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Marcelo Teixeira

A próxima revolução da IA poderá depender do 6G

6 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

A conclusão surge num estudo recente da Boston Consulting Group (BCG), intitulado ‘The 6G Network Is the Future of AI’, que aponta para uma transformação profunda no papel das redes móveis: de simples sistemas de comunicação para plataformas capazes de suportar aplicações intensivas em dados, sensores e inteligência artificial.

Ao contrário das aplicações digitais tradicionais — sobretudo orientadas para consumo de conteúdo — os novos sistemas de IA exigem grandes volumes de dados enviados pelos dispositivos para a rede (uplink), tempos de resposta previsíveis e uma arquitetura distribuída que combina dispositivos, computação de proximidade (edge) e infraestruturas de cloud.

Segundo Eduardo Bicacro, Managing Director and Partner da BCG, essa mudança altera a própria lógica de desenvolvimento das redes móveis.

«Estamos a passar de redes otimizadas para consumo de conteúdo para redes desenhadas para geração contínua de dados e decisão em tempo real. As aplicações de IA exigem uplink significativo, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre dispositivo, edge e cloud — requisitos que tornam o 6G não apenas uma evolução, mas uma condição necessária para escalar a IA na sociedade e na economia.»

O impacto económico do 5G

A geração atual de redes móveis já abriu caminho para esta transformação. O lançamento comercial do 5G, em 2019, representou uma mudança estrutural na conectividade, ao permitir maior velocidade, menor latência e a ligação simultânea de milhões de dispositivos.

De acordo com o estudo da BCG, as aplicações suportadas por 5G já geraram mais de um bilião de dólares em impacto económico global. A consultora estima que este valor poderá ultrapassar os 6 biliões de dólares até 2030 e aproximar-se dos 18 biliões até 2035.

A tecnologia tem vindo a acelerar a transformação digital em vários setores — da indústria à saúde — e a impulsionar novos serviços baseados em dados e conectividade permanente.

 

A próxima etapa: redes pensadas para IA

Previsto para surgir no final desta década, o 6G deverá introduzir melhorias significativas na capacidade de rede, na latência e na integração entre dispositivos, sensores e infraestruturas digitais.

Essas características poderão suportar uma nova geração de aplicações baseadas em inteligência artificial, incluindo: automação industrial avançada e robótica colaborativa; experiências imersivas em realidade aumentada e realidade virtual; cidades inteligentes e infraestruturas urbanas conectadas; sistemas de mobilidade autónoma; monitorização remota e cuidados de saúde digitais.

O relatório sublinha que nenhuma camada isolada — dispositivo, edge ou cloud — consegue suportar de forma eficiente estes sistemas. O 6G será desenhado para orquestrar dinamicamente essas camadas, equilibrando latência, capacidade e consumo energético.

 

Decisões desta década serão determinantes

Apesar do potencial tecnológico, o estudo alerta que o desenvolvimento do 6G dependerá de decisões estratégicas tomadas nos próximos anos.

Entre as prioridades identificadas estão o acesso ao espectro de radiofrequência necessário para novas redes, a definição de padrões tecnológicos globais, o investimento contínuo em investigação e desenvolvimento e a formação de talento especializado.

À medida que a inteligência artificial evolui para sistemas contínuos e multimodais, capazes de operar em tempo real entre dispositivos, sensores e infraestruturas, a conectividade deixa de ser apenas um meio de transmissão e passa a integrar a própria arquitetura de computação.

Sem estas evoluções, alertam os autores do estudo, as redes poderão enfrentar congestionamento no tráfego de dados enviados pelos dispositivos, latências inconsistentes e limitações na escalabilidade das aplicações de IA.

Nesse contexto, conclui a BCG, as decisões tomadas ao longo desta década — desde o investimento em investigação até às políticas públicas de conectividade — serão determinantes para definir como a próxima geração de tecnologias digitais será desenvolvida e utilizada.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Páscoa amarga: aumentos históricos nos ovos de chocolate e bombons portugueses

2 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Dados recentes de estudos de mercado e análises económicas indicam que o preço do chocolate ao consumidor tem registado aumentos relevantes, acima da média de inflação, com impactos diretos no orçamento das famílias nesta época festiva.

Em Portugal, um estudo da DECO PROteste revelou que o preço de uma seleção de barras de chocolate aumentou cerca de 29% entre 2025 e 2026, com quatro tabletes a ultrapassarem os 10 euros no início deste ano comparado com pouco mais de 8 euros no início de 2025. O aumento nos preços tem sido atribuído a fatores como alterações climáticas, doenças nas plantações de cacau e o consequente aumento dos custos pagos aos produtores que, por sua vez, pressionam os valores ao consumidor final.

