«Alguns paradigmas fundamentais do trabalho mudaram», diz José Oliveira

A nova realidade serviu para provar que o trabalho remoto é tão válido e produtivo quanto o presencial. E que o “novo normal” será mais digital.

José Oliveira, CEO da BI4All, empresa que cofundou na área de Business Intelligence há 16 anos, diz ter a felicidade de estar no setor tecnológico, «o que facilita em muito toda a operacionalização do dia a dia, pois todos os nossos processos já estão digitalizados. Se alterou alguma coisa, foi tornar-nos ainda mais unidos e fortes, como equipa e como profissionais».

Habituado a trabalhar com clientes nacionais e do outro lado do oceano, o CEO da BI4All assume que o “day after” deve basear-se numa maior flexibilidade na forma de trabalhar.

José Oliveira lidera uma equipa de 250 pessoas. Atendendo à génese familiar da cultura da empresa de desenvolvimento de soluções de Business Intelligence e Analytics foi determinante continuar a dinamizar iniciativas para promover o convívio, a partilha e o bem-estar das pessoas. «Uma das vantagens que a quarentena nos trouxe foi o facto de nos motivar a criar soluções alternativas para conseguirmos manter e adaptar algumas sessões de partilha de conhecimento e convívio entre colegas de forma remota. Conseguimos ainda acrescentar valor, através da criação de novas iniciativas, como a meditação e o desporto, que as nossas pessoas têm adorado e encarado como uma mais valia, vindo da parte das mesmas a ideia de manter quando voltarmos à normalidade», partilha.

Em entrevista, José Oliveira, explica como conseguiram chegar até aqui, «fortes, unidos e preparados para qualquer desafio».

Quais é que são os vossos argumentos de sucesso para a reinvenção organizacional da BI4ALL?
O teletrabalho demonstrou que todos os processos são possíveis à distância. A BI4ALL, sendo uma consultora que trabalha com clientes nacionais e internacionais, já tinha como metodologia de trabalho a realização frequente de conference calls, e a transição para esta metodologia de trabalho na totalidade foi um processo fácil, que ocorreu sem dificuldades, visto que temos todas as ferramentas necessárias para assegurar a nossa competência e profissionalismo, como sempre fazemos. A flexibilidade para teletrabalho, vai ser certamente agilizada, porque esta nova realidade comprovou que conseguimos ser totalmente operacionais e produtivos, seja no escritório, como remotos, contribuindo para uma satisfação global do nosso capital humano e da continuação do trabalho de excelência que entregamos diariamente aos nossos clientes e parceiros. É ainda muito cedo para prevermos o que será o “novo normal”, mas sabemos que será, sem dúvida, mais digital.

Como é que as empresas devem pensar o “day after”?
Devido às exigências do contexto atual, alguns paradigmas fundamentais do trabalho mudaram. De facto, esta nova realidade que vivemos, serviu para provar que o trabalho remoto demonstrou ser tão válido e produtivo quanto o trabalho presencial. Portanto, o “day after”, deve basear-se numa maior flexibilidade da forma de trabalhar, sendo que a massificação das ferramentas de teleconferência promove a aproximação entre pessoas, confere a eficiência das reuniões e a continuação da entrega de trabalho e resultados, para além de que contribui para a eliminação de algumas ideias pré-concebidas sobre não ser uma solução tão eficaz.

Fala-se muito na reinterpretação do papel dos líderes. Sente que o seu papel exige novas competências?
A situação que hoje vivemos, é uma realidade nova e à qual todos temos de nos adaptar da melhor forma possível. Enquanto líder, penso que uma adaptação rápida e constante é fulcral, e que esta é exatamente a exigência que o nosso papel impõe. Também é igualmente importante estarmos presentes e ativos na relação com os nossos colaboradores, clientes e parceiros, garantindo uma comunicação transparente com todos, ouvindo necessidades, preocupações, e responder de forma atenta e apropriada a cada caso e/ou pessoa.

Ainda há demasiadas incertezas, mas é certo que as organizações têm de ser ágeis, com boas doses improvisação. Qual é o vosso plano de ação e prioridades para a Era Pós-COVID-19?
Na nossa área de negócio e com as ferramentas que temos à disposição, é possível operar de forma remota, sem comprometer a nossa qualidade e atividade junto dos nossos clientes e parceiros.
A BI4ALL neste momento está a acompanhar regularmente as recomendações da DGS e do Governo, por forma a garantir que damos os passos corretos e necessários para voltar à normalidade. Neste momento, o plano passa por primeiro garantir que no escritório, são implementadas as medidas necessárias para garantir a segurança de todos. Vamos atender às recomendações dadas pela DGS, em termos de gestão do espaço, distância de segurança, equipamentos suplementares e etc. Para além disso, compreender, dentro da realidade de cada uma das nossas pessoas qual a melhor solução.
A par do acompanhamento diário das equipas, temos recorrido a questionários online para termos uma visão global de como as pessoas estão a viver este período e das suas necessidades. Nesse âmbito, procuramos dar resposta às expectativas dos nossos colaboradores e compreendemos que dentro dos receios e desejos de cada um, existem pessoas que gostavam de voltar a trabalhar no escritório, outras que preferem manter o trabalho remoto e um terceiro grupo que valoriza a flexibilidade e possibilidade de manter um modelo misto. Para além disso, estamos a acompanhar junto dos nossos clientes, os seus planos de regresso, bem como as medidas de segurança implementadas, por forma a otimizar o processo de transição e garantir que todos ficam confortáveis e em segurança com a decisão tomada.

