É o setor prioritário para dois terços das empresas, sendo que em mais de metade o Clima e a Sustentabilidade (C&S) estão associados a uma aposta na inovação. Contudo, apenas uma em cada cinco organizações está preparada para agir. E são precisamente as indústrias responsáveis pelas maiores emissões – bens duradouros (85%), automóveis (78%), utilities […]
É o setor prioritário para dois terços das empresas, sendo que em mais de metade o Clima e a Sustentabilidade (C&S) estão associados a uma aposta na inovação. Contudo, apenas uma em cada cinco organizações está preparada para agir.
E são precisamente as indústrias responsáveis pelas maiores emissões – bens duradouros (85%), automóveis (78%), utilities (77%), e petróleo e gás (77%) – as mais prováveis de visar o tipo de soluções tecnológicas necessárias para descarbonizar substancialmente.
Estas são parte das conclusões do relatório “Are you ready for green growth?”, elaborado pela Boston Consulting Group (BCG) e que avalia empresas comprometidas com a inovação em C&S, de acordo com a estrutura de benchmarking em innovation-to-impact da BCG, para avaliar a prontidão das suas práticas e plataformas de inovação.
Cerca de 28% destas organizações têm uma pontuação de 80 ou superior, em 100, e estão, por isso “prontas” e equipadas com competências de inovação bem desenvolvidas. Isto indica que cerca de três quartos das empresas precisam de aumentar a sua aposta em inovação e 80% de todas as empresas enfrenta uma curva de aprendizagem acentuada.
Enquanto muitas empresas falam de sustentabilidade e fazem promessas de descarbonização, muito poucas fizeram verdadeiramente o trabalho de integrar as prioridades do C&S nos seus mecanismos de inovação e produzir resultados tangíveis. Ao mesmo tempo, investidores, reguladores, clientes e acionistas estão todos à procura de grandes empresas e dos seus CEOs para assumirem a liderança na realização de progressos reais contra o aquecimento global.
Justin Manly, líder global do segmento de crescimento e inovação da BCG e coautor do relatório
As 50 empresas mais inovadoras lideram no Clima e Sustentabilidade
Muitas das 50 empresas mais inovadoras de 2022 já são líderes de inovação em C&S, com uma significativa parte delas a ser pioneira na definição de princípios ambientais, sociais e de governance e no estabelecimento de compromissos de descarbonização.
Quase 80% (39) qualificam-se como os mais inovadores em C&S, de acordo com a votação global dos pares. Pelo segundo ano consecutivo, a Apple detém a primeira posição no ranking. A Microsoft, que sobe duas posições para o segundo lugar e a Amazon, que desce um lugar para terceiro, completam o pódio.
Em linha com o que se observou nos últimos cinco anos, mais de metade das empresas mais inovadoras está sediada na América do Norte. Contudo, a Ásia-Pacífico e a Grande China continuam a crescer enquanto centros de inovação, aumentando a sua representação no top 50, de quatro e três empresas em 2018 para oito e sete empresas em 2022, respetivamente.
A indústria automóvel é o segundo em número de empresas neste ranking que dão prioridade ao clima e sustentabilidade (C&S), um reflexo do compromisso da indústria com os veículos elétricos e autónomos.
Os mais altos emissores de carbono
O relatório revela que as indústrias responsáveis pelas maiores emissões – bens duradouros (85%), automóveis (78%), utilities (77%), e petróleo e gás (77%) – são as que mais priorizam o C&S. Além disso, as empresas com maiores emissões têm mais 20% de probabilidade do que os baixos emissores de visar o tipo de soluções tecnológicas necessárias para descarbonizar substancialmente.
As empresas preparadas para a C&S enfatizam uma série de aspetos dos seus sistemas de inovação de forma mais agressiva do que outros inovadores. Começam com maiores ambições, identificam os domínios a focar, gerem o “funil de ideias”, e têm objectivos de desempenho claros. Também se envolvem mais ativamente com parceiros e mesmo concorrentes.
Estas empresas viram um impacto positivo na produtividade das suas atividades de inovação e I&D, com 80% das empresas inquiridas a trabalhar remotamente dois ou mais dias por semana e 49% a relatar que a produtividade destas atividades melhorou entre 10%-50% devido a estas novas formas de trabalho.