Este fenómeno não se restringe a Portugal. Na União Europeia, os preços do chocolate aumentaram cerca de 18% em 2025, segundo dados oficiais de inflação alimentar, tornando‑se um dos produtos alimentares com maior subida naquele ano. Países como Espanha, França, Alemanha e outros Estados‑Membros registaram variações acima da média do índice geral de preços ao consumidor, refletindo uma tendência europeia de ajustamento de preços em resposta a choques na cadeia de produção do cacau.

Especialistas em economia alimentar lembram que a produção do cacau, maioritariamente concentrada na África Ocidental, tem sido afetada por eventos climáticos extremos e pragas que reduziram a oferta global nos últimos anos, empurrando os custos da matéria‑prima para níveis elevados e, consequentemente, refletindo‑se nos preços finais do chocolate.

Arquivado em:Economia, Notícias

Comprar um artigo científico: o mercado negro que está a contaminar a investigação

2 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Mas uma nova investigação conduzida por cientistas da Northwestern University, nos Estados Unidos, sugere que o problema ganhou uma dimensão muito mais profunda e preocupante. Segundo o estudo, a fraude científica deixou de ser um desvio individual para se transformar numa verdadeira indústria global, alimentada por redes organizadas que produzem, vendem e publicam investigação falsa em larga escala.

O alerta surge num artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, e os investigadores são claros: a fraude científica está a espalhar-se mais rapidamente do que a própria ciência legítima.

 

Uma máquina organizada para fabricar ciência

A investigação foi liderada por um português, Luís A. N. Amaral, professor de engenharia e ciências aplicadas na Northwestern University, e especialista em sistemas sociais complexos. Juntamente com a sua equipa, Amaral analisou enormes bases de dados científicas, registos de retratações de artigos, informação editorial e milhares de publicações académicas.

O objetivo era perceber se os casos de fraude eram realmente episódios isolados ou se existia um padrão mais profundo. A resposta foi inquietante. Em vez de investigadores individuais a manipular resultados, os cientistas descobriram redes estruturadas que funcionam quase como organizações criminosas, ligando autores, intermediários e revistas científicas dispostas a publicar trabalhos fraudulentos. Nas suas palavras, «estas redes são essencialmente organizações que falsificam todo o processo científico», explicou Amaral. «Há milhões de dólares envolvidos.»

As ‘fábricas de artigos’

No centro deste sistema estão as chamadas ‘paper mills’ — empresas ou grupos que funcionam como verdadeiras linhas de produção de artigos científicos. O modelo de negócio é simples: produzir rapidamente manuscritos académicos e vendê-los a investigadores que precisam de publicar.

O conteúdo desses artigos pode incluir dados completamente inventados, imagens manipuladas ou roubadas de outros estudos, texto plagiado e resultados cientificamente impossíveis. Apesar disso, os artigos são formatados de forma convincente e preparados para parecer investigação legítima. Depois entram em cena os clientes, investigadores que pagam para aparecer como autores.

«Hoje não se compram apenas artigos», explica Amaral. «Também se compram citações, o que permite construir uma reputação científica artificial.»

Segundo o estudo, estas redes funcionam com uma lógica quase empresarial. Um investigador pode pagar centenas ou milhares de dólares para comprar um lugar como autor num artigo que ainda está em preparação. O preço depende da posição na lista de autores e quanto mais destacado for o lugar, mais caro se torna. Ou seja, o primeiro autor é a posição mais cara, os autores intermédios tem preços mais baixos e a autoria final é frequentemente usada como ‘decoração académica’.

Em alguns casos, os intermediários oferecem também pacotes completos: escrever o artigo, garantir citações e assegurar que o estudo será aceite numa revista científica.

Intermediários e revistas comprometidas

Outro elemento fundamental neste sistema são os ‘brokers’, ou intermediários. Estes agentes fazem a ligação entre os diferentes participantes da fraude: quem escreve os artigos, quem quer comprá-los e quem está disposto a publicá-los. Para que o esquema funcione, é necessário encontrar revistas científicas onde os mecanismos de controlo possam ser contornados.

Em alguns casos, isso acontece através de processos de revisão científica falsos, nos quais os revisores são escolhidos pelos próprios autores ou pertencem à mesma rede fraudulenta. Noutras situações, os grupos recorrem a uma estratégia ainda mais insólita: apoderar-se de revistas abandonadas.

Quando uma publicação científica deixa de funcionar, o domínio da internet pode expirar. Algumas redes compram esses domínios e ressuscitam a revista, transformando-a num veículo para publicar milhares de artigos falsos.

