A nova versão da Liderança

Liderar pessoas, equipas e negócios tem-se revelado um enorme desafio nos dias de hoje. Tudo mudou, mudaram-se paradigmas, culturas empresariais e atrevo-me a dizer: alguns valores, missão e visão das empresas também poderão ter sido colocados em causa.

No entanto, gostava de dizer que o conceito de “mudança” não é obrigatoriamente mau. É certo que o ser humano é um ser que vive de hábitos, e que a saída da zona de conforto (repentina, neste caso) significa enfrentar o desconhecido, enfrentar medos e novas realidades. No entanto, o medo enfrenta-se entrando em ação, passo a passo, e só assim conseguimos provar às pessoas, às equipas e ao mercado, que lideramos negócios que se conseguem reinventar, que se adaptaram, que acompanharam a mudança, sempre com foco em oferecer mais e melhor.

A mudança está a obrigar os líderes a exercerem as suas funções de outra forma, a repensarem metodologias, a comunicar mais e melhor. Sim, a liderança em tempo de COVID-19 requer mais e melhor comunicação por parte dos líderes. É necessário estar mais perto, mais presente, é necessário envolver as pessoas, o mercado, os fornecedores, os clientes em todos os passos que a empresa der. E isto só se consegue simplificando e clarificando a comunicação.

Ao acompanhar profissionais que ocupam maioritariamente cargos médios e superiores em empresas nesta fase, deparo-me com preocupações transversais a praticamente todos os meus clientes que ocupam cargos de liderança. O que se prende com a incerteza relativamente ao futuro.

O ser humano gosta de lidar com o que é certo, habitual e esperado, gosta de prever, antecipar, controlar e planear. Estas são caraterísticas aceites e respeitadas num líder. E, como seria de esperar, os líderes estão a enfrentar o enorme desafio de elaborar estratégias que ajudem as suas empresas e equipas a melhor lidar com o incerto. Esse desafio ainda se torna maior quando esses mesmos líderes se deparam com os seus próprios medos e ansiedades no âmbito pessoal e profissional.

A elaboração de estratégias pessoais rumo a uma maior estabilidade e força mental também têm sido preocupações dos gestores e empresários.
A instabilidade que já se faz notar no que diz respeito ao mercado, é outra grande preocupação, que se prende também muito com o ponto anteriormente referido: o mercado encontra-se incerto. E há que começar a saber lidar com isso. Como? Dando o nosso melhor, recorrendo à voz de todos os que pertencem ao seio da empresa, no sentido de nos focarmos em soluções, escutando realmente as nossas pessoas, e envolvendo-as ao máximo no futuro. Este envolvimento vai com certeza motivar os colaboradores, e também facilitar uma maior envolvência do mercado, dos fornecedores e dos clientes.

E isto leva-nos a algo que pode ajudar bastante a ultrapassar a realidade de todos neste momento: a liderança deverá ser mais criativa, mais inovadora. Defendo a máxima “se queremos resultados diferentes, devemos fazer as coisas de forma diferente”, e a verdade é que o contexto de todos mudou, e por isso somos obrigados a mudar hábitos e comportamentos.

E um desses hábitos poderá ser deixar de parte uma possível liderança “fechada, cinzenta e quadrada” e passar a liderar recorrendo ao pensamento criativo, e tendo a inovação como condição obrigatória. Porquê? Porque muitas vezes ao abrirmos portas à criatividade, envolvendo todas as pessoas, conseguimos identificar mais e melhores soluções, outros caminhos, e conseguimos ser, ter e fazer de forma diferente, dando assim resposta às ameaças deste momento.

Como diz o provérbio africano “se queres ir rápido, vai sozinho. Se queres ir longe, vai em grupo”, e esta máxima aplica-se agora mais do que nunca às empresas e aos líderes.

A mudança não deve assustar, deve ser trabalhada passo a passo por líderes e pelas empresas, envolvendo e inspirando os colaboradores e o mercado. Mudar hábitos e comportamentos de pessoas e empresas é de facto desafiante, e requer prática e repetição, foco e persistência, o que poderá não ser fácil dada a realidade incerta.

Ressignificar conceitos, planear, entrar em ação, escutar os “nossos”, e não esquecer: confiança e coragem andam de mãos dadas. O mercado, as pessoas, os colaboradores e os líderes precisam de ter coragem e entrar em ação de forma a construir uma nova confiança. Juntos, porque só assim faz sentido.


Por Mafalda Almeida, executive coach & mentor

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