A maior missão a Marte da história leva engenharia portuguesa

O veículo Perseverance da NASA já aterrou à superfície de Marte no dia 18 de fevereiro. A missão inclui a procura de vestígios de vida nesse Planeta, com o objetivo de aumentar o conhecimento que temos de Marte e recolher amostras para serem estudadas em Laboratórios na Terra.

São poucos os que sabem que Portugal e o ISQ também fazem parte desta odisseia, já que o escudo de proteção da cápsula, onde estas amostras vão fazer a última fase da longa viagem – a reentrada na atmosfera terrestre, foi concebido e testado por um consórcio português liderado pela Amorim, com o ISQ, PIEP e a empresa Stratosphere, num projeto da Agência Espacial Europeia (ESA).

O projeto teve como objetivo o desenvolvimento de um sistema de escudo de proteção térmica e amortecimento de choques na aterragem, a incorporar na cápsula. O trabalho contou com uma componente de engenharia, construção e ensaios do demonstrador da cápsula.

O ISQ realizou uma parte dos ensaios de validação dos modelos de engenharia e foi responsável pelo ensaio final de impacto do demonstrador da cápsula. Este ensaio final consistiu em reproduzir as condições reais em que a cápsula irá impactar o solo e foi realizado no Laboratório de Ensaios Especiais do ISQ, situado em Castelo Branco.

Este projeto é um marco na participação portuguesa na procura de respostas a uma pergunta que a humanidade se coloca desde sempre, a possível existência de vida noutros planetas.

Escudo de proteção da cápsula ao detalhe

Com o nome de código cTPS, o resultado já foi validado pela ESA e teve como objetivo o desenvolvimento do sistema de proteção térmica de uma cápsula que irá trazer amostras de fragmentos de pedra de Marte para serem analisados na Terra.

Uma solução de engenharia portuguesa que pega na cortiça (uma matéria-prima em que Portugal é líder mundial na produção e transformação) junta-lhe engenharia e inovação e cria uma cápsula de reentrada atmosférica inovadora que promete ser uma referência em novos desenvolvimentos para missões espaciais.

A engenharia portuguesa oferece assim à ESA uma solução mais simples, mais leve, 25% abaixo do peso máximo exigido, e com garantia de redução dos custos de produção.

O ISQ presta serviços de Quality Assurance/Quality Control (QA/QC) no Centro Espacial Europeu (CSG), na Guiana Francesa há cerca de 15 anos. Muitos dos engenheiros do ISQ que trabalham no Centro Espacial têm também experiência noutros projetos com níveis de exigência semelhantes tais como o CERN (European Organization for Nuclear Research), o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor), o European Southern Observatory (ESO) ou o Petroleum Institute.

Determinante foi também a parceria entre o ISQ e a ESA, a Agência Espacial Europeia, em atividades de desenvolvimento de tecnologia, com prestação de serviços nas áreas dos materiais, inspeção, ensaios e metrologia para o ESTEC (European Space Research and Technology Centre).

O ISQ continua a marcar presença na Guiana Francesa com uma equipa permanente na base aeroespacial em Kouru e tem vindo a participar em vários projetos da Agência Espacial Europeia. Começou com um engenheiro e conta hoje com uma equipa de sete pessoas, sendo a perspetiva de crescimento.

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