COVID-19: As 10 potenciais vacinas que já estão a ser testadas em humanos

Quando as vacinas candidatas chegam à fase de fazerem testes clínicos em humanos é porque já passaram a fase de testes à segurança da vacina, determinaram dosagens e identificaram possíveis efeitos colaterais junto de um pequeno número de pessoas.

Os ensaios na segunda fase exploram ainda mais a segurança e começam a investigar a eficácia em grupos maiores. Os estágios finais, aos quais poucas vacinas chegam, envolvendo milhares de pessoas para confirmar e avaliar a eficácia da vacina e testar se há efeitos colaterais raros.

Apesar do progresso acelerado da vacina COVID-19, os especialistas dizem que não há garantia de que alguma funcione. Só com o tempo poderemos descobrir. Contudo, chegar a uma vacina eficaz e aprová-la será apenas o primeiro passo. Depois, haverá que produzir milhões de doses para distribuir às populações.

Além disso, há ainda uma situação complexa a resolver. Se os países forem bem-sucedidos em conter a disseminação do coronavírus poderá ser um obstáculo à obtenção de uma vacina. É que não haverá pessoas para provar que funciona – a única maneira de provar que uma vacina funciona é inocular pessoas em locais onde o vírus continua a espalhar-se naturalmente.

Alguns especialistas acreditam que nos países onde há uma quarentena mais rígida, a vacina provavelmente virá primeiro do que a imunidade da população. Mas onde há maior atividade económica, como na Alemanha, que começou a relaxar as medidas de isolamento, o vírus pode gerar imunidade mais rapidamente e, nesse caso, a imunidade virá antes da vacina.

No entanto, é importante destacar que ainda não há conclusões sobre a imunidade produzida por quem já foi contagiado pelo novo coronavírus. Ainda existem muitas dúvidas sobre se as pessoas que contraíram o vírus estão livres da COVID-19.

As 10 candidatas em fase de avaliação clínica
Investigadores em todo o mundo estão a usar diferentes tecnologias para tentar encontrar a vacina que possa deter a pandemia. Segundo a última atualização da Organização Mundial de Saúde WHO, no dia 22 de maio, existiam 124 vacinas candidatas. Destas, 114 estavam na fase de desenvolvimento pré-clínico, estádio que determina o perfil de segurança final de uma vacina e se passará à fase seguinte de ensaios clínicos em pessoas.

Durante esta fase, os investigadores selecionam cuidadosamente o antígene e as tecnologias e são feitos testes in vitro e in vivo. Mas, do total, há 10 vacinas candidatas que já estão na fase de desenvolvimento clínico, ou seja, a realizar ensaios clínicos em humanos. Dentro da avaliação clínica, algumas estão na fase um e outras na fase dois.

Cansino Biologics – China
No mesmo dia em que a Moderna iniciou os testes em humanos, a 16 de março, a empresa chinesa de biotecnologia Cansino Biologics, em colaboração com o Instituto de Biotecnologia e a Academia de Ciências Médicas Militares da China, também deu início aos seus. A vacina AD5-nCoV usa uma versão de um adenovírus, o vírus que causa a constipação comum, como vetor. Esse vetor transporta o gene da proteína da superfície do coronavírus e, assim, tenta provocar a resposta imune para combater a infeção.

Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan – China
Do Sinopharm, o grupo farmacêutico nacional da China, esta vacina candidata do país asiático é uma vacina de vírus inativado. Uma vacina inativada é feita de partículas do vírus, bactéria ou outros patógenos cultivados, sem capacidade de provocar doenças. No dia 23 de abril, 96 voluntários de três faixas etárias diferentes receberam uma injeção. Trata-se de uma tecnologia que possui produtos que já estão licenciados e comercializados. Portanto, a maioria das estimativas de que a vacina contra a COVID-19 ficará pronta entre 12 e 16 meses é baseada nesse tipo de vacina inativada.

BioNTech’s – Alemanha
A BioNTech começou a testar a vacina BNT162 em humanos. Começaram na Alemanha e têm planos para continuar os testes nos EUA e na China.