Um exemplo citado no estudo é o da revista HIV Nursing, que originalmente pertencia a uma organização profissional de enfermagem no Reino Unido. Após deixar de publicar, o domínio foi adquirido por um grupo desconhecido, que passou a lançar centenas de artigos sobre temas completamente alheios à enfermagem, todos indexados em bases de dados científicas.

Como os cientistas descobriram as redes

Para identificar estes padrões, os investigadores recorreram a grandes bases de dados científicas, incluindo: Web of Science; Scopus; PubMed/MEDLINE; OpenAlex

Além disso, analisaram bases de dados especializadas em retratações científicas, como o Retraction Watch, bem como discussões críticas publicadas na plataforma PubPeer.

Os investigadores cruzaram também metadados de artigos — datas de submissão e aceitação, nomes de editores, padrões de autoria — procurando sinais de irregularidades.

Noutro projecto paralelo, a equipa criou um sistema automático que detecta inconsistências técnicas em artigos de engenharia e ciência dos materiais, por exemplo autores que descrevem equipamentos experimentais que nem sequer existem.

 

Um problema que ameaça a confiança na ciência

O crescimento destas redes preocupa seriamente a comunidade científica. Segundo os autores do estudo, se o fenómeno não for travado rapidamente, existe o risco de contaminar a literatura científica com informação falsa, algo que pode ter consequências graves, sobretudo em áreas como medicina, tecnologia ou políticas públicas.

«Se não criarmos consciência sobre este problema, comportamentos cada vez piores vão tornar-se normais», alerta Amaral. «E pode chegar um ponto em que será demasiado tarde.»

O investigador sublinha que denunciar o problema não é atacar a ciência, pelo contrário. «Algumas pessoas receiam que falar disto seja prejudicar a ciência», afirma. «Mas eu acredito que estamos precisamente a defendê-la»

Há ainda um factor adicional que pode agravar a situação: a inteligência artificial. Se bases de dados científicas contaminadas com estudos fraudulentos forem usadas para treinar sistemas de IA, esses sistemas poderão reproduzir e amplificar erros ou resultados falsos, criando um ciclo difícil de interromper.

«Se já não estamos preparados para lidar com a fraude actual, também não estamos preparados para aquilo que a inteligência artificial pode fazer à literatura científica», afirma Reese Richardson, investigador pós-doutorado e primeiro autor do estudo.

Para Amaral, a investigação teve um impacto pessoal inesperado. «Este foi provavelmente o projecto mais deprimente em que trabalhei na minha vida», confessou.

Desde criança, conta, sempre viu a ciência como um instrumento fundamental para compreender o mundo e melhorar a vida das pessoas. Descobrir que esse sistema pode ser manipulado por interesses financeiros foi, nas suas palavras, profundamente perturbador.

Ainda assim, insiste: ignorar o problema seria muito pior. «Se acreditamos que a ciência é importante para a humanidade”, conclui, “então temos de lutar para a proteger»

 

 

Arquivado em:Ciência, Notícias

Cinco minutos de natureza é a pausa mais barata contra o stress laboral

2 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Um estudo recente da Universidade de Cornell, publicado em março de 2026, conclui que pequenas pausas ao ar livre durante o dia de trabalho podem reduzir significativamente o stress e melhorar o bem-estar dos trabalhadores.

A conclusão surge num momento em que os níveis de tensão psicológica atingem valores preocupantes. De acordo com os investigadores, cerca de 76% dos adultos relatam níveis de stress que interferem com o funcionamento diário, um fenómeno que já se tornou estrutural nas economias desenvolvidas.

O estudo sugere que as organizações — desde empresas privadas a universidades — poderiam obter ganhos reais ao encorajar pausas ao ar livre, reorganizando horários, criando espaços exteriores utilizáveis e alterando culturas de trabalho que ainda valorizam a presença constante à secretária.

«Políticas organizacionais que incentivem o tempo passado na natureza durante o dia de trabalho podem ser uma intervenção acessível e equitativa para melhorar o bem-estar», defende Gen Meredith, investigadora do Departamento de Saúde Pública e Ecossistemas da Universidade de Cornell.

O custo invisível do stress

O stress laboral  é também um problema económico. Nos Estados Unidos, estima-se que custe até 187 mil milhões de dólares por ano em perda de produtividade e despesas médicas associadas.

Este fenómeno é particularmente visível em ambientes de trabalho intensivos em tarefas cognitivas: escritórios, universidades, centros tecnológicos ou serviços administrativos. Horários rígidos, cargas de trabalho elevadas e culturas profissionais que valorizam a disponibilidade permanente contribuem para um ciclo de tensão contínua.

Ao longo das últimas duas décadas, investigadores de diversas áreas — da psicologia ambiental à medicina preventiva — começaram a explorar um possível antídoto: o contacto com ambientes naturais. E as conclusões convergem.

