A Moderna está a testar uma vacina em humanos, mas ainda não divulgou todos os resultados

A Moderna, empresa de biotecnologia de Cambridge, nos EUA, e uma das empresas farmacêuticas que tem em desenvolvimento uma vacina contra a COVID-19, “divulgou resultados positivos na sequência dos testes da Fase I que tem estado a fazer e começará a Fase III em 30 000 humanos no início de agosto”, escreve a Fast Company num artigo de dia 15 de julho.

O que significa este passo? Significa que o primeiro teste em humanos em larga escala está a começar. Os ensaios bem-sucedidos da Fase I ou Fase II não são, no entanto, sinónimos de uma vacina bem-sucedida. Por exemplo, muitas vacinas contra o HIV passaram no teste da Fase II e ainda hoje não temos uma vacina contra o HIV.

Os ensaios de Fase I e Fase II provam, principalmente, que a vacina não causa efeitos colaterais terríveis em um pequeno número de pessoas. É apenas com os ensaios da Fase III que se descobre se a vacina é realmente eficaz e se tem efeitos adversos óbvios.

A Moderna, fundada pelo The National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), que faz parte do National Institutes of Health dos EUA, tem uma abordagem específica à COVID-19.

Em geral, o objetivo de uma vacina é preparar o sistema imunológico de uma pessoa para gerar uma resposta de combate ao vírus e prevenir doenças. As abordagens convencionais usadas para fazer isso geralmente concentram-se no uso de vírus vivos atenuados, inativados ou fragmentados.

Mas o mRNA-1273 da Moderna não é produzido com o vírus que causa a COVID-19, é baseado num RNA mensageiro (RNAm), ou ácido ribonucleico mensageiro, o que significa que os cientistas usam só um pequeno segmento do código genético do vírus – que foi criado em laboratório. Assim, esperam provocar uma resposta do sistema imunológico para combater infeções.

Como foi a fase de teste da Moderna?

“Não sabemos”, diz a Fast Company. A Moderna ainda não divulgou os resultados completos. “Publicou descobertas parciais no New England Journal of Medicine mostrando que 45 participantes desenvolveram anticorpos semelhantes aos níveis encontrados nos sobreviventes do COVID-19, que é o objetivo, e que cerca de metade experimentou breves sintomas semelhantes aos da gripe.

Mas os participantes eram todos adultos jovens – a empresa ainda não divulgou os resultados para adultos mais velhos, nem testou pessoas com condições de saúde complicadas.

 A vacina vai funcionar?

Um novo estudo no Reino Unido indica que os anticorpos COVID-19 só duram de dois a três meses, o que não é bom. Se os anticorpos protegerem apenas por alguns meses, isso tornaria a “imunidade de rebanho” um sonho, mas seria uma bênção para as empresas farmacêuticas que poderiam fornecer vacinas várias vezes ao ano. Mas tudo isto apenas se baseia em dados preliminares e está sujeito a alterações.

Cerca de 120 vacinas estão a ser desenvolvidas em todo o mundo, com menos de duas dezenas a fazerem testes em seres humanos, incluindo uma vacina financiada pelos EUA da Universidade de Oxford que também está a iniciar testes em 30.000 participantes. Enquanto isso, a China está a testar em humanos oito vacinas candidatas.

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