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Marcelo Teixeira

Lusíadas do espaço: Camões, Pessoa, Agustina e Saramago rumo ao infinito

1 Abril, 2026 by Marcelo Teixeira

Quatro desses satélites — Camões, Agustina, Pessoa e Saramago — são vozes que moldaram a alma da nossa literatura, agora projetadas para orbitar além do nosso olhar. Fazem parte da constelação Lusíada, um sonho ambicioso de comunicações marítimas que pretende reinventar o modo como os navios se conectam em meio ao azul infinito, tornando‑se quase um «Waze dos oceanos», como Ivo Vieira, CEO da LusoSpace, tão bem descreveu.

Este sistema, ainda em crescimento, com vários satélites a compor a teia orbital, quer garantir que qualquer embarcação, por mais perdida no meio do Atlântico que esteja, consiga dialogar com o mundo, enviar avisos meteorológicos em tempo real, alertas de perigo e coordenadas de socorro como nunca antes fora possível.

Junto a estes quatro pilar orbitais, outros dois satélites — um radar SAR da Força Aérea Portuguesa e um satélite ótico VHRLight NexGen do CEiiA/N3O — juntam‑se à missão como guardiões técnicos e vigilantes da Terra, destinados à observação e monitorização de áreas estratégicas e ambientais.

O ISQ e a força da preparação

Antes de deixarem o solo português rumo às estrelas, os satélites Camões, Agustina, Pessoa e Saramago passaram por um rigoroso ritual de preparação no laboratório do ISQ. Cada ensaio foi um gesto de antecipação, um ato de colocar a armadura mais resistente antes de enfrentar um lugar revolto.

O ISQ realizou três tipos principais de testes ambientais, essenciais para garantir que cada satélite sobrevivesse às tensões do lançamento e às condições extremas do espaço:

Teste de Vibração – Simula a intensidade do lançamento, desde o rugido do foguetão Falcon 9 até os tremores que percorrem cada painel e cada circuito. É a prova de que o satélite não se desmorona quando atravessa a atmosfera como uma flecha de metal.

Teste Termovácuo – Repete as condições térmicas e o vácuo do espaço. Durante esta prova, os satélites enfrentam variações extremas de temperatura, do frio cortante ao calor que desafia qualquer metal, garantindo que os seus sistemas funcionem perfeitamente no ambiente sem ar e sem calor constante.

Teste de Compatibilidade Eletromagnética (EMC/EMI) – Cada subsistema do satélite é submetido a campos eletromagnéticos para confirmar que não há interferência prejudicial entre componentes. É o momento em que se certifica que a orquestra tecnológica de cada satélite toca em harmonia, sem distorções que possam comprometer a missão.

O significado por trás da máquina

Mas mais do que circuitos, painéis solares e vibrações testadas a rigor — para garantir que nada falha na imensidão do espaço — este lançamento traduz um desejo profundo: dar ferramentas à nossa nação para olhar para além de fronteiras tangíveis e se afirmar num palco onde ciência, cultura e futuro se entrelaçam.

E é impossível encerrar este dia sem voltar o olhar para o momento que antecedeu tudo isto: a Líder marcou presença há meses no batismo do satélite Saramago,nas mãos firmes e na voz serena de Pilar del Río, viúva do escritor. Ela, que carregou e traduziu a obra de um dos maiores nomes da literatura portuguesa, conferiu nome e espírito a um artefacto que agora viaja entre as estrelas.

Na sua entrevista, Pilar recordou que este gesto ultrapassa a mera tecnologia: é um reflexo dos nossos valores mais íntimos. Ao batizar o satélite com o nome Saramago, somos convidados a pensar como o autor, a sentir como ele sentia, deixando nas galáxias a sua frase eterna: «nós somos o outro do outro».

O que fica depois do lançamento?

Hoje, os seis satélites já singram silenciosamente a órbita terrestre. Dentro de meses, os primeiros sinais de comunicação marítima começarão a fluir. Em 2027, já com uma constelação completa, Portugal verá nascer uma ponte de esperança entre quem cruza mares e quem os observa da costa.

E nos olhos de quem assistiu, como Pilar, ficou a certeza de que aquele momento, mais do que um feito de engenharia, foi uma declaração de ambição e um tributo à dimensão humana dos livros à ciência.

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Quanto custa viver em Portugal quando o mundo entra em guerra

31 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Nos relatórios económicos publicados em janeiro lê-se que a inflação está a desacelerar. Mas para muitas famílias portuguesas o custo de vida continua a pressionar o orçamento. E há uma razão clara para isso: parte dos aumentos dos últimos anos tornou-se permanente e agora as tensões energéticas voltam a empurrar preços para cima. No centro desta equação está um lugar distante de Portugal, mas decisivo para a economia mundial: o estreito de Ormuz.

