A notável máquina da felicidade

Todos nós idealizamos ser perfeitos e idolatramos um mundo perfeito.

Trago boas e más notícias, para si. O combate final desta “ideologia” vs “idolatria” é um combate perdedor pois não existem pessoas perfeitas nem mundos perfeitos, mas a boa notícia é que o combate final “pessoas” vs “mundo melhor” poderá ser um combate vencedor em que ambos dividem a medalha de ouro à semelhança do que vimos acontecer nos jogos olímpicos.

Criámos um mundo demasiado complexo na busca de respostas para compreensão da nossa origem e para melhoria das nossas condições de vida, e pelo caminho deixámo-nos deslumbrar pela ideologia de desempenharmos e contrariarmos o papel do criador.

Enquanto ideologia é inquestionável que esta abordagem nos trouxe muitos benefícios, avanços tecnológicos, médicos, físicos, etc…

Para mim, o perigo reside na idolatria que também se desenvolveu nesta nossa capacidade de nos substituirmos ao criador, querendo desempenhar o papel de Deus!

A linha que separa estar a ser feito em prol da humanidade ou em prol da idolatria de sermos Deus é uma linha muito ténue.

Para os mais céticos isto pode levantar a questão, mas quem é Deus? Quem foi o nosso criador?

Há algo que todos nós sabemos, independentemente de quem tenha sido o nosso criador, ele tornou-nos únicos em relação a todas a outas espécies animais! O que nos leva à questão: o que nos torna únicos?

Existem várias ideologias e teorias sobre o que nos diferencia das outras espécies e que apontam para vários aspetos que nos separam de todos os outros animais, e que, desde há muito tempo, não se limitam ao facto de possuirmos inteligência e razão. A neurociência tem vindo a estudar o nosso cérebro e hoje sabemos que em dois milhões de anos, a massa do cérebro humano quase triplicou, sobretudo porque adquiriu uma nova parte chamada lobo frontal, e em especial, uma região chamada córtex pré-frontal, que está associada ao planeamento dos comportamentos cognitivamente complexos e à expressão da personalidade.

Em 2004, Dan Gilbert apresentou um estudo sobre a “surpreendente ciência da felicidade” no qual demonstra que, através desta região do cérebro, o ser humano tem a capacidade de sintetizar a felicidade!

Sir Thomas Brown escreveu em 1642: “Eu sou o homem mais feliz do mundo. Tenho em mim o que pode converter a pobreza em riqueza, a adversidade em prosperidade e sou mais invulnerável do que Aquiles. A sorte não tem como me atingir.”

Que tipo de máquina notável tinha este senhor na cabeça?

A mesma máquina notável que todos nós temos. Aquilo que Dan Gilbert considera como um “sistema imunitário psicológico”. Um sistema de processos cognitivos, em grande medida processos cognitivos não-conscientes, que nos ajuda a mudar a nossa visão do mundo, para que nos possamos sentir melhor quanto ao mundo em que nos encontramos. Tal como Sir Thomas, todos nós temos esta máquina. Mas, será que a estamos a utilizar?

Enquanto empresários, pais, filhos, amigos, cidadãos passamos uma vida a pensar que a felicidade tem de ser procurada e o desafio que vos lanço é passar a pensar que a felicidade tem de ser proporcionada!

Proporcionar aceitarmos as nossas imperfeições, as nossas vulnerabilidades, as nossas emoções, os nossos sentimentos é o que nos vai possibilitar SER felizes ao invés de ESTAR felizes, apenas ocasionalmente.

Porque quando SOMOS felizes SOMOS mais empáticos, mais fortes, mais confiantes, mais determinados e acima de tudo mais HUMANOS!

A forma como lideramos é um reflexo de como nos lideramos a nós próprios!

Não se trata de deixarmos um mundo melhor, mas sim de deixar melhores pessoas neste mundo! E a mudança tem de partir de cada um de nós!


Por Patrícia Santos, CEO da Zome

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