 

A ciência das pequenas pausas verdes

O estudo de Cornell analisou os hábitos de trabalhadores antes, durante e após o período da pandemia de COVID-19. Durante o teletrabalho, muitos funcionários passaram a interagir mais frequentemente com espaços naturais — jardins, parques ou simplesmente ruas arborizadas. Os investigadores observaram melhorias relatadas na saúde mental e na gestão do stress.

Quando os trabalhadores regressaram aos escritórios, essa prática diminuiu drasticamente. As razões foram várias: menos tempo livre durante o expediente, deslocações longas, menor exposição à luz natural e, sobretudo, uma cultura organizacional que ainda olha com desconfiança para quem se afasta da secretária durante o horário de trabalho.

Mas os benefícios da natureza estão bem documentados. Um estudo citado pela Harvard Health Publishing demonstrou que 20 a 30 minutos em contacto com ambientes naturais reduzem significativamente os níveis de cortisol, a hormona associada ao stress.

Outras investigações mostram que os efeitos podem surgir ainda mais depressa. Segundo especialistas da Mayo Clinic, apenas cinco minutos ao ar livre podem regular o sistema nervoso responsável pela resposta ao stress, diminuindo a tensão física e melhorando o humor.

A própria fisiologia humana parece responder de forma imediata à presença de natureza.

O corpo também sente o verde

Uma revisão sistemática de mais de quarenta estudos sobre ambientes naturais concluiu que passeios, jardinagem ou simplesmente observar paisagens verdes podem provocar reduções mensuráveis na frequência cardíaca, na pressão arterial e nos níveis de stress percebido.

Esses efeitos refletem-se no funcionamento do organismo. Investigadores têm associado a exposição regular à natureza a menor risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade do sono e maior capacidade de concentração.

Há também impactos cognitivos. Alguns estudos em neurociência sugerem que caminhar em ambientes naturais reduz a atividade em áreas cerebrais ligadas à ruminação mental — o ciclo de pensamentos repetitivos frequentemente associado à ansiedade.

Em termos simples: o cérebro desacelera.

Uma pausa cultural, não apenas física

Apesar das evidências científicas, a principal barreira continua a ser cultural. O estudo de Cornell sublinha que muitos trabalhadores evitam sair do edifício durante o expediente por receio de parecerem menos produtivos. É um paradoxo moderno: práticas que poderiam aumentar a eficiência acabam desencorajadas por normas informais de trabalho.

Os próprios participantes do estudo sugeriram soluções relativamente simples, tais como reuniões informais ao ar livre, bancos e mesas em espaços exteriores, pausas legitimadas pela gestão e horários mais flexíveis que permitam aproveitar a luz do dia.

Algumas empresas tecnológicas e universidades já começaram a experimentar esse modelo, criando jardins de trabalho, trilhos pedonais internos e espaços de reunião ao ar livre.

 

Uma estratégia simples para um problema complexo

À medida que as organizações procuram soluções para a crise global de saúde mental, a proposta que emerge de Cornell passa por legitimar a pausa.

Não exige tecnologia sofisticada, programas caros ou novos departamentos de recursos humanos. Em muitos casos, basta abrir uma porta, atravessar um jardim ou caminhar alguns minutos sob as árvores. Para Meredith e os seus colegas, a natureza pode funcionar como uma espécie de «estação de reabastecimento» para trabalhadores exaustos.

Num mundo profissional cada vez mais acelerado, essa pausa breve — cinco, dez ou vinte minutos — pode ser a diferença entre o esgotamento silencioso e a recuperação possível.

E talvez seja também um lembrete de que, mesmo no centro das cidades, o bem-estar continua a crescer melhor ao ar livre.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Para além do inglês: construir escolas para um mundo multilíngue

2 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

É a língua oficial em 67 países e amplamente falada noutros 27. Domina os negócios internacionais, a ciência, a tecnologia e o ensino superior, e continua a ser a principal língua da internet, representando mais de 60% dos conteúdos que são publicados online.

Em suma, o inglês é a lingua franca global, e a capacidade de navegar neste mundo anglófono abre portas à educação, ao emprego e ao intercâmbio cultural.

Mas eis a realidade: a maioria das pessoas que fala inglês fá-lo juntamente com outras línguas – apenas cerca de 388 milhões são falantes nativos, enquanto quase 1,93 mil milhões usam o inglês como língua adicional. O multilinguismo não é a exceção, é a regra.

Em muitos países, é comum alternar entre línguas consoante o contexto: uma em casa, outra com amigos e ainda outra na escola. Os fluxos migratórios resultantes de conflitos e emergências climáticas tornam esta riqueza linguística cada vez mais visível em salas de aula que, antes, eram maioritariamente monolingues.

