Novidades a considerar destes últimos meses. Boas leituras.
Da inteligência artificial à geopolítica, passando pela ficção japonesa e pelos clássicos da autoajuda, esta seleção de livros de Miguel Pina e Cunha, Diretor da Revista Líder, traça um retrato do mundo atual – entre tecnologia, identidade e poder. Para ler também, na última edição da Revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’.
Cânone da Câmara Escura – Enrique Vila-Matas

D. Quixote
Cânone da Câmara Escura, de Enrique Vila-Matas é uma nova experiência de um grande escritor. O livro aborda a escrita de um cânone heterodoxo por um narrador que, suspeita-se, poderá ser um androide. Uma inteligente reflexão sobre a literatura na idade da inteligência artificial. Quem escreve o quê?
Sympathy Tower Tokyo – Rie Qudan

Casa das Letras
Sympathy Tower Tokyo, de Rie Qudan, ilustra uma nova tendência muito em voga: a ficção japonesa. Os exemplos que aqui chegam mostram um estilo diferenciado, com uma dimensão contemplativa e uma delicadeza cuja receção dependerá do gosto. A premissa deste livro premiado é a de que a violação das leis poderá ser tratada com compaixão infinita, na torre a que o título alude. Uma espécie de Jeremy Bentham para a pós-modernidade new age e, eventualmente, um gosto literário adquirido. À atenção de Vila-Matas: 5% do livro foi escrito com IA.
Tarântula – Eduardo Halfon

D. Quixote
Ainda na ficção, uma grande voz ainda pouco conhecida é a de Eduardo Halfon. Em Tarântula, ele interroga a identidade judaica vista a partir das Américas, numa escrita cativante que nos confronta com o eterno tema da identidade, vivida aqui numa experiência radical nas selvas da Guatemala. Como diz um personagem, um livro marcado pela Torá e por Popol Vuh.
Como fazer amigos e influenciar pessoas – Dale Carnegie

Lua de Papel
Para melhor compreender as pessoas regressa Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie (Bertrand). Há livros assim, sucessivamente reeditados. Talvez possa ser descrito como um livro de autoajuda, repleto de coisas que todos sabemos. Mas saberemos mesmo? Eis um exemplo: se quiser colher mel não pontapeie a colmeia. Quantas vezes nos esquecemos das verdades simples?
No limite – Nate Silver

D. Quixote
Para melhor compreender o zeitgeist, No limite, de Nate Silver, é uma boa escolha. O autor conduz-nos pelo mundo do risco, ajudando a compreender como alguns dos personagens que moldam as nossas vidas (Altman, Thiel, Bankman-Fried) o fazem a partir de uma certa forma de viver o risco.
O plano – David Graham

D. Quixote
Continuando no real um livro importante recente é O plano, de David Graham. O jornalista da The Atlantic escalpeliza o Projeto 2025, um documento que, preparado durante os anos Biden, é uma espécie de plano mestre da administração Trump. A seguir ao improviso do primeiro mandato, este documento permitiu a abordagem blitzkrieg que estamos a testemunhar e que passa por um muito perigoso esvaziamento do sistema de pesos e contrapesos em que assenta o estado de direito. Uma leitura esclarecedora e uma visão revolucionária para a América, nada menos.
Lendas e contos de fadas japoneses

Guerra e Paz
Termino com o objeto visual mais belo destes meses. Lendas e contos de fadas japoneses. Trata-se de um magnífico objeto, no qual convivem textos maravilhosas com igualmente belas reproduções coloridas gravuras do Japão. Este livro é uma delícia para a mente, mind candy, repleto daquelas imagens do mundo natural que são únicas ao Japão. Um antídoto contra o mundo descrito por Graham noutro livro aqui tratado. Pura beleza.
Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