O estreito que pode mudar o preço de tudo

Entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico existe uma passagem marítima estreita que funciona como uma artéria energética do planeta. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo e uma parte significativa do gás natural liquefeito utilizado para produzir eletricidade. Quando há risco militar naquela região, os mercados reagem imediatamente. Foi o que aconteceu nas últimas semanas.

O preço do petróleo subiu rapidamente para mais de 110 dólares por barril, depois de meses a circular entre os 70 e os 80. Pode parecer um movimento distante, reservado aos mercados financeiros. Na prática, é um choque económico que se propaga por toda a cadeia de preços.

Porque o petróleo continua a ser a matéria-prima invisível de grande parte da economia. Assim, organizações económicas internacionais, como a OCDE, já estimaram que o conflito no Médio Oriente pode ter elevado as projeções de inflação global para 2026, acrescentando mais de um ponto percentualmente às expectativas anteriores, devido à subida dos preços de energia, comida e transporte.

Combustíveis: a primeira fatura da crise

Uma das formas mais imediatas de sentir o impacto da guerra no Médio Oriente no dia a dia das famílias portuguesas é olhar para os preços dos combustíveis — uma conta que pesa no orçamento de milhões de pessoas e que condiciona toda a cadeia de preços na economia.

Nos dados oficiais mais recentes sobre preços em Portugal, o preço médio da gasolina simples 95 estava em torno de €1,78 por litro na primeira metade de março de 2026, enquanto o diesel rondava os €1,82/litro — valores acima da média da União Europeia e em níveis elevados face a meses anteriores.

Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), quando se calcula o chamado ‘preço eficiente’ (que reflete cotações internacionais, custos logísticos e margens), o gasóleo simples ultrapassou mesmo os €2,04 por litro e a gasolina simples 95 aproximou‑se dos €1,93/litro entre 16 e 22 de março de 2026.

Para colocar estes valores em contexto: comparando com o início de 2025, os preços de referência dos combustíveis em Portugal subiram de forma consistente ao longo do mesmo ano e início de 2026, com revisões semanais a refletirem as cotações internacionais; em março, muitos dos aumentos semanais resultaram de crescimentos de dois dígitos nas cotações internacionais do petróleo e produtos refinados, parte dos quais diretamente associados às tensões no estreito de Ormuz e ao receio de cortes de oferta.

Estes preços altos têm impacto imediato no custo de vida. Portugal depende fortemente de transporte rodoviário para abastecer: supermercados fábricas, comércio. A maior parte das mercadorias chega ao destino em camiões movidos a gasóleo. Cada cêntimo a mais por litro traduz‑se em custos mais altos de transporte de alimentos, bens industriais e matérias‑primas que mais tarde acabam refletidos no preço final ao consumidor.

Em resumo, os combustíveis são um termómetro da economia e, neste momento, um espelho das tensões que se vivem no mercado energético global.

O supermercado ainda sente os choques anteriores e a guerra agravou tudo

Olhar para o preço dos alimentos em Portugal hoje é olhar para uma história de choques sucessivos que não desapareceram do dia para a noite. Mesmo antes da atual tensão no Médio Oriente — que está agora a pressionar novamente o mercado energético mundial — os preços alimentares tinham subido de forma persistente e contínua ao longo dos últimos anos. Vamos por partes. A Pandemia de Covid‑19 (2020–2022)
originou perturbações nas cadeias logísticas, encerramento de fábricas e gargalos nos portos criaram escassez pontual de produtos e pressão sobre preços básicos. Depois a Guerra na Ucrânia (2022 em diante) com a invasão russa levou a rupturas no fornecimento de cereais, sementes oleaginosas e fertilizantes, setores em que Rússia e Ucrânia são grandes produtores mundiais. A Crise energética na Europa (2022–2024) com a subida do gás natural e do petróleo elevou os custos de produção agrícola, de transporte e de transformação alimentar.

Há ainda as perturbações nas cadeias logísticas entre atrasos nos portos, falta de mão de obra e custos de transporte elevados, os bens demoraram mais a chegar ao destino — tudo refletido no preço final.

O resultado destes choques sucessivos é claro nas estatísticas oficiais: mesmo quando a inflação geral abrandou, os preços dos alimentos permaneceram consistentemente elevados, criando um novo patamar de custos que não foi revertido.

