A Ciência explica por que o tempo parece passar mais lentamente durante a quarentena

O tempo é fixo, ao contrário da perceção que temos dele. “O nosso estado emocional tem um papel determinante na nossa perceção do tempo”, explica Philip Gable, professor associado de Psicologia na Universidade de Delaware, que estuda estes temas há 10 anos. A Ciência demonstrou que um estado emocional positivo faz com que o tempo pareça passar mais rapidamente.


Nos primeiros dias da pandemia, quando ficou claro que o vírus perturbaria a nossa vida quotidiana, não era demais presumir que as próximas semanas e meses seriam uma montanha-russa emocional.

Graças a uma doação da National Science Foundation, Philip Gable e a sua equipa desenvolveram uma aplicação para smartphone para documentar as emoções, perceções e comportamentos dos americanos durante a pandemia, mês a mês.

Há verdade na ideia de que “o tempo voa quando a pessoa se está a divertir”. Por outro lado, o oposto parece acontecer quando estamos com medo, tristes ou ansiosos. Porquê? “Emoção e motivação estão entrelaçadas. A emoção obriga-nos a agir de certas maneiras, seja mergulhando num projeto quando estamos empolgados ou escondendo-nos quando estamos aterrorizados”, explica o professor.

Quanto mais motivação sentimos em qualquer direção, mais pronunciada é a mudança na nossa perceção do tempo. É que quando estamos motivados a fazer algo, temos um objetivo em mente. A velocidade ou a lentidão do tempo podem-nos ajudar a alcançar esse objetivo.

Quando a perceção é que o tempo passa mais rapidamente é mais fácil perseguir uma meta por um longo período de tempo. Pense num hobby que goste e como o tempo passa mais rapidamente quando está envolvido nessa atividade. Por outro lado, quando a motivação para evitar o estímulo é desencadeada, o tempo demora a passar para nos impedir de permanecer em situações potencialmente prejudiciais. “Se o tempo parece estar a arrastar-se quando estiver assustado, agirá mais rapidamente para se livrar do perigo.”

Os nossos relógios pandémicos
Era nessa situação de prevenção que nos encontrávamos no início da pandemia. Havia uma ameaça a que queríamos fugir, mas, como não conseguíamos vê-la, tentávamos evitar uma série de situações potencialmente prejudiciais, como sair de casa e ir às compras.

“Em abril, perguntamos a mil americanos como é que o tempo lhes pareceu estar a passar em março. Cerca de metade disse sentir que o tempo parecia arrastar-se e um quarto indicou que o tempo passou mais rapidamente do que o normal. O resto disse que não experimentou mudanças na passagem do tempo”.

O facto de o tempo desacelerar ou acelerar na ideia das pessoas está relacionado com as suas emoções. Aqueles que relataram que estavam mais nervosos ​​também indicaram que o tempo passava mais devagar, enquanto aqueles que se sentiam felizes ou contentes tendiam a sentir que o tempo passava mais rapidamente.

“Em abril, cerca de 10% da nossa amostra deixou de sentir que o tempo demorava mais tempo a passar para lhes parecer que o tempo passou mais depressa.” Mais pessoas estavam a sentir-se relaxadas e calmas e, curiosamente, foram esses sentimentos positivos, juntamente com a perceção do tempo a voar, que fariam com que as pessoas respeitassem o distanciamento social. Portanto, defende o investigador, “é possível que o humor melhorado das pessoas e a mudança na perceção do tempo tenham motivado a sua vontade de se distanciar socialmente.

Ainda assim, houve uma grande parte que sentiu – e provavelmente ainda sente – que o tempo demora a passar. Mas, aconselha Gable num artigo da revista americana de negócios Fast Company, se se sente assim pode fazer exercício físico, envolver-se num hobby e definir uma rotina – tudo isto ajuda a acelerar a sua perceção do tempo.

 

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