António Caetano: Psicossociologia das organizações em busca de novos equilíbrios


Acabado de publicar Psicossociologia das Organizações (Edições Sílabo), organizado por António Caetano, José Gonçalo das Neves e José Carvalho Ferreira, é um livro importante. Junta um impressionante grupo de especialistas para discutir uma das dimensões críticas da vida organizacional: o comportamento humano e a sua gestão, em contexto organizacional.

Um enorme desafio para as organizações – empresariais, estatais, sociais – consiste em requalificar as suas pessoas para o mundo digital pós-pandémico que enfrentaremos em breve. A nossa capacidade de criar esse mundo depende de um conhecimento profundo da natureza do comportamento humano.

Este livro constitui um excelente ponto de partida para refletir sobre a jornada de desenvolvimento humano. Aproveitámos o lançamento do livro para colocar algumas perguntas a um dos organizadores, ao Professor António Caetano.


Como Professor, Autor e Investigador na área de Psicossociologia das Organizações, qual diria ser a importância desta área para a Gestão?
Como se refere no livro, as organizações são espaços sociais cuja dinâmica remete para um conjunto de processos socio-organizativos que geralmente são mais complexos e complicados do que todos os seus atores gostariam que fossem.
Nesse sentido, os fenómenos psicossociais constituem a fonte energética e o motor da gestão de qualquer organização. Por isso, o conhecimento baseado na evidência empírica produzida na área da Psicossociologia das organizações afigura-se uma ferramenta essencial para os gestores e atores organizacionais. É com esse objetivo que este livro se focaliza nos fundamentos e aplicações desse conhecimento à gestão das organizações.

Alguma competência em particular que os gestores portugueses devam considerar para criar organizações mais internacionais?
Dada a natureza do tecido empresarial português, na minha perspetiva, a internacionalização apenas será sustentável se se basear na criação e funcionamento eficaz de múltiplas redes entre pequenas, médias e grandes empresas.
Isso requer naturalmente diversas competências técnicas, estratégicas e políticas, mas, num sentido amplo, e para assinalar apenas uma, sem confiança não há redes, e sem redes o fio do horizonte não vai além da paróquia.

Como pode o livro agora lançado ajudar a desenvolver as competências dos Gestores?
Como dizia um dos fundadores da abordagem psicossocial, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”. O livro, que tem a colaboração de mais de vinte colegas, apresenta de forma rigorosa e acessível as principais teorias atuais e modelos aplicáveis aos problemas e processos organizacionais com que os gestores têm de lidar no dia-a-dia.
Desse modo, permite ao Gestor atualizar e alargar o seu quadro de referência nesta área e desenvolver competências específicas que lhe interessem para lidar melhor com a dinâmica ao nível individual, ao nível grupal, ou ao nível organizacional.

Qual o previsível impacto da pandemia na Gestão de Pessoas?
Face às turbulências macrossociais e económicas que se perspetivam, o maior desafio que se coloca na Gestão de Pessoas é o de construir ou reconstruir equilíbrios entre o desempenho, a sustentabilidade e o bem-estar no trabalho.
Consoante o setor de atividade e a área específica de negócios, isso vai requerer, em diferentes graus, a aceleração de mudanças e inovações nas formas e processos como, em conjugação com o desenvolvimento tecnológico, a Gestão das Pessoas proporciona a adequada criação de valor e a realização pessoal e profissional.
São já bem visíveis, entre outras, necessidades de inovação, nalguns casos radical, na organização dos sistemas de trabalho, na gestão da produtividade do trabalho, na aquisição e desenvolvimento de competências, nos processos de liderança, decisão e responsabilização, nas dinâmicas de sociabilidade e diversidade, nas relações com os clientes, etc. Todos estes aspetos requerem mudanças comportamentais. Cabe aos gestores terem conhecimentos, capacidades e competências para as perspetivar e implementar.

Por Miguel Pina e Cunha

[Nota: A capa do livro é um original do pintor Pedro Calapez como forma de articular conhecimento científico e Arte]

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