A nova Era de mudança, o que se segue?

O que podem esperar as empresas e, em especial, os seus líderes, face aos tempos de mudança que se estão a viver, quando, na verdade, o ser humano não gosta de mudanças. E de que forma as organizações terão de adotar novas estratégia e utilizar a experiência adquirida nos últimos 18 meses para voltar a criar estruturas estáveis e duradouras?

João Paulo da Silva, SVP & General Manager da SAP South Europe & Francophone Africa, um dos mais altos cargos de direção português na SAP à escala global, deixou-nos a sua opinião e reflexão sobre como esta experiência dos últimos meses pode ter tido um efeito inesperado entre os seres humanos que, à partida, não gostam de alterações nas suas vidas.

Empresa Inteligente

Enquanto líder numa empresa internacional, que fornece software para qualquer sector de atividade e dimensão, tenciono explorar os elementos que considero críticos para as organizações e que as ajudarão a passar do estado de “sobrevivência” para a “prosperidade”.

Em alguns aspetos, as regras mudaram. O mundo das empresas transformou-se ao longo do ano que passou e sobreviveu. Agora, para prosperar, será necessário consolidar essas mudanças e avançar com investimentos e decisões inteligentes, para nos tornarmos em empresas inteligentes, preparadas para uma “era de mudança”.

A própria mudança é crítica

O autor Alan Deutschman popularizou o termo “change or die” (mude ou morra). Já eu costumo dizer: ou gerimos nós mesmos a nossa mudança ou outra pessoa fará por nós. É sabido que para sermos bem sucedidos devemos abraçar a mudança e que esse ato requer um certo grau de traição ao nosso “eu” anterior! Um resultado da Pandemia é a conclusão de que somos mais resilientes do que havíamos alguma vez imaginado e que somos capazes de enfrentar, mesmo que resistamos, quando nada permanece o mesmo.

A mudança costuma ser um catalisador para a inovação. Acredito que estamos diante de um futuro que está pronto para mais eficiência, maior sustentabilidade – no sentido mais lato do termo – e para uma transformação, muito além da que poderíamos ter considerado. Contudo, também é necessário fazer um balanço, processar as emoções e encontrar coragem para a reconstrução, ainda melhor que antes.

Digitalização Hiperacelerada

Nem é preciso dizer que observámos um aumento significativo da digitalização no local de trabalho. A palavra de ordem tem sido conectividade, não só dentro das nossas organizações, mas em todos os ecossistemas de negócio. São bem notórias as evidências de que as redes de negócios possibilitam um potencial significativo para a criação de novo valor.

Uma estratégia acertada é reagir à crise e implementar soluções críticas para os negócios com rapidez. Hoje, temos o luxo de ter tempo – por mais que isso seja questionável neste mundo acelerado – e, portanto, podemos procurar soluções que nos ajudem a remover barreiras e a transformar as nossas organizações, de uma forma que facilite a necessária flexibilidade para a resiliência. Além de que o trabalho remoto assumiu uma definição completamente nova e, enquanto acesso fundamental, o futuro dos negócios está na cloud.

Há bonança depois da tempestade?

Se a COVID-19 ainda serve de justificação para os desafios das empresas, então estas podem estar em apuros. O conceito de ‘business as usual’ abrange qualidades como adaptabilidade, agilidade e colaboração, que hoje são pré-requisitos para o sucesso.

Então, como podemos continuar a utilizar a energia que dispomos e aproveitá-la para passarmos da sobrevivência para a prosperidade?

Para ilustrar, gostaria de referir o exemplo da Federal Mogul, nossa cliente, que rapidamente percebeu que precisava de priorizar a capacidade de resposta às mudanças rápidas das necessidades dos clientes e do mercado. Precisava também de harmonizar os processos de negócio em toda a organização, a fim de facilitar a sua expansão e assim tornar-se mais ágil e competitiva. Hoje, como resultado da transformação e da automatização em 100% dos seus processos centrais e de back-office, o nosso cliente pode orgulhar-se de um negócio verdadeiramente inteligente e na cloud, com poupanças na ordem dos 15% e 100% ao nível da rastreabilidade e fabrico dos seus produtos.

E para onde vamos agora…

Há muito que, nas empresas, falamos de um mundo VUCA, onde a Volatilidade, a Incerteza, a Complexidade e a Ambiguidade são desafios diários no caminho do sucesso. Talvez a única maneira de verdadeiramente os superar seja simplesmente ser mais rápido e ágil, como foi o cliente que há pouco referi, e estar preparado para a ação, enfrentando os desafios “de caras”.

Por último, questiono-me quantas são as correntes de pensamento que podem existir por aí? Quais são as prioridades no horizonte que irão converter a interrupção, provocada por uma Pandemia, num legado de preparação, para um mundo de negócios prósperos, mutáveis e sempre em crescimento?

Talvez esta conversa não deva ficar por aqui.

 


Por João Paulo da Silva, SVP & General Manager da SAP South Europe & Francophone Africa

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