No entanto, em vez de valorizar este recurso, muitos sistemas educativos continuam a pedir aos alunos que ignorem ou reprimam parte dos seus repertórios linguísticos, chegando mesmo a penalizá-los por os utilizarem em aula ou em exames decisivos. É uma prática ultrapassada que desperdiça um dos maiores recursos para a aprendizagem: a língua.

Os benefícios de adotar uma abordagem multilingue no ensino e na aprendizagem – como a Aprendizagem Integrada de Conteúdos e Línguas (CLIL) – são inegáveis. O relatório The Future of Bilingual Education mostra que os alunos em programas bilingues têm maior autonomia, consciência intercultural e ambição global. 70,5% destes afirmam ver-se a estudar ou trabalhar no estrangeiro.

Para além disso, o ensino multilingue promove o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas, à medida que os alunos exploram conteúdos através de múltiplos enquadramentos linguísticos. Melhora a flexibilidade cognitiva e as funções executivas, que a investigação associa a um melhor desempenho académico e a uma maior capacidade de aprendizagem ao longo da vida.

As abordagens multilingues também promovem o desenvolvimento socioemocional, a empatia e o respeito pela diversidade, criando salas de aula que refletem os valores da cidadania global. A par, preparam os alunos para uma melhor empregabilidade, com os aprendentes bilingues a reportarem maior confiança em conseguir empregos no estrangeiro e em construir redes internacionais.

Para concluir, a educação multilingue não se resume à língua, ao dotar os alunos das competências, mentalidades e capacidade de adaptação necessárias para ter sucesso num mundo interligado.

As evidências são claras: o futuro é multilingue. O relatório do British Council The Future of English: Global Perspectives afirma que “o futuro será inevitavelmente multilingue.” Ao mesmo tempo, o estudo What’s Changed in English Language Teaching? destaca a crescente adoção de práticas plurilingues e de translanguaging, que reconhecem o valor de todas as línguas presentes na sala de aula de inglês.

Contudo, esta mudança mal se espalhou para além do ensino da língua inglesa e certamente não chegou à formação inicial de professores em muitos países. É aí que reside a urgência: precisamos de preparar todos os professores, não apenas os especialistas em línguas, para ensinar de formas que reflitam a realidade linguística dos seus alunos.

Países como Portugal têm uma oportunidade única de liderar esta transformação. Ao integrar o CLIL como prática comum e valorizar os repertórios linguísticos dos alunos, podemos criar escolas mais inclusivas, inovadoras e alinhadas com as realidades globais. Iniciativas nacionais como o “Programa Escolas Bilingues”, através do qual o British Council e o Ministério da Educação oferecem formação, orientação e apoio às escolas para implementar o ensino bilingue desde o jardim de infância até ao 9.º ano (e em breve até ao 12.º ano), já estão a formar estudantes multilingues.

Redes interuniversitárias como a Working CLIL apoiam projetos bilingues de base em várias escolas e estão na vanguarda da investigação. Organizações como a associação nacional de professores de inglês (APPI) oferecem oportunidades para os docentes partilharem e desenvolverem os seus interesses e competências em multilinguismo, em benefício de milhares de alunos em todo o país.

O trabalho já começou e está em curso. O que é certo é que, num mundo em constante mudança, não basta ensinar línguas. Precisamos de ensinar através delas.

Acredito ser desta forma que construiremos um sistema educativo que prepara cidadãos para viver, trabalhar e prosperar num futuro sem fronteiras.

Arquivado em:Opinião

«Sem interoperabilidade entre organismos do Estado, a inovação terá impacto limitado», afirma Fernando Reino da Costa

1 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

O responsável defende que a digitalização do Estado exige mais do que novas ferramentas: implica rever processos, reforçar competências dentro da Administração Pública e garantir interoperabilidade entre organismos para que os serviços funcionem como um sistema integrado.

Nesta entrevista à Líder, o gestor sustenta que o maior risco da transformação digital do setor público continua a estar menos na tecnologia e mais na forma como as organizações a integram. Aponta desafios como a revisão de processos ainda desenhados para realidades analógicas, a necessidade de atrair talento tecnológico para o Estado e a urgência de consolidar uma lógica ‘digital-first’. Sem interoperabilidade entre organismos e sem continuidade nas políticas públicas, alerta, qualquer aposta em inteligência artificial ou novos serviços digitais terá sempre impacto limitado.

Como avalia o momento atual da Estratégia Digital Nacional em Portugal? Estamos perante uma transformação estrutural ou ainda numa fase de intenções políticas?

