A Farfetch está a praticar o bem na moda de luxo em nome do Clima

A Farfetch lançou recentemente as metas de Sustentabilidade até 2030. “Positively Farfetch” é a estratégia de negócio a 10 anos para se tornar mais limpa, inclusiva, consciente e circular.

“Climate Positive” é um dos grandes objetivos do unicórnio português dedicado à comercialização de moda de luxo que quer capacitar as marcas, boutiques e consumidores a pensar, agir e escolher da forma mais eficiente possível.

Em entrevista à Líder, Thomas Berry, Diretor Global de Sustentabilidade, explica a partir do escritório de Londres estar numa posição única para permitir mudanças positivas em toda a indústria de luxo e desvenda estar atento a novas formas de negócio, como revendas, doações, reparações, que ajudam a prolongar a vida útil dos artigos.


Em concreto, quer reduzir as emissões de carbono nas operações e, paralelamente, ajudar a reduzir custos; aumentar as vendas de produtos melhores para as pessoas, para o Planeta e para os animais e aumentar o uso dos serviços circulares, como o Farfetch Secondlife ou o Farfetch Donate. E tem ainda a Fashion Footprint Tool, um mecanismo semelhante a uma calculadora que estima o impacto que a produção de cada tipo de têxtil – linho, poliéster, nylon, algodão, viscose, lã, seda e couro – provoca no ambiente.

As empresas desempenham um papel fundamental para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Qual é o compromisso da Farfetch com os ODS?
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU formam uma parte importante de como definimos a nossa estratégia “Positively Farfetch”: a nossa missão de ser a plataforma para o bem no luxo. Temos quatro pilares principais – “Cleaner”, “Conscious”, “Circular” e “Inclusive” – que são as áreas mais materiais, onde podemos ter o maior impacto, e cada uma cobre uma série desses ODS.

A Ação Climática é assim uma prioridade para a Farfetch?
Sem dúvida. O pilar “Cleaner” da nossa estratégia está focado na redução da nossa pegada direta e indireta, com o foco principal precisamente nas mudanças climáticas. O pilar “Conscious” apoia marcas e produtos que são melhores para as pessoas, para o Planeta e para os animais – o que inclui o apoio a produtos e materiais com baixo nível de carbono. E o nosso pilar “Circular” apoia novas linhas de negócio que ajudam a reduzir o desperdício e prolongar a vida útil das roupas – o que, mais uma vez, ajuda a reduzir o impacto do carbono.

Quais são as ambições em concreto e qual a estratégia para alcançá-las?
A Farfetch lançou recentemente as metas de Sustentabilidade até 2030, uma estratégia a 10 anos para nos tornarmos mais limpos, inclusivos, conscientes e circulares. Um dos quatro objetivos principais é tornar-se “Climate Positive” e acreditamos estar numa posição única para permitir mudanças positivas de muitas maneiras diferentes. É por isso que a nossa estratégia de negócios sustentável se chama “Positively Farfetch” – porque queremos ser não apenas uma plataforma, mas a plataforma para o bem na moda de luxo, uma plataforma que permite e capacita todos com quem trabalhamos a pensar, agir e escolher positivamente. Olhando para alguns exemplos recentes, estamos a aumentar a eficiência das embalagens e da cadeia de abastecimento, bem como o uso de energia renovável nas nossas operações; lançámos a Climate Conscious Delivery, tornando todas as entregas e devoluções neutras em carbono; estamos também a promover produtos que são independentemente reconhecidos ou certificados como “Conscientes” – melhores para a humanidade, o planeta e os animais; e temos uma gama crescente de serviços circulares, como revendas e doações; além de estarmos a vender mais produtos usados ​​no marketplace.
Como parte dos esforços contínuos de boas práticas empresariais da Farfetch e refletindo o compromisso com a sustentabilidade e responsabilidade corporativa, o Conselho de Administração aprovou recentemente a formação de um Comité ESG (Environmental, Social and Governance). O Comité, que inclui o CEO e Chairman José Neves, supervisionará a implementação das metas para a próxima década.

Será necessário reinventar modelos de negócio .Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
Os modelos de negócio em todos os setores terão que mudar e evoluir. Olhamos com muita atenção para o nosso modelo operacional, em particular para a forma como ligamos marcas, boutiques e consumidores em todo o mundo e como o fazemos da forma mais eficiente possível. Mas estamos também atentos a novas formas de negócio, como revendas, doações, reparações, etc., que ajudam a prolongar a vida útil dos artigos.


