A responsabilidade social das empresas em tempos de crise

As organizações enfrentam atualmente um desafio sem precedentes. Nunca os departamentos de Recursos Humanos se viram a braços com a gestão de uma crise tão alargada, de contornos tão imprevisíveis e com impacto direto na saúde, na segurança e na liberdade de circulação.

De repente, tudo para. Tudo passa para segundo ou terceiro plano. Nos dias que correm, já ninguém se atreverá a afirmar que frases como “nas empresas o ativo mais importante são as pessoas” constituem apenas uma espécie de chavão que fica bem nos artigos de recursos humanos. A crise de saúde pública que vivemos atualmente a nível mundial veio precisamente mostrar que as pessoas constituem, sem qualquer sombra de dúvida, o pilar das organizações. Se dúvidas houvesse, todas se terão dissipado!

Mais do que nunca, a preocupação principal de todos deve centrar-se nas pessoas e naquilo que é o seu bem mais precioso: a saúde. E não falamos apenas da nossa saúde individual, mas também do impacto das nossas ações na saúde dos outros. Esta crise veio mostrar-nos como todos estamos ligados, e como as nossas ações individuais impactam nos outros.

É altura de todas as empresas perceberem que lhes está inerente uma responsabilidade social empresarial e que a mesma deve estar alicerçada na proteção do bem-estar coletivo.

Ao dia de hoje, esse bem-estar coletivo centra-se principalmente na adoção de medidas que protejam a saúde dos colaboradores, e consequentemente dos seus familiares e comunidade envolvente. A responsabilidade social subentende a adoção de um papel ativo neste movimento comum. Se todos fizermos a nossa parte, se todas as empresas assumirem esta responsabilidade no âmbito daquilo que é a sua responsabilidade social, será muito mais fácil ultrapassarmos com sucesso esta fase negra que irá ficar gravada nos murais da história contemporânea. Muitos já o fizeram, mas outros ainda vão a tempo de o fazer. É necessário tomar medidas para proteger os colaboradores, os seus familiares e toda a comunidade.

Por isso: criem Planos de Contingência. Disseminem esses planos junto dos colaboradores e exijam que os mesmos sejam cumpridos escrupulosamente por todos, sem exceção.

Todas as organizações são diferentes, naturalmente. E os Planos de Contingência devem refletir essas diferenças. O importante é que o façam. Façam-no tendo em consideração as caraterísticas da empresa e dos seus colaboradores. Sabemos, por exemplo, que há funções em que não é de todo possível trabalhar remotamente. Sabemos que há empresas que têm de manter a sua atividade, dada a sua relevância para a vivência coletiva. Sabemos que cada caso é um caso. Mas também sabemos que há pessoas que apresentam maior risco, como por exemplo as grávidas e os portadores de doenças crónicas. E esses têm que ter prioridade.

Independentemente do setor de atividade ou da dimensão, todas as empresas têm intrínseca uma responsabilidade social.

Evoquemos esse sentido de responsabilidade social para com a comunidade, apelando a todos que assumam um compromisso sério com a segurança dos seus colaboradores. É espectável que esse compromisso seja um princípio basilar de qualquer organização, mas hoje é uma condição vital.

Encontremos a nossa fórmula para manter em segurança os colaboradores, as suas famílias e a comunidade envolvente. Façamos a nossa parte para ajudar a sociedade a ultrapassar este problema comum.

É tempo de incertezas, de dúvidas, de medos e inquietações. Mantenhamos um canal aberto para esclarecer, mantenhamos uma relação de transparência, sempre em sintonia com as indicações das autoridades de saúde, para que possamos tomar decisões equilibradas e com o bom senso. Na dúvida, sejamos cautelosos.

Vamos todos zelar pelo bem-estar da comunidade. Vamos todos olhar com atenção para aquilo que podemos fazer enquanto empresas socialmente responsáveis.


Por Rita Cadillon, diretora de Recursos Humanos da PRIMAVERA BSS

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