A transformação digital começa pela vontade e planeamento estratégico. O que sentimos hoje é precisamente uma vontade transformadora renovada e enérgica, desde o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, até aos vários elementos da sua equipa. Este alinhamento é fundamental, porque o sucesso da Estratégia Digital Nacional vai muito além de estarmos a viver um momento único de inovação tecnológica impulsionado pela Inteligência Artificial.

A tecnologia já existe e está madura. O verdadeiro desafio está na sua aplicação em contextos reais, de forma consistente, com impacto concreto nos serviços públicos e na vida dos cidadãos.

É aqui que a cultura organizacional assume um papel determinante: a transformação só acontece quando existe uma mobilização coletiva para fazer diferente, para experimentar, para inovar e para colocar a tecnologia ao serviço de resultados claros.

Nesse sentido, os sinais são positivos. Temos assistido ao lançamento e preparação de várias iniciativas com um claro propósito transformador. A criação de entidades como a ARTE – Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, bem como a definição de uma Arquitetura Comum de TIC para toda a Administração Pública, demonstram que Portugal está a avançar com uma visão mais unificada, estruturada e de longo prazo para a transformação digital do Estado.

No entanto, o desafio é escalar. É essencial acelerar a implementação destes projetos, garantindo o envolvimento efetivo das pessoas e das organizações. Apesar de um contexto que continua a ser desafiante do ponto de vista do investimento, vemos que estão a ser lançadas várias iniciativas e projetos estruturantes, alguns dos quais com o nosso contributo direto.

Para que esta transformação se consolide de forma sustentável, é necessário assegurar a continuidade das políticas, a estabilidade dos programas de financiamento e, sobretudo, a capacidade de mobilizar as pessoas para adotarem a tecnologia como um verdadeiro motor de inovação e transformação. Só assim será possível responder, de forma eficaz, às necessidades atuais e futuras do Estado e dos cidadãos e empresas.

 

Que papel considera que as empresas tecnológicas nacionais, como a Unipartner, devem assumir na execução desta estratégia?

As empresas nacionais têm uma responsabilidade dupla: contribuir para a modernização do país e demonstrar que Portugal tem capacidade de gerar conhecimento tecnológico de referência. A Unipartner tem assumido esse papel ao longo da última década, apoiando entidades públicas em áreas como o atendimento ao cidadão, a modernização aplicacional, a segurança, a gestão de processos e documentos, as infraestruturas Cloud e adoção de IA.

O facto de o Estado apostar agora em iniciativas como a Política Nacional de Dados, o Novo Regime de Interoperabilidade e a Agenda Nacional de Inteligência Artificial permite-nos centrar o nosso contributo em trazer inovação aplicada, acelerar a adoção de tecnologia, e garantir que o Estado absorve as melhores práticas e metodologias internacionais já testadas em mercados europeus onde temos vindo a atuar há vários anos.

 

Quais são, na sua perspetiva, os três maiores desafios para uma verdadeira digitalização do setor público?

A digitalização do setor público enfrenta hoje desafios que são estruturais e profundos. Primeiro, temos o nosso enquadramento legal e a própria organização do Estado, que necessitam de revisão em várias áreas, com vista à prestação de serviços mais eficazes e eficientes. Por outro lado, há necessidade de simplificar e integrar processos antes de lhes aplicar tecnologia. Muitos organismos continuam a operar com modelos e fluxos de trabalho concebidos para realidades analógicas; enquanto estes não forem redesenhados, qualquer modernização será sempre limitada.

Em segundo lugar,

é essencial reforçar a capacidade interna do Estado, tanto ao nível da atração de talento tecnológico como da capacitação contínua das equipas. Sem competências atualizadas, a adoção de novas soluções torna‑se lenta e desigual.

Por fim, a consolidação de uma verdadeira lógica de ‘digital-first’ continua a ser um desafio determinante. Sem uma visão integrada e uma arquitetura comum entre sistemas públicos, a eficiência e a experiência do cidadão permanecem fragmentadas, mesmo quando existem investimentos significativos em tecnologia.

 

A digitalização do Estado implica mudança tecnológica, mas também cultural. Como se lidera esta transformação dentro das organizações públicas?

A liderança começa na definição da visão e propósito de cada organização. É fundamental criar um contexto em que os dirigentes compreendam o impacto da transformação digital e consigam motivar equipas para novas formas de trabalhar. Projetos que acompanhámos mostram que a comunicação interna, a capacitação contínua e o envolvimento dos utilizadores na definição das soluções são determinantes para o sucesso.

A Estratégia Digital Nacional deixa claro que transformação não é apenas tecnologia, é cultura, competências e governação. A criação da figura do CTO do Estado, os novos modelos de governação digital e a aposta em programas como o Ecossistema de Inovação Digital na AP ajudam a criar condições de liderança mais sólidas.

