81% das empresas consideram que o apoio do Governo não responde às suas necessidades, conclui estudo da CIP

81% das empresas consideram que o apoio financeiro do Governo às empresas ameaçadas pela crise pandémica está aquém (ou muito aquém) do que necessitam. Esta é uma das conclusões do questionário feito na semana de 11 de maio a decisores empresariais através da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e das suas associações. Uma organização que representa, diretamente e através da sua rede associativa, mais de 150 mil empresas, que empregam mais de 1,8 milhões de trabalhadores e são responsáveis por cerca de 71% do produto interno bruto (PIB) de Portugal.

Numa conferência de imprensa online esta segunda-feira sobre os resultados do questionário semanal Projeto Sinais Vitais, o presidente da CIP, António Saraiva, notou que o número de empresas que já pediu layoff simplificado desceu em relação à semana passada e que cerca de 49% das empresas não pensam pedir layoff. Também o número de empresas que já pediu financiamento bancário reduziu face à semana passada e 46% da amostra não pediu nem pensa vir a recorrer à banca.

Empresas estão a seguir as orientações de higiene e segurança

O inquérito desta semana, em que foram ouvidas 1179 empresas portuguesas num universo de 150 mil, incluiu perguntas de barómetro semanal e outras sobre o tema da proteção de saúde no período após o Estado de Emergência e do teletrabalho. Ficámos a saber que 83% adotaram na semana em análise o teletrabalho em regime parcial contra 17% em tempo total. Em média, o teletrabalho parcial envolve 25% dos trabalhadores.

O estudo semanal, que é o terceiro no âmbito do projeto que envolve a CIP, em parceria com o Marketing Future Cast Lab do ISCTE, mostra ainda que as empresas estão a seguir as medidas da Direção Geral da Saúde no que toca à higienização das mãos.

Perto de 100% das empresas ouvidas já têm locais adequados para a lavagem das mãos, incluindo doseador de sabão e toalhas de papel, e ainda asseguram dispensadores de soluções antisséticas de base alcoólica com recarregador. Em 95% dos casos têm procedimentos de higienização das mãos para pessoas externas que visitem a empresa.

Na utilização de máscaras, a generalidade está a cumprir: 93% das empresas estabeleceram a necessidade de uso de máscaras no caso de trabalhadores que apresentem sinais respiratórios suspeitos. Contudo, apenas 34% das empresas da amostra têm registos escritos dos momentos de higienização e desinfeção das superfícies.

No que toca ao distanciamento físico, 96,4% das empresas instituiram procedimentos de manutenção de distância mínima entre trabalhadores e 87% disponibilizaram ou obrigaram visitantes a usar máscaras, bem como criaram barreiras físicas.

Há quem tenha posto em prática ainda mais medidas: em 49% dos casos promoveram a alteração de layout para aumentar distância mínima entre pessoas; em 7% das empresas passaram a usar turnos desencontrados e em 6% promoveram alteração da semana de trabalho com turnos alternados.

De uma forma geral, a maioria das empresas procura cumprir com as orientações do Governo: 90% informaram os trabalhadores que em caso suspeito devem dirigir-se para a área de isolamento na empresa e contactar SNS24. Outras 74% informaram e incentivaram trabalhadores a medirem diariamente a sua temperatura e com isso verificarem a ausência ou não de sintomas.

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