O que é que o coronavírus acelerou e o que alterou por completo na vossa empresa?
Na fase que vivemos, é ainda difícil retirar grandes conclusões sobre o impacto que a COVID-19 teve. No entanto, os desafios do mercado e as necessidades dos nossos clientes motivaram-nos a estar mais atentos e a sermos ainda mais rápidos na nossa capacidade de resposta e adaptação. Temos a felicidade de estarmos no setor tecnológico, o que nos facilita em muito toda a operacionalização do dia a dia, pois todos os nossos processos já estão digitalizados. Se alterou alguma coisa, foi tornar-nos ainda mais unidos e fortes, como equipa e como profissionais.

Em termos de negócio, pode revelar alguns impactos?
Podemos afirmar que o maior impacto é o clima de incerteza instalado nas organizações, de forma geral, e os desafios que essa realidade traz. No entanto, sentimos uma procura de soluções, nomeadamente em ter acesso a dados atualizados, fiáveis, em tempo real e que vão ao encontro dos KPI da organização. Mantemo-nos criativos, rápidos e atentos, assegurando a entrega das melhores respostas às novas necessidades e objetivos de clientes e potenciais clientes.

Que medidas foram desenhadas a esse nível?
Adotamos medidas de monitorização da situação e da sua evolução, de forma diária e próxima. O nosso principal objetivo foi conseguirmos agir e ajustar o planeamento que temos para este ano e adaptarmo-nos a toda esta situação e preparar novos cenários. Criámos um conjunto de medidas para minimizar esse impacto, como por exemplo a criação de um comité executivo de análise, prevenção e mitigação, que garante diariamente a continuidade do trabalho das nossas equipas. Continuamos totalmente disponíveis e contactáveis por telemóvel, email ou por videoconferência, e queremos que os contactos e serviços se mantenham como sempre foram. Desenvolvemos igualmente manuais de contingência, várias comunicações personalizadas a nível interno e externo, webinars, bem como diferentes tipologias de conteúdos, no sentido de demonstrarmos que a BI4ALL continua aqui, presente e sempre disponível para ajudar os seus clientes e parceiros a atingir e superar os seus resultados, como sempre fizemos e continuaremos a fazer.

Que erros se aperceberam de ter cometido e o que aprenderam com eles?
Como tantas outras empresas, tivemos a garantia de que o teletrabalho é uma metodologia de trabalho eficaz, igualmente produtiva, e que pode ser abraçada com mais confiança e segurança.

Em termos de responsabilidade social, que boas práticas da empresa ressalvaria?
Atendendo à génese familiar da cultura da BI4ALL, continuamos a dinamizar iniciativas que promovam o convívio, a partilha e o bem-estar das pessoas. Uma das vantagens que a quarentena nos trouxe foi o facto de nos motivar a criar soluções alternativas para conseguirmos manter e adaptar algumas sessões de partilha de conhecimento e convívio entre colegas de forma remota. Conseguimos ainda acrescentar valor, através da criação de novas iniciativas, como a meditação e o desporto, que as nossas pessoas têm adorado e encarado como uma mais valia, vindo da parte das mesmas a ideia de manter quando voltarmos à normalidade.

Que lições gostaria de partilhar?
Penso que a lição mais importante é a de termos a capacidade de tomar a decisão certa no momento certo. Termos dados fiáveis e em tempo real ajuda-nos a tomar decisões, no momento certo, ainda mais nos tempos que vivemos. Nem sempre é fácil pois as decisões nestas circunstâncias têm um efeito ampliado, e por vezes, irreversível, e é por isso tão importante não agir por impulso e seguir sempre os procedimentos mais adequados, tendo em consideração todas as envolventes.

E que conselhos deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Resiliência, foco e perseverança. Para além disso, não nos esquecermos de manter a comunicação de forma constante. Numa realidade onde atualmente grande parte das equipas está em teletrabalho, é necessário manter a comunicação entre todos e criar momentos de partilha e celebração em conjunto. Deixar de partilhar o mesmo espaço que as nossas pessoas, e de podermos estar todos juntos, é uma ameaça à cultura de qualquer empresa, e é por isso essencial que se mantenha uma comunicação ativa entre todos. Continuamos aqui, fortes, unidos e preparados para qualquer desafio.

Artigos Relacionados: