Em Portugal, ocorrem mais de 500 acidentes de trabalho por dia. A maioria das empresas encaixa o número no orçamento e segue em frente. Para especialistas da WTW e da Swaifor, isso é precisamente o problema.
Num webinar recente da série Risk Insights Talks, promovido pelas duas empresas, o diagnóstico foi direto: a sinistralidade laboral continua a ser subestimada pelas organizações portuguesas, tratada como um dado adquirido em vez de um risco gerível.
Os números justificam a preocupação. Com mais de 184 mil ocorrências registadas num único ano, Portugal mantém uma taxa de sinistralidade que deveria exigir resposta estratégica — e não apenas administrativa. Mais revelador ainda é o padrão de distribuição: cerca de 21,7% dos acidentes são responsáveis por 74% dos dias de trabalho perdidos. Cada acidente grave representa, em média, mais de 80 dias de ausência.
«As organizações que conseguem medir, quantificar e monitorizar a sua sinistralidade estão mais bem preparadas para reduzir o impacto dos acidentes e tomar decisões informadas», afirmou Luís Pena, Associate Director de Risk & Broking da WTW. O problema, segundo a empresa, está na fragmentação: recursos humanos, segurança no trabalho e operações raramente comunicam entre si, o que impede a identificação de padrões e a resposta eficaz.
A proposta passa por tratar a sinistralidade como uma variável de gestão com dashboards, indicadores-chave, benchmarks de mercado e informação estruturada para negociação com seguradoras. E por tornar visíveis os custos que habitualmente ficam fora da equação: absentismo prolongado, impacto operacional, dano reputacional.
Mas há uma dimensão que os modelos tradicionais tendem a ignorar. Daniela Lima, fundadora da Swaifor, foi direta: «Os acidentes de trabalho não acontecem apenas por falhas técnicas ou processuais. Muitas vezes têm origem em fatores como stress, fadiga, pressão operacional ou comportamentos inseguros.»
É a chamada dimensão invisível do risco, aquela que não aparece nos relatórios de conformidade, mas que está presente no desgaste acumulado de uma equipa, na rotina que embota a atenção, na liderança que não promove cultura preventiva. Fatores humanos, em suma, que exigem uma resposta que vá além da afixação de normas de segurança.
A colaboração entre a WTW e a Swaifor assenta precisamente nesta dualidade: rigor analítico na medição do risco, intervenção comportamental na sua prevenção. A tese subjacente é simples e incómoda para quem gere organizações: acidentes de trabalho não são inevitáveis. São, em grande medida, previsíveis. E portanto evitáveis.


