8 Tendências no comportamento dos portugueses que a pandemia trouxe

Um estudo feito junto de 1744 portugueses residentes em Portugal, entres os dias 9 e 23 de setembro, vem mostrar que 52% estão adaptados à nova realidade da pandemia. Os dados indicam que os portugueses demonstram um nível de otimismo moderado (com uma média de 6,11 em 10) face ao momento que estamos a viver. Quando são colocados a pensar numa perspetiva futura, o seu otimismo aumenta (uma média de 6,30), com os homens a verem um futuro com mais confiança do que as mulheres.

A preocupação com a proteção na saúde (74%), em ter uma alimentação mais saudável e consumir produtos locais (73%), bem como poder contar com o apoio da tecnologia (73%) são transformações que os inquiridos esperam ver evoluir no futuro.

As conclusões são do Observatório de Tendências, uma análise ao impacto da pandemia nos comportamentos do consumidor feita pelas dependências portuguesas do grupo segurador Ageas e da consultora Eurogroup Consulting. Além de Portugal, a pesquisa foi feita em mais cinco países: na América Latina (Argentina, Chile, Uruguai) e na Europa do Norte (Alemanha, Luxemburgo).


No fundo, tal como Laetitia Arrighi de Casanova, partner e Business Strategy da Eurogroup Consulting Portugal, explicou durante a apresentação do relatório esta semana, há oito grandes tendências no comportamento da pessoa enquanto consumidor, cidadão e trabalhador, que foram identificadas: o desejo de sonhar, por novas utopias,  despertar de aspirações; os receios revelados pelo caminho para as transformações positivas, nem sempre evidente para todos; o enfase na saúde e bem-estar – cuidar mais e viver melhor; a necessidade acrescida de proteção; uma solidariedade reflexo de forte aspiração; o aparecimento do novo conceito de Homification (a minha casa como o centro do mundo); um consumidor/cidadão mais consciente; e o trabalho assente numa e-transformação duradoura.

O que sentiram os portugueses durante o confinamento?

Ao longo do período de confinamento, os inquiridos revelam ter sentido falta de encontros com a família e amigos (26%) – e não tanto com colegas de trabalho-, de viagens (15%) e atividades culturais (13%). Cuidar da família é o fator mais importante para 26% dos inquiridos, assim como a melhoria dos hábitos e estilos de vida e os encontros sociais, com 20% e 19% respetivamente.  A maior parte das alterações estruturais admitidas pelos inquiridos durante o confinamento (cerca de 50%) diz respeito à reciclagem, reutilização e redução do consumo e do uso de plástico.

Sobre o tema da sustentabilidade, Rita Rodrigues, head of Public Affairs & Media Relations da Deco Proteste, disse que a associação de defesa do consumidor Deco já deu entrada de um pedido na Assembleia da República para que seja reconhecido o Dia Nacional da Sustentabilidade a 25 de setembro, que foi a data em que a ONU acordou os objetivos da sustentabilidade para 2030. Na sua opinião, a noção de consumidor não está limitada àquele que compra. “Hoje, a noção de consumidor ganha uma latitude que se confunde com cidadania.”

A compra de carro e de casa foi a decisão mais frequentemente adiada. Mas uma parte dos inquiridos sentem necessidade de mudar de local ou a alterar a habitação (10%) “para estarem mais perto do campo”, segundo alguns inquiridos.

Carel Oosterloo

Para Steven Braekeveldt, CEO do Grupo Ageas Portugal, o setor imobiliário vai ser afetado com a adoção generalizada do teletrabalho. As empresas vão manter as pessoas em teletrabalho e assim não precisam de espaços nas zonas nobres e caras das cidades. “Mais empresas precisarão de menos espaço e talvez saiam das cidades.” Se o colaborador tiver de se deslocar ao escritório da empresa um a dois dias por semana, poderá optar por residir numa zona rural onde o metro quadrado é mais barato.

Em relação à formação, 15% aproveita para acelerar o projeto de formação. Os resultados mostram ainda que há uma apreciação relativamente boa do teletrabalho (2,90 em 4), especialmente por parte dos mais jovens.

Hélder Figueiredo, diretor de Recursos Humanos no Grupo Trivalor, vê várias vantagens na adoção regular do trabalho remoto. Uma delas é a rapidez na tomada de decisão. “Hoje é mais rápido decidir porque é mais fácil contactar as pessoas que devem estar envolvidas na decisão através de reuniões à distância, videoconferências através do Zoom, Teams ou outro software.”

Prioridades pós-confinamento

No período pós confinamento, 32% dos inquiridos admitem que a saúde passou a estar no topo das suas preocupações para os próximos meses, a par da redução de rendimentos (21%) e o risco de violência/conflitos sociais (19%). A incerteza laboral (12%) e a educação das crianças (10%) encontram-se logo a seguir. Neste contexto, apenas 4% dos inquiridos referem não ter qualquer receio.

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