Angela Merkel está de volta – clima e agenda digital estão em cima da mesa

Enquanto a Alemanha assume a presidência da União Europeia, Merkel tem a oportunidade de lidar com temas como as mudanças climáticas e a economia digital. Depois de 15 anos no cargo, a chanceler alemã Angela Merkel “parece pronta para enfrentar alguns assuntos inacabados antes de renunciar no próximo ano”, comentava a revista de política internacional Foreign Policy (FP) a propósito desta nova presidência rotativa da União Europeia. A presidência alemã do Conselho da União Europeia, que começou dia 1 de julho e durará seis meses, “dá a Merkel a hipótese de melhorar o desempenho do seu país no combate às mudanças climáticas, na digitalização e promoção da unidade europeia em geral.

“O país recuperou relativamente bem da crise financeira de 2008 e foi reconhecido pela sua aposta nas energias renováveis. A admiração pela Alemanha cresceu, talvez atingindo um breve pico em 2015 graças à forma como lidou com a crise dos refugiados. Mas desde as últimas eleições federais em 2017, tornou-se evidente que as políticas de marca registada Merkel estavam a perder o brilho.”

Mas nos últimos meses, a Alemanha parece ter retomado a liderança pela forma como tem gerido a pandemia. O país foi elogiado pela sua capacidade de testar os infetados e pela sua nova aplicação de rastreamento de contágios – ações que mantiveram controlado o sistema de saúde e a taxa de mortalidade.

A chanceler do clima
No início de seu mandato, Merkel foi apelidada de “chanceler do clima”. Tem sido uma forte defensora da prevenção das mudanças climáticas e há muito tempo pressiona outros países a reduzir as emissões de carbono. Por exemplo, como anfitriã do G8 em 2007, Merkel conseguiu convencer outros líderes a concordarem cortar substancialmente nas emissões. O zelo de Merkel em reduzir o uso de energia nuclear, por exemplo, pode ter tido um efeito positivo, mas fez com que esta, que é a maior economia da Europa, passasse a depender fortemente do carvão.

Em 2018, o país admitiu que não alcançaria a meta para 2020 de reduzir as emissões de carbono em 40% em comparação com os níveis de 1990. Para voltar aos trilhos, o parlamento alemão aprovou um pacote de medidas de mil milhões de dólares para reduzir as emissões em 55% até 2030. De acordo com uma pesquisa da YouGov, 62% dos alemães gostariam que o seu governo apoiasse tecnologias e empresas amigas do ambiente e do clima como parte do seu programa de recuperação económica pós-pandemia.

Agenda digital alemã
Outra oportunidade para Merkel e a Alemanha de se reerguerem como líderes, segundo a revista americana FP, é através da soberania digital europeia. Em 2014, o governo alemão lançou a Agenda Digital, um projeto a três anos para acompanhar a política económica e de inovação. A agenda delineou metas para o aumento da oferta de banda larga, oportunidades educacionais no setor das TI e das redes seguras.

No entanto, a Alemanha está bem atrás dos seus pares europeus quando se trata de serviços públicos digitais. De acordo com dados de 2019, a Alemanha ocupava o 21.º lugar no que era então a UE com 28 membros.

Mas o governo alemão já está a pensar como lançar o 5G sem comprometer a sua segurança. Um programa com muito potencial é o Gaia-X, uma iniciativa franco-alemã na área da computação na cloud para criar uma plataforma que não dependa da tecnologia americana ou chinesa. “A Alemanha pode ter recebido notas baixas no que toca à transformação digital, mas pode virar a mesa ao contrário durante a sua presidência da EU”, antecipam os autores do texto “Angela Merkel Is Back.” Para saber mais, é preciso aguardar pelos próximos episódios da política comunitária que não tardam a chegar.

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