A Euribor tornou-se sinónimo de prestações mais caras da casa para milhares de famílias portuguesas. Mas existe um efeito menos falado desse mesmo indicador: quando sobe, também pode aumentar o rendimento das poupanças.
É isso que está agora a acontecer com os Certificados de Aforro. A taxa voltou a subir depois de meses de descida, acompanhando a evolução da Euribor a três meses. Este índice serve de base ao cálculo da remuneração deste produto de poupança do Estado.
Como a Euribor influencia os Certificados de Aforro
Assim, a ligação entre estes dois indicadores é direta. A taxa base dos Certificados de Aforro é calculada com base na média da Euribor a três meses observada nos dias úteis anteriores ao final de cada mês, até ao limite máximo definido pelo Estado.
Na prática, quando a Euribor sobe, os juros dos certificados também tendem a subir.
Isso quer dizer que o mesmo indicador que pesa no orçamento das famílias com crédito à habitação pode, ao mesmo tempo, aumentar o rendimento de quem decidiu aplicar poupanças nestes títulos do Estado.
Nos últimos anos, a Euribor passou de valores negativos para níveis significativamente mais elevados. A mudança aconteceu depois de o Banco Central Europeu ter aumentado as taxas de juro para travar a inflação na zona euro.
Esse ciclo de subida teve um impacto imediato nas prestações da casa em Portugal, onde uma grande parte dos créditos à habitação está indexada à Euribor. Mas o mesmo movimento também devolveu alguma atratividade a produtos de poupança que estavam praticamente esquecidos durante a era de juros baixos.
Porque os Certificados de Aforro voltaram a atrair portugueses
Entre esses produtos estão os Certificados de Aforro, emitidos pelo Instituto de Gestão do Crédito Público, que continuam a ser uma das formas de poupança mais utilizadas em Portugal.
Existem várias razões para essa popularidade: capital garantido pelo Estado português; atualização regular da taxa de juro; possibilidade de investimento com valores relativamente baixos.
No atual contexto de incerteza económica e volatilidade nos mercados financeiros, muitos pequenos aforradores continuam a privilegiar produtos considerados seguros.
O que pode acontecer aos juros das poupanças
Apesar da subida recente, o rendimento dos Certificados de Aforro continua dependente da evolução futura da Euribor. Se as taxas de juro na zona euro começarem a descer de forma mais consistente, algo que alguns analistas antecipam para os próximos anos, a remuneração destes títulos poderá voltar a diminuir.
Para já, porém, o efeito é claro: o mesmo indicador que retirou rendimento disponível a muitas famílias através do aumento das prestações da casa está também a aumentar os juros de uma das poupanças mais tradicionais do país.
Assim, torna-se numa espécie de ida e volta do dinheiro ditada pela Euribor.