 

Que erros têm sido cometidos em projetos de transformação digital no setor público e como podem ser evitados?

Os erros mais comuns incluem a implementação tecnológica sem uma revisão prévia dos processos, a falta de envolvimento dos utilizadores desde o início, a dependência excessiva de soluções isoladas sem integração, e por fim, mas não menos importante, a subestimação do esforço de gestão da mudança.

Consideramos que, em muitos casos, falta uma visão orçamental abrangente e de médio prazo nas iniciativas de transformação digital. O que temos visto é que as iniciativas mais estruturantes tendem a centrar‑se excessivamente na implementação tecnológica, descurando o esforço necessário de estabilização após a entrada em produção, a gestão da mudança e programas alargados de capacitação e motivação dos funcionários públicos. Falta, igualmente, uma visão orçamental de médio prazo que assegure, de forma sustentável, a adaptação, a melhoria contínua e o acompanhamento da utilização das soluções, tanto ao nível tecnológico como dos processos que pretendem inovar.

Estas questões evitam‑se com planeamento, arquitetura, envolvimento das partes interessadas e uma visão orçamental mais abrangente. Na nossa experiência, os projetos mais bem-sucedidos foram aqueles que combinaram visão estratégica alargada com execução criteriosa, bem como capacitação das equipas para que estejam mais predispostas a utilizar o digital para inovarem e tornarem-se mais produtivas.

 

De que forma a experiência acumulada da Unipartner em projetos para o Estado pode acelerar esta nova fase da Estratégia Digital Nacional?

A Unipartner acumula uma década de experiência em modernização tecnológica e apoio ao setor público, com centenas de projetos em áreas como a automação de processos, novas formas de trabalhar com Inteligência Artificial, modernização de sistemas e datacenters, infraestruturas Cloud, cibersegurança, entre outros. Esta experiência permite-nos trazer soluções replicáveis, abordagens e metodologias já testadas e com resultados comprovados, modelos de governação robustos e aceleradores tecnológicos que reduzem tempo de implementação e risco.

A nossa atividade internacional, como por exemplo, com instituições como a OCDE, a European Training Foundation ou o Turismo e Polícia Irlandesa, onde competimos com players globais, também nos permite trazer ao Estado português diferentes visões aplicadas noutras regiões com sucesso.

 

Que tecnologias considera prioritárias nesta fase — inteligência artificial, automação, cloud soberana, interoperabilidade? Onde deve o Estado concentrar investimento?

A prioridade tecnológica deve concentrar‑se naquelas áreas que criam capacidade transversal e impacto imediato. A interoperabilidade é o ponto de partida, porque é o que permite ao Estado funcionar como um ecossistema coeso, evitando redundâncias e assegurando que a experiência do cidadão é contínua e intuitiva.

No entanto, a Inteligência Artificial está hoje a assumir um papel central nesta transformação, sobretudo em áreas como o atendimento, a automatização documental e a análise avançada de dados, onde já temos conseguido obter ganhos concretos em vários projetos recentes. A automação inteligente com IA permite libertar recursos para funções mais críticas e acelerar significativamente tempos de resposta. Paralelamente, o investimento em infraestruturas seguras e modelos de cloud soberana é fundamental para garantir resiliência, confiança e capacidade de escalar serviços.

Ou seja, a tecnologia deve ser vista e aplicada de forma integrada e não isolada, e o investimento deve refletir essa visão alinhada com as prioridades e responsabilidades de cada organismo público.

 

Como garantir que a digitalização melhora efetivamente a experiência do cidadão e não apenas a eficiência interna dos serviços?

A resposta está na medição do impacto do serviço ao cidadão. A digitalização deve começar sempre pela perspetiva do cidadão: rapidez, simplicidade e acessibilidade.

É fundamental envolver os utilizadores para identificar de forma efetiva as suas necessidades e expectativas, medir o serviço, ter a capacidade para evoluir continuamente e ajustar o serviço à procura. Alguns dos projetos que conduzimos mostram que a cocriação com serviços públicos resulta em soluções mais intuitivas e com maior adesão.

Em linha com a Estratégia Digital Nacional, o objetivo é que tenhamos um Estado proativo, com 100% dos serviços digitais, mas inclusivos e centrados nos cidadãos.

 

Que competências devem os líderes da Administração Pública desenvolver para conduzirem processos de transformação digital com sucesso?

São vários os vetores que deveríamos desenvolver na AP, para que o conhecimento não se centre nas tecnologias em si, mas sobretudo no impacto que estas têm nos modelos de operação e na entrega de serviços públicos. É igualmente crucial que se reforcem competências de gestão da mudança, já que qualquer transformação depende da capacidade de envolver equipas, gerir expectativas e criar um ambiente propício à adoção de novas práticas.

