Devido a catástrofes, nos últimos 30 anos, perderam-se cerca de 3,6 mil milhões de euros em colheitas e gado. O equivalente a 118 mil milhões de euros por ano. Os agricultores, dos mais prejudicados com os impactes negativos das alterações climáticas, desesperam com a situação e as populações sofrem com a escassez de alimentos. Agora, […]
Devido a catástrofes, nos últimos 30 anos, perderam-se cerca de 3,6 mil milhões de euros em colheitas e gado. O equivalente a 118 mil milhões de euros por ano. Os agricultores, dos mais prejudicados com os impactes negativos das alterações climáticas, desesperam com a situação e as populações sofrem com a escassez de alimentos. Agora, os que trabalham a terra podem ser heróis.
A causa para isso é o The Baku Harmoniya Climate Initiative for Farmers, uma nova rede de partilha de experiências e de facilitação de financiamento e colaboração na agricultura, nomeadamente através da capacitação das comunidades e das mulheres nas zonas rurais.
Esta foi considerada uma das ‘iniciativas mais interessantes’ da COP29, a reunião global do Clima que teve lugar em Baku, Azerbeijão, e onde os países mais pobres lamentaram as verbas anunciadas para o combate às alterações climáticas. Apesar da indignação de alguns, houve progressos.
The Baku Harmoniya Climate Initiative for Farmers: oportunidade única
Dados do World Economic Forum mostram que no período de 2008 a 2018 as perdas agrícolas causadas por acidentes naturais, nos países de baixa e média renda, atingiram cerca de 6,9 biliões de quilocalorias por ano. É o mesmo que faltar comida a 7 milhões de adultos. Além disso, o crescimento demográfico contrasta com a diminuição de produtos alimentares disponíveis para as populações.
Na Ásia, por exemplo, a produção de arroz cairá 50% até ao final do século, enquanto a sua população se manterá praticamente inalterada. Outros números, retirados do World Economic Forum, mostram que as populações de alguns dos países mais pobres e com maior insegurança alimentar sejam as que mais crescerão até 2050. Na América Latina e nas Caraíbas, por exemplo, a perda foi de 975 calorias por dia, ou seja, 40% da dose diária recomendada para um adulto.
No que diz respeito à agropecuária, o The Baku Harmoniya Climate Initiative for Farmers foi criado com o objetivo de ser uma rede de partilha de experiências, identificando sinergias e lacunas. A sua função também é facilitar o financiamento e promover a colaboração na agricultura, nomeadamente através da capacitação das comunidades e das mulheres nas zonas rurais.
Kaveh Zahedi, Diretor do Gabinete da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) para as Alterações Climáticas, Biodiversidade e Ambiente, descreveu a iniciativa como «uma das mais interessantes a ser lançada na COP29», sendo capaz de representar «uma oportunidade sem paralelo para impulsionar coletivamente soluções climáticas através dos sistemas agroalimentares».
Um dos pontos altos da iniciativa passa por formar agricultores em técnicas sustentáveis, tornando-os em catalisadores de mudança comunitária. Além disso, os olhos estão virados para grupos historicamente excluídos das soluções climáticas. As mulheres, os jovens e os agricultores indígenas, que constituem uma parte significativa da mão de obra agrícola e têm conhecimentos locais inestimáveis, vão ter acesso a programas agrícolas de acordo as suas necessidades. Segundo Zahedi, com a devida ajuda, «agricultores podem ser heróis climáticos».
Para a sustentabilidade ser alcançada, terão de ser catalisados investimentos de sectores públicos e privados, atraindo os recursos necessários para reforçar os sistemas agroalimentares. Essa ligação entre financiadores, organizações não governamentais, governos locais e organizações internacionais será determinante para encontrar soluções transversais e do interesse de todos.
Fotografia: cop29.az


