O trabalho flexível em Portugal continua a crescer, mas ainda enfrenta vários preconceitos. Com a digitalização e a crescente procura por talento especializado, modelos como o dos 'freeworkers' ganham espaço, permitindo às empresas aceder a competências específicas e aos profissionais maior autonomia na gestão da carreira.
Ainda assim, persistem mitos que distorcem a realidade deste modelo de trabalho. A conclusão é da Shakers, startup que liga empresas a trabalhadores independentes, que identifica os principais mitos associados aos profissionais flexíveis.
1. Freeworkers não têm horários definidos
Apesar da flexibilidade, o trabalho independente não significa ausência de estrutura. Muitos profissionais trabalham com prazos exigentes e alinham a sua agenda com as necessidades dos clientes, gerindo o tempo com elevado nível de disciplina, frequentemente comparável ou superior ao de um emprego tradicional.
2. São mal pagos e não têm direitos
Uma das perceções mais comuns é a de que os trabalhadores independentes recebem menos. No entanto, muitos profissionais qualificados conseguem rendimentos acima da média nacional.
O modelo por projeto permite ainda negociar condições, escolher clientes e diversificar fontes de rendimento, o que pode traduzir-se em maior controlo financeiro e valorização profissional.
3. É um modelo apenas para jovens
Embora os profissionais mais jovens tenham maior adesão inicial, o trabalho flexível está a ser cada vez mais adotado por perfis seniores.
Muitos profissionais com carreiras consolidadas recorrem a este modelo para aplicar a sua experiência em projetos mais estratégicos e com maior valor acrescentado.
4. Só existe em áreas tecnológicas
Inicialmente associado a áreas como tecnologia e design, o trabalho flexível expandiu-se para múltiplos setores.
Hoje, é possível encontrar freeworkers em áreas como marketing, recursos humanos, finanças, operações e consultoria, refletindo uma transformação estrutural no mercado de trabalho.
5. É um modelo instável e arriscado
A ideia de instabilidade continua a ser um dos principais entraves. No entanto, a diversificação de clientes e projetos permite mitigar riscos.
Em alguns casos, este modelo pode até oferecer maior segurança do que um emprego tradicional, reduzindo a dependência de uma única entidade empregadora e permitindo maior adaptação ao mercado.
Trabalho flexível cresce, mas enfrenta resistência
O crescimento do trabalho flexível reflete uma mudança profunda no mercado laboral, impulsionada pela digitalização e pela procura por maior autonomia profissional.
Ainda assim, a persistência destes mitos continua a influenciar a forma como empresas e profissionais encaram este modelo, que ganha cada vez mais relevância em Portugal.


