A mudança ganha prioridade para 61% dos gestores

A pandemia está a levar os gestores a transformar a forma de trabalhar das suas empresas, não só pela necessidade de adaptação a novos desafios, mas também porque a crise é uma oportunidade para repensar e modificar as suas organizações.

Esta é uma das principais conclusões do estudo “Global Human Capital Trends 2021” da Deloitte, onde 61% dos gestores afirmam que pretendem transformar a forma de trabalhar das empresas que lideram, o dobro das intenções nesta matéria se comparado com períodos pré-pandemia em que apenas 29% dos líderes colocavam a transformação como prioridade.

Os três fatores identificados pelos executivos como importantes na transformação do trabalho foram a construção de uma cultura organizacional que potencie o crescimento, a adaptabilidade e a resiliência (45%), através da requalificação (upskilling e reskilling) e mobilidade (41%) e através de novas tecnologias (35%).

Cerca de 72% dos executivos identificaram “a capacidade da sua equipa em se adaptar, requalificar e assumir novas funções” como uma prioridade para enfrentar disrupções futuras na atividade das organizações.

Contudo, apenas 17% desses executivos disseram que a sua organização estava “bem preparada” para se adaptar e requalificar os trabalhadores para assumir novas funções, o que denota uma desconexão substancial entre as prioridades dos líderes e a realidade de como as suas organizações apoiam o desenvolvimento da força de trabalho.

A liderança é a qualidade mais valorizada, com 60% dos executivos a afirmarem que este atributo é crítico. No entanto, surgem como barreiras à transformação outras prioridades concorrentes (57%), a falta de preparação (43%) e a falta de visão de futuro (27%) das organizações.

A edição de 2021 deste estudo baseia-se num inquérito realizado junto de 3600 executivos em 96 países, incluindo Portugal, com respostas de mais de 1200 executivos de topo e membros de conselhos de administração.

Pela primeira vez em 11 anos deste inquérito, os entrevistados da área de gestão (56%), incluindo 233 CEO, superaram os entrevistados da área de Recursos Humanos (44%), o que, para a Deloitte, revela a importância crescente do capital humano na tomada de decisão.

A força das superequipas

O estudo indica que os executivos estão cada vez mais a abandonar a otimização da automação e a repensar a melhor forma de integrar o fator humano e a tecnologia nas empresas. Durante a pandemia, as equipas tornaram-se no mecanismo de sobrevivência das organizações, levando os líderes a construir “superequipas”, unindo os colaboradores à tecnologia, e a reimaginarem o trabalho de uma forma mais humana.

A perspetiva dos gestores sobre Inteligência Artificial (IA) está também a mudar: de uma visão limitada a uma ferramenta de automação para uma nova forma de aumentar as capacidades humanas. Muitos dos executivos consultados reconhecem que tecnologia e pessoas não é uma escolha “uma ou outra”, mas sim uma parceria entre as duas vertentes.

Planos de gestão de improváveis em falta

Cerca de 28% das empresas admite que não tinha estratégias de preparação para a pandemia e a maioria (94%) não se focava em eventos improváveis de alto impacto como a COVID-19. Atualmente, apenas 17% das empresas afirma ter uma estratégia de preparação para acontecimentos “improváveis, de alto impacto”.

Quase metade (47%) dos executivos afirma que a sua organização se concentra em múltiplos cenários, um número superior ao registado em período pré-pandemia (23%). Na resposta à crise em tempo real foi dada maior relevância aos contributos dos colaboradores e das equipas.

De acordo com Nuno Carvalho, Partner e Human Capital Leader da Deloitte, “as organizações estão a adotar formas radicalmente novas de trabalhar e reimaginar o futuro do trabalho colocando as questões relacionadas com o capital humano no centro da sua estratégia e da sua atuação.”

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