As 5 principais conclusões do relatório World Economic Outlook (FMI)

Persiste a incerteza nas perspetivas globais do desenvolvimento e evolução das economias depois de um ano de Pandemia. Apesar do surgimento das vacinas, as novas mutações do vírus e a crescente perda de vidas humanas compõem um cenário ainda alarmante e problemático.

A recuperação económica é divergente entre países e setores, reflexo das variadas medidas de contenção do vírus e extensão das políticas de apoio.

As diferentes velocidades de recuperação das Economias verificam-se em todas as regiões e níveis de rendimento. Nas economias avançadas, espera-se que os Estados Unidos da América ultrapassem o nível do PIB pré-COVID já em 2021, enquanto noutros países o mesmo só irá acontecer em 2022. Entre os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, a China já havia regressado ao PIB pré-COVID em 2020.

Os divergentes caminhos de recuperação irão provavelmente criar lacunas significativas nos padrões de vida entre os países em desenvolvimento e outros, em comparação com o cenário pré-Pandemia. É certo que a contração da atividade económica em 2020 foi algo sem precedentes, mas poderia ter sido muito pior. As estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugerem que a contração poderia ter sido até três vezes maior se não tivesse existido um suporte extraordinário de políticas e medidas.

Para melhor compreender a perspetiva e futuro do desenvolvimento económico global, conheça as cinco principais conclusões do novo relatório World Economic Outlook (WEO), publicado pelo FMI:

  1. Uma melhor perspetiva

Após uma contração estimada de -3,3% em 2020, espera-se que a economia global cresça 6% em 2021, e 4,4% em 2022. A contração para 2020 é menos 1,1% do que o inicialmente projetado no WEO de outubro 2020, refletindo na maioria das regiões um crescimento acima do esperado no segundo semestre do ano, após o levantamento das medidas de confinamento e adaptação às novas formas de trabalho. As projeções para 2021 e 2022 são 0,8% e 0,2% acima do que o anterior WEO tinha previsto, reflexo de apoios fiscais adicionais em algumas economias e a disponibilização da vacina na segunda metade do ano 2020.

Segundo o relatório, relativamente a Portugal, e aos número do PIB -7,6% em 2020, as projeções apontam para uma variação de  -3.9% em 2021 e -4.8% em 2022, sendo que a média dos países europeus mais avançados foi de -6.8% em relação a 2020, – 4.5% em 2021 e 4.0% em 2022.

Graças a uma resposta política sem precedentes, é provável que a recessão provocada pelo COVID-19 deixe cicatrizes menores do que a crise financeira global de 2008. No entanto, as economias dos mercados emergentes e os países em desenvolvimento foram atingidos com mais força e irão sofrer a médio prazo perdas mais significativas.

  1. Impactos divergentes

As perdas têm sido particularmente grandes para os países que se apoiam no turismo e nas exportações de commodities, e também para aqueles com uma limitada resposta política. Muitos desses países entraram em crise numa situação fiscal precária e com menor capacidade de fornecer respostas nas políticas de saúde ou apoio nos meios subsistência.

Jovens, mulheres e trabalhadores com um nível de escolaridade mais baixo e os empregados em situação precária e informal, foram os mais atingidos. A Pandemia vai aumentar as desigualdades de rendimento entre as pessoas. Estima-se que um excedente de cerca de 95 milhões de pessoas passem abaixo do limiar da pobreza extrema em 2020, em comparação com as projeções pré-Pandémicas.

  1. A incerteza no panorama global

O futuro depende de vários fatores: do caminho da crise de saúde, incluindo se as novas mutações da COVID-19 serão vulneráveis às vacinas ou não; da eficácia das ações políticas na limitação dos danos económicos persistentes; da evolução das condições financeiras e os preços das commodities; e da capacidade de ajuste da Economia.

O fluxo e refluxo desses fatores e a sua interação com características específicas do país irão determinar o ritmo de recuperação e extensão dos danos causados. Considerando a grande incerteza no panorama global, os decisores políticos devem priorizar as políticas mais prudentes, independentemente do cenário que irá prevalecer, tais como: fortalecer o apoio social com maior suporte ao desemprego em trabalhadores independentes e em regime informal; dar a garantia de recursos adequados nos cuidados de saúde, em programas de desenvolvimento da primeira infância, educação e formação profissional; e investir em infraestruturas para acelerar a descarbonização.

  1. Prioridades políticas

Uma vez que a vacinação se torne vulgarizada e a pressão nos sistemas de saúde retome os níveis pré-COVID-19, as restrições podem começar a ser levantadas. Enquanto a Pandemia continua, as políticas devem primeiro focar-se em sair da crise, priorizando os gastos com a saúde, direcionando o apoio fiscal e mantendo uma política monetária adequada. Assim, à medida que se avança na recuperação, os decisores políticos devem limitar os danos económicos a longo prazo com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva (investimento público, por exemplo) e incrementar os incentivos para uma locação eficiente de recursos produtivos.

  1. Forte cooperação internacional

Tal princípio é vital para alcançar os objetivos e garantir que as economias dos mercados emergentes e países em vias de desenvolvimento reduzam a lacuna com os países mais ricos. No caso da saúde, isso significa garantir em todo o mundo uma adequada produção de vacinas e distribuição universal a preços acessíveis – inclusive através de financiamento do programa COVAX – para que todos os países possam vencer a Pandemia de forma rápida e decisiva.

A comunidade internacional precisa trabalhar em conjunto para garantir que as economias com restrições financeiras têm acesso adequado à liquidez necessária na gestão dos setores social, económico e saúde. O combate às alterações climáticas não pode ficar para segundo plano, e deve também ser feito num esforço conjunto entre os vários países. Além disso, é necessária uma forte cooperação para resolver questões como a política tributária internacional, limitação na transferência de lucros para fora de fronteiras e evasão fiscal.

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