As Olimpíadas de Tóquio podem ajudar a unir o mundo?

Após 125 anos da primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos em Atenas, os Jogos Olímpicos de verão, a decorrer sem espectadores, vão começar hoje em Tóquio. A Pandemia causou muita especulação sobre a viabilidade dos jogos adiados, já que o país-sede, atualmente em estado de emergência, luta com um número elevado de casos de coronavírus com apenas um terço da população vacinada.

Hesham Zafar escreve para o World Economic Forum sobre como o maior evento desportivo do mundo tem servido de palco de união entre países, mas se será possível, dadas as circunstâncias atuais, ser hoje significado de uma igual oportunidade.

Mais de 11.000 atletas estão alojados na bolha da vila olímpica, onde os primeiros casos COVID-19 foram detetados. Os recentes eventos desportivos, como o Euro 2020 e Wimbledon, juntaram até cerca de 60.000 espectadores em estádios, e outros adeptos em pubs e bares, o que resultou, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, num aumento de casos de COVID-19 por toda a Europa. Banir os espectadores das Olimpíadas foi uma decisão sensata para minimizar as infeções, mas continuar com os jogos a portas fechadas pode prejudicar o poder do desporto no encontro das comunidades e na eliminação das desigualdades na sociedade.

O desporto está posicionado de forma única para impulsionar mudanças inclusivas. Muitas ligas desportivas e jogadores por todo o mundo têm feito um esforço para alavancar as suas plataformas e acelerar os movimentos para impulsionar a coesão social e eliminar as desigualdades com base na raça, género, aptidão e outros fatores de identidade. O programa Power of Media Taskforce on DE&I do World Economic Forum, composto pelas principais ligas desportivas e organizações de média, está empenhado em promover o compromisso da indústria na criação e distribuição de conteúdos mais inclusivos e aumentar o alcance das plataformas dos meios de comunicação social para a transmissão de mensagens que promovam a igualdade e unam as pessoas.

A regra 50 da Carta Olímpica do Comité Olímpico Internacional (COI) declara: “Nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em qualquer evento, local ou outras áreas olímpicas.” No entanto, o COI refreou a sua regra após as críticas dos atletas para permitir que protestassem antes da competição, mas não no pódio. Embora a Regra 50 tenha sido contestada durante décadas, esta emenda foi resultado de uma recomendações do Comité Olímpico e Paraolímpico dos Estados Unidos (USOPC) para “acabar com a proibição de manifestações pacíficas” após o ativismo em torno do movimento Black Lives Matter.

Com um verdadeiro espírito desportivo, espera-se que, entre um clima de Pandemia, as Olimpíadas de Tóquio levantem os ânimos e juntem o mundo em torno de um propósito comum. Com a motivação certa, atletas e equipas irão aproveitar este placo para demonstrar a sua solidariedade contra o racismo e a desigualdade.

Não devemos ter de esperar por um ponto de rutura, como o assassinato de George Floyd do movimento Black Lives Matter, para acender a necessidade de mudança na luta constante por justiça. A comunidade desportiva global precisa de quebrar de forma proactiva as estruturas e regras institucionais que discriminam todas as formas de desigualdade relacionadas com raça, etnia, género, religião, aptidão, sexualidade e outros grupos de identidade.

Atletas, órgãos e reguladores internacionais, governos e outras organizações influentes no ecossistema desportivo têm de definir de forma colaborativa os marcos e estruturas de governança apropriados para que o desporto realmente quebre as barreiras dentro da sociedade.

O ano passado foi notável o seu ativismo social por parte de jogadores, fãs e todo o ecossistema desportivo que inspirou a revisão de regras e práticas arcaicas e ajudou a dar voz a grupos sub-representados. As regras que regem o desporto devem ser adaptativas para capacitar indivíduos e comunidades a abraçar mudanças inclusivas. Embora tenham havido progressos, ainda há muito a ser feito para combater a diversidade, a equidade e a inclusão no desporto.

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