As escolas do futuro para o novo mundo do trabalho

A adaptação das competências assente na educação foi o grande tema da 2ª Webconference do cico “O futuro do emprego em Portugal”, um evento promovido pela Multipessoal e o Jornal Económico, em junho.

Segundo André Ribeiro Pires, Chief Operating Officer da Multipessoal, uma das maiores empregadoras portuguesas que coloca diariamente mais de 10 mil pessoas nos clientes, já se verificava, antes da crise pandémica, uma escassez generalizada de perfis especializados e principalmente dos mais qualificados, em grande parte motivada pela crescente procura por multinacionais que escolheram Portugal para albergar os seus centros de trabalho, mas também pela reduzida entrada de novos perfis no mercado.

Estaremos a formar para exportar ou conseguimos que os empregos em Portugal retenham talento? Como se pode adaptar o ensino para dar resposta às exigências do mercado? Qual a adaptação das competências assente na educação?

No sentido de perceber as principais tendências das necessidades de Recursos Humanos, assim como as perspetivas futuras, e a forma como o sistema de ensino se adapta para as satisfazer e antecipar o comportamento da procura, o evento contou com as participações de João Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Educação; Céline Abecassis- -Moedas, Diretora da Formação de Executivos da Católica Lisbon School of Business & Economics; Pedro Brito, Associate Dean para Executive Education and Business Transformation da Nova SBE; e de Elmano Margato, Presidente do Politécnico de Lisboa, numa conversa conduzida por Ricardo Santos Ferreira, Editor do Jornal Económico.

Segundo um estudo recentemente divulgado pela Fundação José Neves, cerca de 47,8% dos portugueses adultos concluíram, no máximo, o ensino secundário e estão no mercado de trabalho. O mesmo estudo aponta que ainda existe um desajuste entre a oferta educativa e a procura do mercado de trabalho, já que 19,4% dos jovens que terminaram recentemente o ensino superior não estão empregados e 15% de recém-diplomados estão a desempenhar funções para as quais são sobrequalificados. Daqui se pode concluir que no quadro da aquisição de competências para o mercado de trabalho, o sistema de ensino pré-universitário tem uma importância fulcral, para além da dificuldade em ainda se aceitar, entre a população ativa adulta, a formação ao longo da vida.

Nas notas de abertura, André Pires reforça a necessidade de criar um cenário do futuro do emprego em Portugal, de enorme relevância para o desenvolvimento da economia. Hoje, segundo refere, “procura-se ter um conjunto de experiências e não uma carreira”, em que as pessoas têm uma maior preocupação com os novos modelos de trabalho e agilidade, para além das questões sociais. Já do lado das empresas, há maior reticência em tomar grandes decisões e está-se a viver um “mismatch entre as competências técnicas que procuram e as ofertas no mercado”.

Para João Costa, é clara a perceção de que o ensino pré- -universitário é o principal fornecedor da mão-de-obra em Portugal, existindo, contudo, “uma falta de consenso a nível nacional sobre a importância da aprendizagem ao longo da vida”. Apesar de programas de qualificação elaborados pelo Governo, como o “Qualifica”, ainda existe uma elevada percentagem de população ativa subqualificada, fruto do abandono escolar durante os anos 90. Na sua perspetiva, qualquer cidadão deve ter acesso ao emprego, à requalificação e capacidade de se adaptar a novas exigências, como refere o documento que define o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória (12.º ano), para além da aposta no ensino profissional, com cerca de 150 cursos a funcionar no País.

A este sistema, associa-se o ensino prático-teórico como é o caso do Politécnico, destacado por Elmano Margato como o “volante de energia”, caracterizado por uma fácil inserção (cerca de 95%) no mercado de trabalho. No entanto, não deixa por isso de ser necessário que após a formação académica as “empresas tenham um período em que têm de dar o seu contributo para direcionar as competências daquele formando para o que pretendem.”

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Pode ler o artigo na íntegra na edição de verão da revista Líder.

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