A taxa de mortalidade dos “impossíveis”

Era “impossível” dar aulas online. Era “impossível” levar a cabo atos médicos online. Era “impossível” fazer reuniões e apresentações corporativas numerosas online. Era “impossível” tomar decisões com tanta incerteza. Era “impossível” ter o País (e o mundo) em shut-down.

A página deste artigo seria insuficiente para a lista de “impossíveis” que o atual estado de pandemia se encarregou de derrubar rápida e consensualmente. E esta é uma das primeiras grandes lições do início desta nova era. No conforto dos arquétipos que herdamos fomo-nos habituando a considerar “normal” ou “socialmente aceitável” encontrar resistência à mudana e obstáculos à transformação em todas as áreas da sociedade. Em menos de um mês (!!!), com uma curva de aprendizagem vertiginosa, mudámos hábitos de gerações, transformámos radicalmente cadeias de valor completas, reconvertemos fábricas, transformámos serviços, alterámos os nossos referenciais de gestão e liderança, mudámos os nossos padrões de consumo…

Sim, a tecnologia teve um papel crucial nesta reação ao choque! Incorporámos todos tecnologias a uma escala “impossível”. Tornámo-nos “bloggers” e “youtubers”, gestores de reuniões online, criámos novos serviços digitais, dominámos as ferramentas de colaboração, gerimos a largura de banda em nossas casas… E as empresas e serviços públicos em todas as áreas rapidamente se adaptaram, transportando para o mundo digital o essencial dos seus serviços. E claro, era “impossível” que os providers de tecnologia tivessem recursos e infraestruturas dimensionados para uma explosão de utilização como a que está a acontecer…

Aí está a evidência: apesar de um crescimento mundial em alguns casos superior a 900% (sim, leu bem, 900%) as comunicações funcionam, a internet funciona e os grandes serviços online funcionam. Há poucas ou nenhumas certezas neste momento. Mas parece haver uma fortíssima projeção para o futuro: é que a economia digital nunca teve um papel tão crítico e a sua adoção vai acelerar a uma velocidade que nem os mais “irritantemente otimistas” pensariam.

Quanto a nós e aos comportamentos, já sabe: a próxima vez que pensar em dizer que algo é “impossível”, pense duas vezes. Ou, melhor ainda, pense três…


Por Pedro Faustino, managing director na Axians Portugal

(Nota do autor: Não consigo deixar de lembrar, como tenho feito noutros fóruns recentemente, que para que isto aconteça há um grande número de heróis anónimos que também travam uma luta diária para suportar estes sistemas e infraestruturas, expondo-se ao vírus, arriscando a sua saúde e a das suas famílias. São os técnicos de sistemas de informação que continuam a ir trabalhar onde for preciso para que o mundo digital não pare, e com ele não parem os serviços críticos, a economia e o País. Fica aqui a justíssima homenagem a estas mulheres e a estes homens!)

Artigos Relacionados: