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Marcelo Teixeira

Liberdade em cena: a força do cinema a romper barreiras

23 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

O cinema, como expressão artística, tem-se mostrado uma das ferramentas mais poderosas para explorar e questionar o conceito de liberdade, abordando-o em diversos contextos históricos, sociais e pessoais.

Seja através da resistência contra regimes autoritários, da luta pela liberdade de expressão ou da superação de barreiras individuais, o cinema oferece uma janela para compreendermos o significado profundo deste valor essencial para a humanidade.

Para assinalar o Dia Mundial da Liberdade, a Líder decidiu destacar uma seleção de filmes emblemáticos que nos convidam a refletir sobre este valor universal.

A liberdade no cinema, contudo, nem sempre foi garantida. Ao longo da história, muitos filmes foram censurados ou proibidos por governos e instituições que viam neles uma ameaça à ordem estabelecida. A censura cinematográfica, que tem raízes profundas em épocas de repressão política e social, não se limita apenas a regimes totalitários.

Mesmo em sociedades democráticas, certos filmes enfrentaram restrições devido ao seu conteúdo provocador, controverso ou subversivo. Um exemplo clássico é «O Último Tango em Paris» (1972). Foi alvo de censura em diversos países devido às suas cenas de sexo explícito e aos debates sobre a liberdade artística.

Outro exemplo significativo é «Laranja Mecânica» (1971), de Stanley Kubrick, que foi retirado das salas de cinema no Reino Unido após causar controvérsia sobre a violência gráfica e as implicações sociais. Este tipo de censura evidencia como o cinema, muitas vezes, se coloca como um reflexo das tensões sociais, políticas e culturais de uma época. Assim sendo, é também um meio de resistência contra os sistemas que tentam limitar a liberdade de expressão.

Neste Dia Mundial da Liberdade, é importante celebrarmos o poder do cinema nas suas múltiplas formas de resistência e de expressão, lembrando-nos de que a liberdade não é apenas um direito a ser defendido, mas também uma ideia a ser constantemente questionada e reimaginada.

 

Ainda Estou Aqui (2023)

Em Ainda Estou Aqui, Walter Salles, o realizador brasileiro por trás de Carnets de voyage e Central do Brasil, regressa com um drama arrebatador, imerso em elementos de thriller, que se aprofunda nas sombrias horas da ditadura militar brasileira. Através do trágico destino da família Paiva, a obra constrói um retrato pungente de uma época marcada pela repressão política, mas também de uma incansável procura pela verdade e pela justiça. O filme transporta-nos para um período de intensas violações de direitos humanos, onde a coragem de resistir à opressão e a luta pela memória e pela liberdade se tornam elementos centrais da narrativa.

 

Selma – A Marcha da Liberdade (2014)

Este filme de Ava DuVernay retrata a histórica marcha liderada por Martin Luther King Jr. em Selma, Alabama, que culmina na conquista do direito ao voto para os afro-americanos nos Estados Unidos. A obra presta um tributo ao ativismo político e à luta não violenta pelos direitos civis. A recriação detalhada dos eventos e o foco na determinação inabalável de King e dos seus aliados reforçam a mensagem de que a liberdade é resultado de persistência e coragem, mesmo diante das maiores adversidades.

 

12 Anos de Escravo (2013)

Inspirado na história real de Solomon Northup, um homem negro livre mas que depois é raptado e vendido como escravo nos Estados Unidos. Passado no século XIX, este filme de Steve McQueen reflete de forma poderosa a luta contra a opressão. A narrativa enfatiza a resistência individual e a esperança como motores fundamentais para almejar a liberdade. Além disso, as interpretações profundamente emocionantes, especialmente a de Chiwetel Ejiofor, envolvem o espectador ao transmitir o peso da injustiça e a resiliência de quem recusa perder a sua humanidade, mesmo nos contextos mais sombrios e desumanos.

 

Capitães de Abril (2000)

Realizado por Maria de Medeiros, este filme português retrata a Revolução dos Cravos, que teve lugar a 25 de abril de 1974 e pôs fim a décadas de ditadura em Portugal. A narrativa foca-se na perspetiva dos militares que lideraram o movimento e nas histórias dos civis que vivenciaram aquele dia marcante. Combinando drama e história, a obra destaca a coragem e a determinação necessárias para conquistar a liberdade e restaurar a democracia, oferecendo uma visão única sobre um dos momentos mais importantes da história do nosso país.

 

A Vida é Bela (1997)

Nesta obra-prima de Roberto Benigni, um pai recorre ao humor e à imaginação para proteger o filho da brutalidade de um campo de concentração nazi. Este filme aborda com delicadeza a liberdade de pensamento e o poder transformador da resiliência humana mesmo em cenários de extrema opressão. A mescla de comédia e tragédia proporciona uma experiência única, celebrando o amor e a coragem como formas supremas de resistência à desumanização, deixando uma mensagem duradoura de esperança. Um banho de emoções fortes para qualquer espectador.

 

Braveheart – O Desafio do Guerreiro (1995)

Mel Gibson realizou e protagonizou este clássico que conta a história de William Wallace, um herói escocês que lidera uma rebelião contra o domínio inglês no século XIII. O grito de «Liberdade!» no momento culminante transforma-se num símbolo do desejo humano pela emancipação. Este filme realça o sacrifício pessoal em prol da liberdade coletiva. Para além disso, as cenas de batalhas memoráveis e emocionantes abordam também questões como a traição, a lealdade e o preço elevado da resistência frente a forças opressoras, criando uma narrativa repleta de inspiração e coragem.

 

The Shawshank Redemption – Os Condenados de Shawshank (1994)

Inspirado num conto de Stephen King, este filme de Frank Darabont acompanha Andy Dufresne, um homem condenado injustamente. Enquanto encontra formas de preservar a sua dignidade e liberdade interior dentro de uma prisão, a narrativa destaca-se pela sua mensagem poderosa de esperança e resiliência. Além disso, o filme explora as complexas relações humanas no ambiente prisional, evidenciando como a amizade e o apoio emocional se tornam ferramentas essenciais para a sobrevivência e a libertação psicológica.

 

Reflexão final

Estes filmes oferecem perspetivas diversas sobre o que significa ser livre e os desafios inerentes à conquista da liberdade. Para além de proporcionarem entretenimento, são lições valiosas que nos inspiram a valorizar e proteger este direito universal em todas as suas formas. Ao celebrarmos o Dia Mundial da Liberdade, podemos dar um mergulho nestas obras e deixarmo-nos inspirar pelas histórias de coragem e luta que definem o verdadeiro significado de ser livre.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

A ascensão da IA e a nova era da cibersegurança

23 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

A crescente adoção da inteligência artificial (IA) está a mudar rapidamente o panorama da cibersegurança. Assim, em 2025, há novos desafios, com ênfase para o consumo de energia, desenvolvimento de software e questões éticas e jurídicas. A IA, enquanto ferramenta de inovação, também será usada como arma por cibercriminosos ou até mesmo por governos, criando novas ameaças.

 

Pressão sobre recursos naturais e avanços tecnológicos

O crescimento da IA é exponencial. O ChatGPT, por exemplo, alcançou 100 milhões de utilizadores em apenas dois meses após o seu lançamento. Outros modelos como Claude, Gemini e Midjourney também têm sido amplamente adotados. Até o final de 2024, 92% das empresas da Fortune 500 já tinham integrado IA generativa em seus fluxos de trabalho, de acordo com o Financial Times.

Este aumento de uso gera uma pressão enorme sobre os recursos naturais. A rápida expansão dos centros de dados, essenciais para as operações de IA, já está a consumir a terra, sendo que a energia e a água atingiram quantidades alarmantes. A McKinsey relata que o número de centros de dados duplicou de 3500 em 2015 para 7000 em 2024. A Deloitte prevê que o consumo de energia por estes centros aumentará de 508 TWh em 2024 para 1580 TWh em 2034, o equivalente ao consumo anual da Índia.

Além disso, a IA está a forçar mudanças nos design de chips e na computação em memória, essenciais para tornar a tecnologia mais eficiente em termos energéticos. A adoção de fontes de energia sustentáveis será inevitável para lidar com o aumento da exigência energética.

 

Desafios de segurança e regulação da IA

No campo do desenvolvimento de software, a IA está a tornar-se um aliado poderoso, com ferramentas como o GitHub Copilot, CursorAI e Replit.com. No entanto, essa evolução traz novos riscos de segurança. A possibilidade de gerar malware completo a partir de um único comando coloca os cibercriminosos num novo patamar de sofisticação. Assim sendo, a barreira de entrada para ataques de cibercriminalidade está a desaparecer, tornando o mundo digital cada vez mais vulnerável.

A responsabilidade no uso da IA será um ponto crucial. Criadores de software e especialistas em cibersegurança devem unir forças para prevenir o uso malicioso da IA. As novas parcerias serão essenciais para antecipar e mitigar as ameaças, garantindo que a IA não seja utilizada como uma arma.

Além disso, em 2025, teremos duas grandes mudanças legislativas. A Lei da IA da UE, a entrar em vigor a 2 de fevereiro, e a nova estrutura regulatória dos EUA, que será implementada com a Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA). Estas mudanças exigem um controlo mais rigoroso das implementações de IA e a criação de plataformas de governança para garantir ética e transparência.

A IA trará também um aumento das estruturas de garantia específicas para validar a confiabilidade e segurança da tecnologia. Em 2025, devemos esperar que surjam plataformas que garantam explicabilidade nos resultados da IA e evitem viés e danos.

Em suma, o futuro da cibersegurança dependerá de como profissionais, empresas e governos conseguirem adaptar as suas estratégias, equilibrando os avanços da IA com a mitigação de riscos.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Orçamentos salariais em Portugal serão mais baixos neste ano

22 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

Os aumentos salariais em Portugal para 2025 deverão ser mais modestos do que nos anos anteriores. A previsão aponta para uma média de 3,6%, abaixo dos 4% atribuídos em 2024. Apesar desta descida, o valor continua superior à média registada na última década, mostrando algum esforço das empresas em responder às pressões económicas e de mercado.

Segundo o Salary Budget Planning Report, da consultora WTW, são várias as razões para este ajuste nos orçamentos. Entre elas, a instabilidade gerada pela pandemia, as tensões geopolíticas globais e o prolongamento da guerra na Ucrânia que têm impactado diretamente a capacidade financeira das organizações. Desde 2020, os aumentos salariais em Portugal têm mostrado variações consideráveis. Em 2023, registou-se o pico com 4,2%, mas a tendência decrescente começou a fazer-se sentir no ano seguinte.

 

Custos em alta, salários em ajuste

Embora os orçamentos para aumentos estejam a diminuir, as despesas totais com remuneração aumentaram em 2024. Estes custos incluem não apenas os salários, mas também bónus, incentivos e outros benefícios associados. Cerca de 38% das empresas indicam que a gestão de custos e a inflação são os principais fatores que condicionam estas decisões. Outras razões incluem o mercado de trabalho competitivo, mencionado por 32%, e os resultados financeiros abaixo das expectativas, apontados por 26% das organizações.

 

O desafio central de atrair e reter talento

A competição no mercado de trabalho e a dificuldade em atrair e reter talento mantêm-se no topo das preocupações das empresas. Em 2024, 31% das organizações admitiram enfrentar problemas nesta área, um valor que desceu ligeiramente face aos 33% registados em 2023.

Para responder a estes desafios, muitas empresas estão a adotar estratégias focadas no bem-estar e na experiência do colaborador. Mais de metade das organizações, 51%, têm investido na melhoria da cultura no local de trabalho, com destaque para a diversidade, equidade e inclusão. A flexibilidade laboral é agora uma prioridade para 48% das empresas, enquanto 47% apostam na personalização de benefícios como forma de aumentar a satisfação e o compromisso dos seus colaboradores.

 

Flexibilidade: uma resposta crescente às novas exigências

Assim, modelos híbridos e remotos continuam a ganhar espaço no mercado português, com 50% das empresas a oferecerem estas opções aos seus colaboradores. No entanto, a flexibilidade total de horários ainda é uma realidade para apenas 6% das organizações. Por outro lado, 28% disponibilizam múltiplas alternativas, incluindo horários reduzidos e trabalho a tempo parcial, demonstrando uma evolução, embora lenta, na forma como as empresas abordam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

 

O impacte da transparência e da legislação

Sandra Bento, Associate Director da WTW em Portugal, sublinha a importância crescente da transparência e da personalização nas políticas de compensação: «as condições de mercado e a inflação global continuam a pressionar as empresas a ajustar os seus orçamentos salariais. Para manter o poder de compra dos colaboradores e atrair novos talentos, é essencial que as organizações invistam em políticas de flexibilidade no trabalho e numa comunicação salarial clara e coerente», afirma.

A responsável alerta também para o impacte das novas legislações sobre igualdade de género e transparência salarial, que colocam maior pressão nas empresas. «Os colaboradores valorizam cada vez mais a flexibilidade, a personalização dos benefícios e uma comunicação transparente. Este é o caminho para garantir maior satisfação e fidelização dos talentos».

Estudo abrangente e representativo

O relatório Salary Budget Planning Report foi elaborado entre setembro e outubro de 2024 e contou com a participação de mais de 37.000 empresas em 150 países. Em Portugal, cerca de 470 organizações de diferentes setores da economia contribuíram para este levantamento.

Este cenário reflete a complexidade dos desafios enfrentados pelas empresas em Portugal. Os ajustamentos salariais, aliados a estratégias mais modernas e flexíveis, são tentativas de equilibrar o impacte da inflação e da instabilidade económica com as necessidades e expectativas de um mercado de trabalho em constante transformação.

 

Arquivado em:Corporate, Notícias

Mais de 290 milhões de euros são faturados pelas cinco mil maiores empresas portuguesas

21 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

As 5.000 maiores empresas portuguesas atingiram um volume de negócios de 293.250 milhões de euros em 2024, marcando um crescimento de 2% em relação ao ano anterior. Este grupo de gigantes empresariais gerou 1.144.837 postos de trabalho, um aumento de 6% em comparação com 2023.

O relatório da Iberinform destaca ainda que 50% dessas empresas são exportadoras, com um total de 74.517 milhões de euros em exportações, um crescimento de 5% face ao ano passado.

Setores de maior faturação: Comércio e Indústria no topo

O Comércio lidera em número de empresas, com 36% do total, e também em faturação, concentrando 29% do volume de negócios. Com um peso de 24% nos postos de trabalho, o setor continua a ser um pilar da economia nacional. Já a Indústria segue de perto, com 27% das empresas, 29% do volume de negócios e 24% dos postos de trabalho. Esse desempenho robusto reflete o papel essencial da indústria portuguesa, especialmente em áreas como a automobilística, alimentar e metalúrgica, que continuam a impulsionar a economia.

Os Serviços ocupam o terceiro lugar, com 17% das empresas, mas são responsáveis por 33% dos empregos, apesar de contribuir com apenas 12% do volume de negócios. Isso indica uma forte dependência da mão de obra nos serviços, com setores como o turismo e tecnologia a liderar o crescimento no emprego.

Outros setores como Construção, Transportes e Energia apresentam participações menores, mas não deixam de ter um impacte significativo na economia, especialmente em termos de empregabilidade e inovação.

 

Distribuição geográfica: Lisboa e Porto no comando

Lisboa mantém-se como o principal centro de negócios, com 34% das empresas localizadas na capital, representando 47% do volume de vendas e 44% da criação de empregos. O Porto segue em segundo lugar, com 18% das empresas e 16% do volume de negócios, mas com uma maior contribuição na criação de empregos, alcançando 20% do total.

A crescente importância de Braga e Aveiro, com 9% e 8% das empresas, respetivamente, também merece destaque, com especial enfoque nas empresas de tecnologia e indústria transformadora, que têm ganhado relevância.

 

O peso das empresas consolidadas

Se há uma característica que define as 5.000 maiores empresas portuguesas, é a maturidade. Mais de 56% delas têm mais de 25 anos de existência, refletindo um panorama de estabilidade e experiência. Exemplos como a Sonae, com mais de 60 anos de história, ou a Efacec, com 75 anos de tradição na engenharia e tecnologia, ilustram bem esse cenário de longevidade e confiança.

Apenas 4% são empresas jovens, com menos de 5 anos de atividade, o que mostra que o tecido empresarial português é maioritariamente formado por empresas consolidadas e com uma longa história no mercado.

 

Inovação e internacionalização: o caminho para o futuro

À medida que as grandes empresas portuguesas consolidam sua posição no mercado interno, a internacionalização continua a ser um motor essencial para o seu crescimento. Com 50% das empresas exportadoras, o país demonstra uma forte capacidade de adaptação aos desafios globais e uma crescente competitividade internacional. A tecnologia, a transformação digital e a sustentabilidade são os próximos grandes desafios que as empresas enfrentam para se manterem relevantes.