Em que ponto está o vosso setor nesta matéria?
Nenhuma área de negócio ou empresa individual tem todas as respostas sobre como enfrentar os desafios sociais e ambientais do mundo delineados nos ODS. No entanto, recentemente, a moda evoluiu muito depressa – a formação do “Fashion Pact”, envolvendo mais de 200 marcas que representam mais de 1/3 da indústria, é uma prova disso. E a tecnologia e a inovação estão na vanguarda das mudanças – nas operações, transparência do produto, novos modelos de negócios. Sentimos que a Farfetch pode desempenhar um papel realmente importante em ajudar toda a indústria de luxo a enfrentar os desafios do presente e do futuro.


Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
Sempre foi importante para nós e para o nosso fundador José Neves. Um dos objetivos quando ele fundou a empresa era apoiar pequenas empresas, muitas vezes pequenas boutiques familiares, criando uma resposta mais eficaz para a oferta e a procura no setor – e, assim, ajudando a reduzir o desperdício. Isso evoluiu naturalmente e, com a nossa estratégia “Positively Farfetch”, construímos algumas metas e métricas claras no núcleo do negócio.

As iniciativas de Sustentabilidade são transversais ao Grupo?
A Farfetch é uma empresa global. Pensamos globalmente e agimos localmente. Tenho a certeza de que todas as iniciativas têm um impacto em cada um dos nossos mercados em todo o mundo.

A Farfetch tem cerca de 5 mil funcionários em 14 localizações em todo o mundo. Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
Sim, embora as metas e objetivos dentro do “Positively Farfetch” exijam que todas as equipas da Farfetch contribuam.

Quais são agora os próximos passos?
Estamos focados na nossa estratégia: reduzir as emissões de carbono nas operações e, paralelamente, ajudando a reduzir custos; aumentar as vendas de produtos ‘”Conscious”, gerando um crescimento positivo de GTV para a empresa; aumentar o uso dos nossos serviços Circulares, gerando novos negócios para o grupo; impulsionando uma cultura inclusiva na Farfetch e apoiando grupos com menor representação na comunidade que servimos.

Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Um dos nossos valores é “Amaze Customers”, o que significa que somos focados no cliente, por isso temos naturalmente orientado para aí o nosso trabalho de sustentabilidade. Para o pilar “Cleaner”, assumimos o compromisso de que todas as entregas e devoluções seriam neutras em emissões de carbono. Permitimos que os clientes comprem e se envolvam com a nossa coleção “Conscious” de muitas maneiras diferentes. Desde o lançamento do “Positively Farfetch”, em 2019, oferecemos aos clientes a oportunidade de comprar a seleção mais emocionante de produtos de luxo “conscientes” através das nossas “Conscious Edits” para homem, mulher e criança. Também disponibilizamos aos clientes a “Fashion Footprint Tool” para ajudar a tomar decisões mais informadas ao comprar roupas novas (através de uma melhor compreensão do impacto ambiental dos materiais) e roupas em segunda mão (avaliando claramente a economia ambiental de opções de segunda mão). Dentro dos nossos serviços circulares, permitimos agora que clientes nos Estados Unidos e em toda a Europa revendam as suas malas usadas através do Farfetch Secondlife. E no Reino Unido, temos um serviço que permite a doação de qualquer artigo não utilizado para uma instituição ou organização social, através Farfetch Donate.

Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
O meu conselho seria que se concentrem nas áreas mais materiais para eles – quais as iniciativas ou áreas de impacto ambiental ou social onde aquela empresa pode ter um maior impacto, ao mesmo tempo que desenvolve a sua estratégia empresarial? Por outras palavras, como é que podem ser bons negócios fazendo o bem.

BI Thomas Berry:
Tem trabalhado em Estratégia e Sustentabilidade nos últimos 20 anos. Há 2 anos e oito meses lidera a área de Sustentabilidade na Farfetch, através de um programa multifuncional de trabalho projetado para ajudar a empresa a ter sucesso como negócio, ao mesmo tempo que oferece um impacto social e ambiental positivo tangível. A função abrange a promoção da inovação em novos modelos de negócios circulares, permitindo que os clientes comprem produtos mais sustentáveis e melhorando a pegada de carbono da cadeia de abastecimento.
Antes da Farfetch, Thomas ocupou cargos sénior também na área de Sustentabilidade na Kimberly Clark e na Innocent Drinks. Antes disso, passou pelo Forum for the Future (no Reino Unido) e The Institute for Sustainable Futures (na Austrália) – ambas organizações líderes em desenvolvimento sustentável, que fornecem consultoria estratégica para empresas. Antes de se especializar em Sustentabilidade, passou três anos como consultor na Gemini Consulting – uma consultora de gestão com sede em Londres.

Por TitiAna Amorim Barroso
© Farfetch

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