“A pandemia acelerou muito as compras online em Portugal”, disse o presidente da Associação da Economia Digital

“A pandemia acelerou muito as compras online em Portugal”, disse o presidente da Associação da Economia Digital

As pesquisas por “compras online”, “loja online” ou “digital” dispararam nos motores de busca, assim como o volume de compras online em Portugal. De um dia para o outro assistimos a uma verdadeira transformação digital, onde os portugueses não só aderiram em massa às compras online, como também aos pagamentos digitais e às entregas ao domicílio.

Se o contexto mudou, as estratégias têm de se adaptar. Como podem as empresas aproveitar as novas oportunidades? Este foi o tema do webinar “E agora, qual o futuro do e-Commerce em Portugal?”, organizado esta semana pela ACEPI – Associação da Economia Digital e pela Capgemini.

Numa fase pré-Covid, em 2019, 75% dos portugueses faziam uso regular da internet- nessa altura, a perspetiva de futuro era que esse número chegasse aos 91% em 2025. E ainda, antes da nossa vida ter mudado por causa da disseminação do coronavírus, 50% dos internautas portugueses já faziam compras online- e a estimativa era que 66% dos utilizadores da internet passassem a fazer compras online em 2025.

Apesar de ter remetido o anúncio de dados concretos para outra altura, Alexandre Nilo da Fonseca, presidente da Associação da Economia Digital (ACEPI), uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo e à implementação em Portugal das diversas formas de negócio eletrónico, deixou algumas notas que mostram que a pandemia mudou os nossos hábitos na internet.

O que é que os utilizadores da internet em Portugal mais fizeram online durante o período de confinamento? Utilizaram a internet para trabalhar à distância, para contactar a nível pessoal e para fazer compras online.

Outro aspeto que mudou é que antes do confinamento as compras que os portugueses faziam online eram em sites estrangeiros, na China, Espanha e Reino Unido. Em confinamento passaram a ser feitas em sites portugueses. Nilo da Fonseca acredita que, mesmo depois de ultrapassados os constrangimentos nas viagens e transportes, os portugueses passarão a comprar mais em sites portugueses porque a tendência está incutida e porque estima que a oferta no comercio eletrónico aumente.

Antes, os compradores adquiriam artigos de moda, viagens, alojamento, bilhetes, estacionamento, tecnologia, perfumaria, cosméticos, artigos para o lar, eletrodomésticos e também alimentação. Durante o confinamento, os produtos alimentares foram, segundo o responsável, a categoria líder em oposição à moda que liderava antes do confinamento.

Como as empresas estão a responder à pandemia

O debate sobre como é que as empresas se adaptaram ao resultado do confinamento obrigatório aconteceu numa mesa redonda moderada pelo Nilo da Fonseca e que juntou vários responsáveis de grandes empresas em Portugal.

André Vieira, eCommerce and Digital Director do Auchan, grupo francês da grande distribuição alimentar, defendeu que o perfil do consumidor se alterou profundamente face ao padrão pré-covid. “Foi preciso dimensionar a capacidade de resposta da loja online do Auchan, alocar mais recursos à área de comércio eletrónico e conseguir responder a uma maioria de clientes novos.

“Passámos por uma fase em que tudo o que achávamos que era futuro passou a ser presente”, diz Nélson Santos de Brito, Client Experience Director da Luz Saúde, grupo de saúde privado antes detido pelo Grupo Espírito Santo e que hoje tem a seguradora portuguesa Fidelidade como acionista maioritário.

O canal Luz 24 respondeu muito bem às solicitações e teve recordes de visitas. O aumento das consultas por vídeo foi outro efeito da crise do coronavírus, bem como o crescimento dos canais whatsapp Messenger face aos canis mais usados antes da pandeia, o presencial e o telefone.

E a Delta, como se adaptou à alta procura de café pela internet? “Adaptámos a loja Delta Q e abrimos as portas a outros produtos do grupo Nabeiro, como os vinhos e os chás”, contou Patrícia Santos, Retail & Sales Director da Delta Q, grupo português especializado em torrefação de café.

“Tivemos de alocar mais pessoas à equipa do comércio eletrónico, revemos o processo logístico para acautelar os receios das pessoas e conseguir dar a todos o mesmo nível de serviço.”

Na Worten, rede de lojas de eletrodomésticos e eletrónica do grupo Sonae, que nunca fechou por ter sido considerada loja com bens de primeira necessidade, criaram-se condições de segurança, a possibilidade de comprar sem sair do carro e um serviço de teleassistência para fazer face às avarias sem necessidade de deslocações.

“No período de confinamento tivemos sete vezes mais vendas do que em igual período do ano passado”, referiu Paula Figueiredo, Customer Management & Market Research Director da Worten,

Miguel Mancellos, Head of DCX Practice da Capgemini, multinacional de consultoria de origem francesa, contou, para fechar a sessão, como é que a consultoria, que é um negócio de interação entre as pessoas, está a ultrapassar esta fase. “Aumentámos as interações digitais com mais eventos de equipa e de empresa e jogos para estimular o contato entre colaboradores.

A empresa tem uma política de trabalho remoto há muito tempo. “Mas uma coisa é trabalhar em casa de um a três dias por semana, outra coisa é a full time.” O processo de venda também mudou. “Em Portugal as pessoas fazem reuniões presenciais, é aí que se ganha confiança e novos clientes, ora, isso acabou.”

A Capgemini teve de mudar o modelo relacional para conference calls- desde a prospeção comercial até à entrega dos serviços. Mas, a boa noticia é que conseguiram projetos novos que não tinham antes da crise.

Comércio digital nas pequenas empresas apoiado pela ACEPI

Para ajudar as empresas na área do comércio eletrónico, a ACEPI lançou um programa de comércio digital. É gratuito, tem sete cursos online e em português que ensinam a criar um plano de marketing digital.

O programa Comércio Digital https://www.comerciodigital.pt é uma iniciativa conjunta da ACEPI e da CCP – Confederação do Comércio e dos Serviços de Portugal, apoiada pelo governo e cofinanciada pelo COMPETE 2020, pelo Portugal 2020 e pela União Europeia/FEDER, com o objetivo de promover a digitalização de mais de 50 mil empresas da área do comércio e dos serviços portuguesas.

Os cursos ensinam desde a criar um plano de marketing digital como a criar o site do negócio. Qualquer empresa portuguesa, de qualquer dimensão, pode inscrever-se de forma gratuita, salientou Nilo Fonseca.

Também durante um ano será oferecido o selo de confiança Confio.pt, desenvolvido pela ACEPI e que é um certificado atribuído aos websites que cumpram as melhores práticas do mercado digital e funciona como uma garantia para os consumidores na aquisição de produtos e serviços através de comércio eletrónico e na utilização da Internet.

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