O investimento em inovação e a capacidade de diversificação de mercados são fatores decisivos para a continuidade desse crescimento. O estudo revela ainda uma tendência crescente de parcerias internacionais e expansão para novos mercados, especialmente em sectores como a tecnologia, a energia renovável e a indústria farmacêutica, que prometem continuar a impulsionar a presença das empresas portuguesas no cenário global.

Arquivado em:Economia, Notícias

Os desafios e oportunidades de 2025 para os gestores de PMEs

21 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

O início de 2025 traz novos desafios e oportunidades para os gestores, especialmente nas Pequenas e Médias Empresas (PMEs). Com recursos limitados, a gestão estratégica será mais importante do que nunca. As tendências que marcarão este ano precisam ser compreendidas e implementadas de forma eficaz. A Pluxee, especialista em soluções de benefícios extrassalariais, preparou um conjunto de recomendações para que os gestores iniciem o ano com foco, equilíbrio e eficiência.

 

Adotar novas tecnologias de forma estratégica

A inteligência artificial (IA) e a automação são essenciais para otimizar operações. A IA, por exemplo, pode ajudar as PMEs a usar recursos de maneira mais eficiente, reduzindo o tempo dedicado a tarefas repetitivas e melhorando a qualidade das entregas. A chave está em mapear os casos de uso dentro da empresa e avaliar os investimentos necessários, com foco no retorno a médio e longo prazo. Além disso, é crucial adotar soluções de análise preditiva, antecipando tendências que podem impactar o negócio.

 

Apostar no bem-estar e felicidade dos colaboradores

O trabalho híbrido continua a ser uma tendência importante. Oferecer flexibilidade no local de trabalho estimula a felicidade e o bem-estar dos colaboradores. Para isso, é fundamental disponibilizar ferramentas adequadas, como softwares de gestão de tarefas, plataformas de apoio psicológico e apps de saúde.

A formação personalizada e o desenvolvimento contínuo das habilidades também devem ser prioridades, criando um ambiente de trabalho saudável e equilibrado. Incentivar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, com horários flexíveis, trabalho remoto e apoio à saúde mental, reforça a produtividade e o compromisso com a empresa.

 

Promover a igualdade salarial e atração de talentos

É hora de revisar as estruturas salariais e garantir a equidade salarial. Comparar faixas salariais internas e externas ajuda a manter a competitividade no mercado. Além disso, as mudanças fiscais previstas no Orçamento de Estado 2025, como a dedução fiscal para aumentos salariais, são uma excelente oportunidade para reter talentos. Ouvir os colaboradores sobre quais benefícios eles mais valorizam, como saúde mental, flexibilidade e apoio ao bem-estar, pode ser determinante para atrair e manter os melhores profissionais.

 

Rever o planeamento fiscal e organização interna

É vital integrar o calendário fiscal de 2025 nos planos de trabalho da empresa, garantindo o cumprimento das obrigações fiscais e evitando surpresas desagradáveis. A redução da taxa do IRC, especialmente para as PMEs, representará um alívio na carga fiscal. Além disso, a gestão eficiente das férias dos colaboradores é essencial para manter a continuidade operacional e o cumprimento de prazos, sem afetar o andamento das atividades.

 

Definir objetivos estratégicos claros

Estabelecer metas bem definidas para as equipas e alinhá-las com os objetivos empresariais é fundamental para o sucesso. O plano estratégico deve focar nas prioridades da empresa, com uma comunicação clara e eficaz entre líderes e colaboradores. A gestão eficiente dos recursos e a constante monitorização do progresso das metas garantem o foco no que realmente traz resultados.

2025 exige uma abordagem equilibrada, onde a inovação tecnológica se alia à valorização dos colaboradores. Com uma gestão estratégica focada em IA, bem-estar, igualdade salarial e eficiência fiscal, os gestores podem transformar desafios em oportunidades de crescimento para suas empresas e equipas.

