A educação de hoje prepara os líderes do futuro?

A aprendizagem ao longo da vida é um direito e não um privilégio, disse a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, aos delegados na Lillehammer Lifelong Learning Summit 2020 realizada pelo International Council for Open and Distance Education (ICDE), definindo uma visão ambiciosa para a aprendizagem ao longo da vida, baseada na noção de aprendizagem ao longo da vida como um direito humano.

“Não podemos aceitar que as pessoas fiquem ultrapassadas”, explicou. “A educação contínua é importante num momento de grandes mudanças na forma como trabalhamos. Muitas pessoas terão mudado de emprego e até carreiras em resultado da digitalização na sociedade. Tanto para manter a competitividade como para evitar que alguém seja excluído da vida profissional, é importante ter sucesso na aprendizagem ao longo da vida”.

E Brandon Busteed escreveu na Forbes, The Really Good And Really Bad News On Lifelong Learning: “O que todos os CEO vão perceber, em breve, é que as transformações empresariais requerem transformações de capital humano. E assim que essa realização se afundar, todos nós nos tornaremos aprendizes ao longo da vida – quer gostemos quer não”.

E acrescenta: “A má notícia é que há poucas evidências de que a aprendizagem ao longo da vida possa ser ensinada e que qualquer organização até agora a orientou para as suas próprias necessidades de recursos humanos. A boa notícia é que essas duras verdades podem não importar mais, simplesmente porque a aprendizagem ao longo da vida será impulsionada sobre nós como um fundamento da vida quotidiana. Deixará de ser opcional ou aspiracional; será uma necessidade e ubíqua”.

E, já agora, chamada de atenção para esta recente tomada de posição da EU LLLplatform, no passado dia 18 de outubro de 2019: “Shifting From Education to Learning: All Learning Made Equal” (pág. 34); “all learning made equal: all learning made visible”, explica-se ali.

O World Economic Forum (WEF) no seu relatório deste ano “Schools of the Future:defining New Models of Education for the Fourth Industrial Revolution (4RI)”, foca a questão do quão eminente é a mudança na Educação (talvez seja melhor falar em aprendizagem, como há muito vimos escrevendo e acima se edita: “Shifting From Education to Learning”).

Aí se escreve: Esta revisão dos métodos de ensino e educação é muito necessária – e não só pelo ritmo de mudança que está a ser conduzido pelas tecnologias digitais, pela IA e pelos dados. Também é necessário porque os modelos atuais de ensino e educação ainda estão firmemente enraizados em práticas que existem há 200 anos ou mais.

Este Relatório identifica oito características criticas para uma elevada qualidade de aprendizagem neste ambiente de 4.ª Revolução Industrial (4RI) que compara com o perfil dos nossos alunos à saída do 12.º ano. Consideram-se as seguintes áreas de desenvolvimento e aquisição das competências-chave:

Oito características críticas Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória
  1. Competências de cidadania global

2. Competências de inovação e criatividade

3. Competências tecnológicas

4. Interpessoais

5. Aprendizagem pessoal e com ritmo próprio

6. Aprendizagem acessível e inclusiva

7. Aprendizagem colaborativa e baseada na resolução de problemas

8. Aprendizagem ao longo da vida e orientada para os alunos

1.    Linguagens e textos.

2.    Informação e comunicação.

3.    Raciocínio e resolução de problemas.

4.    Pensamento crítico e pensamento criativo.

5.    Relacionamento interpessoal.

6.    Autonomia e desenvolvimento pessoal.

7.    Bem-estar e saúde.

8.    Sensibilidade estética e artística.

9.    Saber técnico e tecnologias.

10.  Consciência e domínio do corpo.

Mas, servem um propósito de preparar líderes do futuro? Pois com certeza que não! Atentem nestes dados e fiquem cientes do que está a acontecer.

Aqui pode obter muita e valiosa informação sobre este nosso mundo em transformação (e transição) digital, comparável com o que se passa em muitos outros países.

Como exemplo, no que diz respeito às ligações móveis em Portugal, em janeiro de 2020 existiam 15,80 milhões. O número diminuiu 410 mil (-2,5%) entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020. Sendo que em janeiro de 2020 correspondia ao equivalente a 155% do total da população.

E, já agora, anotem também:

        • A rede mais concorrida é o Youtube (olhe à sua volta e veja o que se acede), seguida (ainda) do Facebook. É pois, aqui, e não em salas de aula ou de formação que a aprendizagem e, sobretudo, as competências digitais e sociais (sim, sublinho, estas principalmente…) acontecem e se produzem.

Por tudo isto e por algo mais, certamente, o Governo apresentou oficialmente o Plano de Ação para a Transição Digital, a 05 de março de 2020. “Desenhado para ser o “motor de transformação do país”, apontando a três pilares essenciais: capacitação digital das pessoas, transformação digital das empresas e digitalização do Estado”.

​Articulado em três pilares estão definidas três metas, respetivamente:

        1. Educação digital, requalificação e formação profissional, inclusão e literacia digital;
        2. Empreendedorismo e atração do investimento, tecido empresarial e foco nas PME e transferência de conhecimento científico efetivo para a economia;
        3. Serviços públicos digitais, AP central ágil e aberta e AP regional e local conectada e aberta.​

Aguardamos com expectativa e pensamento positivo este Plano e, acima de tudo, a concretização em pleno dos recursos financeiros, materiais e de pessoas ​anunciados.

Este o mundo real em que estamos e esta epidemia do COVID-19 veio evidenciar que existem meios tecnológicos para mudarmos de processos, de comportamentos e de atitudes e tornarmos a nossa economia mais ágil e competente, dando às pessoas melhores condições de trabalho e de realização.

Porque estamos a demorar tanto (adiando sucessivamente a transformação digital) a alterar os nossos ambientes e contextos de aprendizagem e de trabalho? É a pergunta que se impõe. Os lideres atuais têm esta derradeira oportunidade de fazer acontecer a mudança. Olhem ao futuro dos nossos descendentes que eles/as já nos exigem.

Por: Etelberto Costa, education/training/learning activist

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