A Era do trabalhador híbrido

Com uma vacina que promete dar às empresas a oportunidade de voltar às instalações e escritórios pré-pandémicos, os especialistas dizem que um novo modelo híbrido de trabalho pode passar a ser a resposta.

Várias empresas já iniciaram a experiência. A Google disse aos empregados que iria testar a semana de trabalho flexível quando a empresa reabrisse os seus escritórios. A ideia é que os empregados trabalhem pelo menos três dias por semana no escritório e remotamente nos outros dias. A Google junta-se a um punhado de outras empresas que avançam na mesma direção.

Será este um compromisso pós-pandémico convincente, lança a empresa de consultoria de gestão Korn Ferry ao analisar o que considera as tendências no mundo do trabalho em 2021. A questão já não é se vamos ou não por esse caminho, mas sim “vamos por aí e vamos gerir essa solução da melhor forma possível”, diz Nathan Blain, sócio sénior da Korn Ferry e líder global do negócio Optimizing People Costs.

Embora o trabalho remoto não esteja isento de desvantagens, um número crescente de especialistas diz que as empresas que não tentam soluções de trabalho flexíveis podem ficar em desvantagem quando se trata de atrair e reter talentos. “Ouvimos dizer que alguns candidatos nem sequer se envolvem com organizações que não oferecem flexibilidade”, diz Melissa Swift, sócia sénior da Korn Ferry e líder global da empresa para a transformação da força de trabalho.

Uma vez que a distribuição de vacinas COVID-19 levará vários meses, as organizações têm algum tempo para descobrir que modelo híbrido pode funcionar melhor. Uma opção a ganhar força entre os programadores de software é ter todos os programadores a trabalhar no escritório no início e no fim dos projetos. O resto do tempo podem trabalhar em casa.

Outras empresas tentaram que os trabalhadores passassem uma semana no escritório e três semanas à distância. Swift diz que o melhor modelo dependerá dos objetivos de cada empresa.


A elaboração de políticas sobre acordos de trabalho flexível nos EUA também afetará os trabalhadores pelo mundo fora, uma vez que as empresas americanas empregam centenas de milhares de pessoas no estrangeiro, sublinha Anoobhav Singh, sócio sénior da Korn Ferry e membro do grupo Global Technology Industry.

Por exemplo, muitos trabalhadores na Ásia fazem serviço ao cliente ou apoio técnico. Em teoria, essas funções seriam fáceis de mudar para trabalho remoto, mas as casas na Ásia são tipicamente mais pequenas do que nos EUA, tornando o trabalho a partir de casa mais desafiante. A única coisa que provavelmente não funcionará, segundo os especialistas, é impor a mesma política para todos.

Do ponto de vista do imobiliário, se todos trabalharem nos mesmos dois dias a partir de casa, significa que os escritórios estão completamente vazios nesses dias, algo que é uma ineficiência enorme. Mas os custos de esperar que todos voltem ao escritório podem ser superiores até mesmo às ineficiências imobiliárias. “Não há dúvida que o mundo dos escritórios será transformado por esta experiência de trabalho forçado a partir de casa”, diz Singh.

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