Arquivado em:Corporate, Notícias

Christine Kandie: mulher, líder indígena e guardiã da ancestralidade

20 Janeiro, 2025 by Marcelo Teixeira

Christine Kandie caminha devagar, no passo que o corpo permite, mas não deixa de ostentar uma indumentária digna de uma líder indígena. Além da combinação de cores, missangas e texturas, a queniana tem sido uma defensora incansável dos direitos das mulheres indígenas, num contexto onde a sua representatividade política é praticamente inexistente.

No mundo, a percentagem global de mulheres em parlamentos era apenas de 26,9% há um ano, segundo dados do Inter-Parliamentary Union. No Quénia são menos e só 23% das mulheres ocupavam cargos políticos em 2024. Já a presença indígena na tomada de decisões políticas continua quase nula e a exclusão dessas comunidades das esferas de poder é permanente.

Quanto ao impacte ambiental, as comunidades indígenas no Quénia são particularmente vulneráveis às mudanças climáticas. Estudos indicam que quase 80% das terras daquele país estão erodidas, empobrecidas em nutrientes ou degradadas de alguma forma. Christine é a principal voz do Endorois Indigenous Women Empowerment Network (EIWEN) e a sua missão tem sido clara: promover o direito à terra, a preservação da cultura e, sobretudo, garantir que as mulheres, incluindo as com deficiência, possam ocupar posições de liderança.

A Líder foi ao evento Raízes do Futuro, organizado pela Azimuth World Foundation, onde a batuta não teve direito a tambores, mas a uma força coletiva que apela à mudança do panorama político e social das comunidades indígenas. A principal voz da comunidade, Christine Kandie, com pulseiras firmes nos braços, mergulha no conhecimento dos ancestrais para resolver as questões do presente. Além disso, com um discurso escorreito e corajoso, prepara ainda as gerações do futuro.

 

Atualmente lidera o Endorois Indigenous Women Empowerment Network (EIWEN), um projeto que tem feito um trabalho fundamental na defesa dos direitos das mulheres indígenas. Quais são as principais ações deste projeto e qual o impacte na comunidade?

A Endorois Indigenous Women Empowerment Network (EIWEo) é um projeto que visa promover os direitos à terra, preservar a nossa cultura e garantir que as mulheres, jovens e pessoas com deficiência tenham um papel ativo na liderança. Trabalhamos para criar um espaço onde as mulheres possam encontrar apoio e ser treinadas para atuar nas suas comunidades.

Também enfrentamos as questões relacionadas com as mudanças climáticas, já que as nossas terras estão a ser afetadas pela degradação ambiental, que ameaça o modo de vida das comunidades indígenas. O nosso projeto impactou centenas de pessoas, permitindo a colaboração entre diferentes comunidades vizinhas que compartilham desafios semelhantes e aprendem juntas.

 

É inspirador ver o impacte que o projeto tem tido, mas além dos direitos à terra, quais são os maiores desafios que as mulheres indígenas enfrentam atualmente, e como o seu trabalho ajuda a superar esses obstáculos?

Estamos a lutar contra uma combinação de opressão cultural, discriminação de género, falta de acesso à educação e aos serviços básicos de saúde. Mulheres com deficiência, em particular, são marginalizadas em quase todos os aspectos da vida.

A nossa luta é para garantir que as mulheres tenham acesso a todos os direitos humanos e possam ter uma voz ativa, não apenas na comunidade, mas também nas esferas políticas.

Por exemplo, no Quénia, as pessoas com deficiência representam cerca de cinco milhões de pessoas. Isso é um grande número que precisa de atenção especial. No EIWEN, trabalhamos para garantir que elas não sejam apenas incluídas, mas que também se tornem líderes nas suas próprias comunidades.

 

Para garantir que essas mulheres sejam verdadeiramente representadas, mencionou a importância de criar plataformas onde as suas vozes possam ser ouvidas. Como pode ser isso feito?

Criar plataformas onde as mulheres possam ser ouvidas é crucial. Precisamos de mudar as estruturas sociais e políticas para que as mulheres indígenas não apenas participem, mas liderem. O sistema precisa de mudar para garantir que não só tenhamos um lugar à mesa, mas que a nossa presença seja significativa.

O projeto trabalha diretamente com a criação desses espaços de liderança, formando novas gerações de mulheres que possam usar as suas experiências para moldar o futuro da nossa comunidade e influenciar políticas públicas que atendam às nossas necessidades reais. As mulheres indígenas desempenham papéis vitais como guardiãs, detentoras de conhecimento e mentoras.