Realço também a tomada de decisão baseada em dados, que deve passar a ser um pilar estrutural, substituindo abordagens assentes sobretudo em experiência e intuição. Finalmente, é essencial cultivar uma mentalidade de inovação, uma disposição para experimentar, avaliar, ajustar e evoluir continuamente. Só com estes elementos combinados é possível conduzir transformações que perdurem e produzam valor real para a sociedade.

 

Como se equilibra inovação com segurança, privacidade e confiança dos cidadãos?

O equilíbrio não é um compromisso entre inovação e segurança: é uma condição para que a inovação seja sustentável. A tecnologia só cria confiança quando os cidadãos sentem que os seus dados estão protegidos e que os serviços públicos funcionam de forma transparente, segura e previsível. Por isso, qualquer iniciativa digital deve nascer com uma abordagem de security & privacy by design, que nos leva a incorporar, desde o primeiro desenho, princípios de proteção de dados, mecanismos sólidos de autenticação, modelos de controlo de acesso e monitorização contínua de risco.

Na prática, este equilíbrio constrói‑se ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos. Em muitos dos trabalhos que temos realizado com instituições públicas e privadas, aquilo que se revela determinante não é apenas a tecnologia escolhida, mas a forma como se governa a sua adoção: políticas claras de gestão de dados, processos disciplinados de revisão de segurança, ciclos de melhoria contínua e equipas com competências para interpretar riscos e agir rapidamente perante incidentes.

A experiência mostra-nos que quando ajudamos os clientes a introduzir automação, IA ou novos serviços digitais, o desafio raramente está na inovação em si – está na criação de condições para que essa inovação seja robusta, auditável e confiável. É esse trabalho silencioso, mas essencial, desde a gestão de identidade à classificação da informação, que garante que a modernização não compromete a privacidade dos cidadãos nem a resiliência das organizações. E quando estas fundações estão bem montadas, a inovação acontece com muito mais segurança e muito mais impacto.

 

Na sua experiência, o que distingue um projeto de transformação digital bem-sucedido de um que falha? É tecnologia, liderança ou cultura?

O que realmente distingue um projeto bem‑sucedido é a capacidade de alinhar três dimensões fundamentais: liderança, cultura e tecnologia, mas não de forma abstrata. A liderança é determinante porque define ambição, o objetivo que realmente se pretende atingir com o projeto, clarificando prioridades e removendo barreiras. Sempre que trabalhámos com organizações onde existia patrocínio executivo claro e continuidade nas decisões, os projetos avançaram com ritmo, foco e impacto.

A cultura é o fator que sustenta essa liderança no dia a dia. Não basta adotar novas ferramentas; é necessário que as equipas se revejam nas mudanças, compreendam que o benefício deve ser para o serviço público e em última instância para o cidadão, e estejam preparadas para abandonar práticas antigas. Ao longo de vários projetos, vimos que a diferença surge quando as equipas participam desde o início: cocriam, testam, desafiam e fazem parte da solução.

A tecnologia é, por fim, o acelerador. Mas não é o ponto de partida.

Quando a tecnologia é escolhida antes de se clarificar o problema, o resultado tende a ser soluções pouco utilizadas ou rapidamente obsoletas.

Quando é usada para apoiar um modelo de operação claro, com objetivos mensuráveis e equipas preparadas, então sim, torna‑se um catalisador. É esta combinação, e não qualquer um destes elementos isoladamente, que determina o sucesso de uma verdadeira transformação digital.

 

Se pudesse definir uma prioridade absoluta para os próximos três anos na digitalização do Estado português, qual seria e porquê?

A prioridade mais urgente deveria ser garantir uma interoperabilidade plena e eficiente entre os organismos do Estado, não sendo apenas um tema técnico, mas sim uma reforma estrutural. Significa simplificar processos, redesenhar responsabilidades entre organismos, harmonizar modelos de dados e criar padrões que permitam ao Estado agir como uma entidade coerente.

Sem essa base, qualquer investimento em IA, novos serviços digitais ou modernização de sistemas continuará a ter impacto limitado. Temos visto isso em muitos projetos: a inovação só se traduz em valor quando os dados fluem entre entidades, quando os processos deixam de estar fragmentados e quando o cidadão não precisa de repetir a mesma informação dezenas de vezes.

Se conseguirmos caminhar de forma acelerada neste sentido, tudo o resto avança com muito mais velocidade: desde a automatização inteligente ao atendimento omnicanal, desde a eficiência operacional à criação de melhores serviços para os cidadãos e para as empresas.

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