Instituto Jenner, da Universidade de Oxford – Reino Unido
Na Europa, o primeiro ensaio clínico começou dia 23 de abril para testar a vacina ChAdOx1, desenvolvida pela equipa do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, em Inglaterra. É uma vacina recombinante semelhante à da empresa chinesa Cansino. Mas a equipa de Oxford está a usar uma versão atenuada do vírus comum das constipações responsável por causar infeção em chimpanzés. O vírus foi alterado geneticamente para que não cresça em humanos. Os cientistas já têm experiência no uso dessa tecnologia que foi usada para desenvolver uma vacina contra o coronavírus MERS, cujos ensaios clínicos mostraram resultados positivos.

Beijing Institute of Biological Products – China
Tal como o Wuhan Institute, o Institute of Biological Products de Beijing também pertence à organização do Estado Sinopharm Group. O Instituto está neste momento a trabalhar numa vacina inativada junto com Chinese Center for Disease Control and Prevention.

Moderna Therapeutics – EUA
A Moderna, empresa de biotecnologia de Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos da América, é uma das empresas farmacêuticas que está a tentar novas estratégias para acelerar o desenvolvimento da vacina COVID-19. Foi fundada pelo The National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), que faz parte do National Institutes of Health dos EUA.
Em geral, o objetivo de uma vacina é preparar o sistema imunológico de uma pessoa para gerar uma resposta de combate ao vírus e prevenir doenças. As abordagens convencionais usadas para fazer isso geralmente concentram-se no uso de vírus vivos atenuados, inativados ou fragmentados.
Mas o mRNA-1273 da Moderna, cujos ensaios são financiados pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano de que faz parte, não é produzido com o vírus que causa a COVID-19. É baseado num RNA mensageiro (RNAm), ou ácido ribonucleico mensageiro, o que significa que os cientistas usam só um pequeno segmento do código genético do vírus – que foi criado em laboratório. Assim esperam provocar uma resposta do sistema imunológico para combater infeções.
Esta foi a primeira vacina a entrar na primeira fase dos ensaios clínicos em humanos, saltando o ensaio em animais. Está a ser testada em voluntários no Kaiser Permanente Washington Health Research Institute em Seattle.

Inovio Pharmaceuticals – EUA
A vacina da Inovio, uma empresa de biotecnologia da Pensilvânia, nos EUA, também se baseia numa nova estratégia de pesquisa. A vacina INO-4800 é focada na injeção direta de DNA cultivado por cientistas para o interior das nossas células para que produzam anticorpos de combate à infeção – o coronavírus só tem RNA, de modo que os cientistas têm de cultivar o DNA com a ajuda de estruturas bacterianas chamadas plasmídeos. Os testes em humanos da Inovio começaram no início de abril nos EUA e o plano é para que se realizem depois na China e na Coreia do Sul.

Instituto Médico Geno-immune de Shenzhen – China
Também na China, a vacina LV-SMENP-DC usa células dendríticas (leucócitos que protegem o corpo de antígenos) modificadas por meio de vetores lentivirais (um método pelo qual os genes podem ser inseridos, modificados ou eliminados em organismos) para encontrar uma resposta imune. Este Instituto está a desenvolver duas vacinas candidatas.

Sinovac – China
Em Beijing, na China, esta vacina inativada tem sido testada em primatas e tem conseguido proteger uma certa espécie de macacos, evitando a infeção por COVID-19 três semanas depois de terem sido injetados com a vacina.
Em abril, foram conduzidos ensaios clínicos, na China, que começaram com 144 participantes, adultos saudáveis, com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos.

Novavax – Austrália
A Novavax, uma empresa de biotecnologia americana que desenvolve vacinas contra doenças infecciosas, anunciou esta segunda-feira que está a iniciar ensaios clínicos de fase 1 da sua vacina candidata contra a COVID-19. Os ensaios estão a ser levados a cabo junto de 131 voluntários nas cidades de Melbourne e Brisbane na Austrália. Os resultados são esperados em julho de 2020 e ainda este ano a empresa espera ter uma vacina com resultados comprovados para comercializar.

Texto Maria João Alexandre

[Ler também: Corrida à vacina: As quatro fases de desenvolvimento da vacina contra a COVID-19]

 

Artigos Relacionados: