68% preferem falar com um robô do que com o seu chefe sobre stress no trabalho

Um estudo da Oracle, software house americana de base de dados para empresas, e da Workplace Intelligence, empresa de estudos de mercado, veio revelar que a grande maioria dos colaboradores prefere falar com um robô do que com o seu chefe sobre o stress e a ansiedade que sente no trabalho. E que 82% das pessoas acredita que os robôs as podem apoiar melhor do que os humanos a manterem a sua saúde mental equilibrada.

O estudo, que envolveu mais de 12 mil trabalhadores, gestores, diretores de Recursos Humanos e gestores de topo em 11 países, revela que esta pandemia aumentou os níveis de stress e de ansiedade no trabalho, bem como as probabilidades de esgotamento em todo o mundo.

Principais conclusões

A COVID-19 impactou negativamente a saúde mental dos trabalhadores em todo o mundo – as pessoas lutam contra o aumento dos níveis de ansiedade e depressão no trabalho. Foram 70% os trabalhadores que este ano experienciaram níveis de stress e ansiedade superiores aos de qualquer outro ano.


Este aumento do stress e da ansiedade afetou negativamente a saúde mental de 78% dos trabalhadores em todo o mundo, causando mais stress (38%), falta de equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal (35%), esgotamentos (25%), depressão resultante da impossibilidade de socialização (25%), e solidão (14%).

As novas pressões causadas pela pandemia global acrescem ao já tradicional stress experienciado no dia a dia no local de trabalho, incluindo a pressão para cumprir os níveis de desempenho (42%), lidar com tarefas rotineiras e entediantes (41%) e tentar gerir cargas de trabalho exponenciais (41%).

A pandemia tem exacerbado as questões de saúde mental no local de trabalho e o impacto não se limita à vida profissional; os trabalhadores também estão a sentir os efeitos nas suas vidas pessoais.

O estudo mostra que para 85% dos inquiridos os problemas de saúde mental no trabalho (isto é, stress, ansiedade e depressão) afetam a sua vida pessoal e as repercussões mais comuns são: privação de sono (40%), menos saúde física (35%), uma vida pessoal menos feliz (33%), relações familiares fortemente afetadas (30%) e o afastamento dos amigos (28%).

As fronteiras entre a esfera pessoal e profissional esbatem-se com pessoas a trabalharem remotamente a partir das suas casas: 35% dos inquiridos revelou trabalhar 40 horas por mês, e 25% já sofreram um esgotamento provocado pelo excesso de trabalho.

Apesar dos inconvenientes inerentes ao trabalho remoto, 62% dos trabalhadores consideram-no mais apelativo agora do que antes da pandemia, afirmando que têm mais tempo para passar com a família (51%), para dormir (31%), e para realizarem as suas tarefas (30%).

Trabalhadores procuram apoio na tecnologia

As pessoas querem que a tecnologia as ajude a manter a sua saúde mental equilibrada. Apenas 18% dos inquiridos revelou preferir que sejam outros seres humanos a prestar-lhes apoio para manterem a sua saúde mental equilibrada.

A preferência pelos robôs está diretamente relacionada com o facto de estes poderem oferecer apoio sem fazerem juízos de valor (34%), de permitirem que os problemas possam ser partilhados de forma imparcial (30%), e de responderem rapidamente a questões relacionadas com a saúde (29%).

Neste estudo, 75% afirmou que a Inteligência Artificial (IA) ajudou a manter a sua saúde mental equilibrada no trabalho. Os principais benefícios referidos são: disponibilizar as informações necessárias para fazer o seu trabalho de forma mais eficaz (31%); automatizar tarefas e diminuir as cargas de trabalho para prevenir esgotamentos (burnout) (27%); e reduzir o stress ao ajudar a priorizar as tarefas (27%).

A IA também ajudou a maioria (51%) dos trabalhadores a encurtarem a duração das suas semanas de trabalho e permitiu-lhes disfrutarem de períodos de férias mais longos (51%). Mais de metade dos inquiridos afirmou que as tecnologias de IA contribuem para aumentar o nível de produtividade dos colaboradores (63%), para melhorar os níveis de satisfação com o emprego (54%), e para aumentar o bem-estar geral (52%).

Uma conclusão final é que 76% das pessoas acreditam que as empresas deveriam fazer mais para apoiar a saúde mental dos seus trabalhadores.

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