 

Isso é muito poderoso. Sobre o direito à terra há uma história de luta na sua comunidade.

Sim. A nossa luta pelos direitos à terra começou em 1973, quando o governo do Quénia nos expulsou para criar uma zona de turismo ao redor de nosso território e do lago Bogoria. Perdemos não apenas as nossas terras, mas também a nossa identidade. A nossa cultura, os locais espirituais e os meios de subsistência foram severamente impactados. Mas não desistimos. Lutámos, primeiro pelos tribunais locais, e depois com a Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos. Muitos anos depois, em 2010, a comissão decidiu a nosso favor, obrigando o governo do Quénia a reconhecer o nosso povo e a fornecer compensações.

Uma lição chave dessa jornada é a persistência. Temos de lutar pelos nossos direitos e pela nossa identidade. Sem isso perdemos tudo. A nossa cultura, a nossa língua, o nosso futuro. Esta luta é ancestral, e não se trata apenas do passado, mas garantir também o futuro das próximas gerações.

 

Há um conjunto de problemas ambientais. Como está o seu projeto a lidar com isso?

As mudanças climáticas têm um impacte devastador nas comunidades indígenas, especialmente em relação à terra e à agricultura. O nosso modo de vida é intimamente ligado à terra, e a sua degradação tem trazido enormes dificuldades. As secas, a perda de terras e a falta de recursos naturais afetam diretamente a nossa sobrevivência.

No projeto, trabalhamos para sensibilizar a comunidade sobre a importância da preservação ambiental e adaptamos práticas agrícolas sustentáveis. Além disso, procuramos uma rede de mulheres que possam liderar a luta contra as mudanças climáticas e lutar pelo nosso direito à terra.

 

Agora, indo um pouco à sua história. Quando olhamos para o seu percurso, percebemos que a educação foi um pilar importante. Como conseguiu superar os desafios e obstáculos, especialmente sendo uma mulher com deficiência, numa comunidade que ainda enfrenta muitas desigualdades?

A educação foi, sem dúvida, a chave. A minha história foi muito moldada pelo apoio dos meu pais. Embora eu fosse uma mulher com deficiência, eles acreditavam que a educação seria a minha força para ultrapassar os obstáculos. No entanto, como mulher indígena, ainda havia muitos desafios. A nossa sociedade era (e é) patriarcal, e as mulheres eram preparadas para se casarem e terem filhos, não para serem líderes. Mas o meu pai incentivou-me a estudar e, com o seu apoio, pude ir para a escola e depois para a universidade. Sem a educação, não teria chegado onde estou hoje.

Quais foram as maiores dificuldades que enfrentou para chegar até aqui?

A universidade estava bastante distante, e enfrentei desafios enormes para chegar lá, tanto por ser mulher, quanto por ter uma deficiência física. A minha família não tinha muitos recursos, mas, apesar disso, o meu pai sempre me incentivou a continuar, sabendo que a educação seria a única forma de alcançar os meus sonhos. Foram anos de muita luta, tanto para garantir o acesso à educação, quanto para superar os desafios de mobilidade, já que a minha deficiência dificultava esse aspeto. Mas a convicção foi maior que todos os obstáculos.

 

Referiu que, quando começou a sua jornada, a comunidade tinha uma visão diferente das mulheres com deficiência. Como foi essa experiência e de que forma o apoio do seu pai foi determinante?

No passado, as mulheres com deficiência eram vistas como um fardo, uma carga para as famílias. Na cultura tradicional, ser uma mulher com deficiência significava que não era apta para se casar ou ter filhos. Mas o meu pai nunca pensou assim. Ele sempre acreditou no meu potencial e apoiou-me em todas as fases.

O meu pai dizia que, mesmo que a comunidade me visse como um fardo, eu deveria encontrar formas de provar o contrário. Esse apoio deu-me coragem para ir à escola e, mais tarde, à universidade, onde me formei. A partir daí, envolvi-me ativamente nas questões políticas e sociais da minha comunidade. Hoje, a minha função é também um tributo aos meus pais, ao passado, e às raízes que a nossa terra preserva, guardando junto a memória e o espírito dos ancestrais.

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