desafio, e 68% revelaram ter dificuldade em aceder e construir as plataformas digitais necessárias para as desenvolver.

Por fim, a Capgemini constatou que apenas um em cada dez dos autarcas está em fase avançada de implementação deste tipo de iniciativas e 22% começou a desenvolvê-las.

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