A propósito de propósito

Tem-se falado durante estes meses do lado heroico dos profissionais da saúde. Nada mais justo. Mas muitos outros têm feito parte deste movimento heroico que consiste em fazer um trabalho bem feito. Talvez seja mais dever do que heroísmo. Mas seja como for e pelo que for, fazer um trabalho bem feito é algo que merece ser enaltecido. E muitos têm sido os heróis normais, como já o eram antes.

Hoje gostava de celebrar os bons professores, particularmente os do ensino obrigatório. Recorro a um nome e uma frase mas o enaltecimento é coletivo. Isa Gomes, professora, disse ao Expresso que não dá aulas, explicando que o seu trabalho é “ajudar os miúdos a quererem saber mais.” Este deve ser o trabalho de um professor: criar o gosto pela aprendizagem. É uma questão de trabalhar para um propósito e não para um emprego.

Ainda me lembro bem dos piores professores que tive: davam aulas. E lembro-me dos melhores: queriam que aprendêssemos e que pensássemos. A estes continuo grato até hoje. Como professor, eu mesmo espero estar à altura da sua lição. Por isso daqui agradeço a todos os professores que fizeram mais do que dar aulas: aos que o fazem hoje; aos que o vão fazer amanhã mas, se me permitem, aos que o fizeram ontem e em particular aos meus professores. Estejam onde estiverem, muito obrigado a todos.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

 

 

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