O que dizem os números oficiais

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE): em fevereiro de 2026, os preços dos produtos alimentares aumentaram cerca de 3,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Mesmo parecendo uma subida moderada comparada com anos anteriores, isso revela uma pressão persistente nos preços que ainda não desapareceu da vida das famílias.

Quando se olha para um período mais longo — por exemplo, desde 2020 — muitos produtos essenciais registaram aumentos acumulados que ultrapassam os 20% ou mais.

Isto significa que, ainda que a inflação anual em termos agregados esteja hoje em patamares mais baixos, os preços dos alimentos continuam substancialmente mais altos do que antes dos choques sucessivos, e raramente voltam para trás depois de subirem.

Casa: o verdadeiro centro do problema com números oficiais

Quando se fala de custo de vida, há poucas despesas tão determinantes quanto a habitação, seja como renda, seja como prestação de crédito à habitação. Nos últimos anos, essa pressão cresceu de forma significativa em Portugal.

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços da Habitação registou uma subida de 17,6% em 2025, o maior aumento anual desde que este indicador é publicado. Isto significa que os preços das casas que se vendem no mercado aumentaram quase 18% num ano, com as casas já existentes a subir mais (18,9%) do que as novas (14,2%).

Esse aumento coloca ainda mais pressão sobre quem compra casa, porque, mesmo com taxas de juro um pouco mais baixas do que nos picos recentes, o custo de acesso à habitação está longe de ser equilibrado com os rendimentos.

Um estudo recente do Banco de Portugal mostra precisamente isso: para uma família com rendimento mediano, a prestação do crédito à habitação pode absorver mais de 40% do rendimento mensal — um nível que os economistas consideram sinal de sobrecarga financeira.

Despejos em forte crescimento

Relatórios do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), enviados pelo Ministério da Justiça, em 2025, deram entrada no Balcão do Arrendatário e do Senhorio (BAS) 2.562 pedidos de procedimento especial de despejo, praticamente o mesmo número que em 2024, com um aumento próximo de 1%. Ainda assim, o número de despejos efetivamente concretizados disparou: foram emitidos 1.447 títulos de desocupação do locado, incluindo processos iniciados em anos anteriores, o que representa um crescimento de 44% face ao ano anterior, escreve a publicação.

A maioria destes despejos está associada ao incumprimento do pagamento da renda, um problema que tem raízes na combinação de salários que não acompanham os preços e rendas que continuam a subir em muitas zonas urbanas intensamente procuradas.

Sem‑abrigo: o outro lado da habitação

A questão da habitação em Portugal não se esgota nos preços e despejos e tem também um reflexo social dramático na vida de milhares de pessoas.

Segundo o Inquérito de Caracterização das Pessoas em Situação de Sem‑Abrigo, realizado com referência a 31 de dezembro de 2024, em Portugal continental foram registadas 14 476 pessoas em situação de sem‑abrigo, um número que representa um aumento de 1 348 pessoas em relação a 2023. Destes, 9 403 viviam sem teto (nas ruas e espaços públicos) e 5 073 encontravam‑se sem casa, em alojamentos temporários ou respostas de emergência.

Essas pessoas não são apenas invisíveis; muitas delas aparecem em abrigos temporários ou mesmo nas ruas das grandes cidades, e cada vez mais por não conseguirem pagar uma renda ou manter um lugar fixo para viver.

Quando a casa consome mais do que permite viver

O que todos estes números mostram é uma realidade simples, mas profunda: os preços das casas estão em máximos históricos, muito acima do crescimento dos rendimentos. Pagar uma casa através de crédito exige uma fatia muito grande do rendimento familiar — frequentemente acima dos 40%. Os despejos estão a subir fortemente, um sinal de que muitas famílias não conseguem acompanhar rendas e encargos. O número de pessoas sem‑abrigo continua a aumentar, mostrando que a crise habitacional tem consequências sociais profundas.

Quando a habitação absorve uma parte tão grande do rendimento, sobra menos para alimentação, transportes, saúde, educação e lazer. E em muitos casos, a dificuldade de aceder a uma casa segura — seja por compra ou arrendamento — transforma‑se não numa crise social que Portugal ainda não conseguiu resolver.

A geopolítica entra na carteira

Durante décadas, muitos portugueses viram as guerras no Médio Oriente como acontecimentos distantes. Hoje isso mudou. O mundo energético está profundamente interligado. Uma crise numa rota marítima pode alterar o preço da energia em poucos dias e afetar economias a milhares de quilómetros de distância.

Portugal não é exceção. A dependência energética externa torna o país particularmente sensível a estes choques. No final, a economia mede-se menos em índices e mais em escolhas. Escolher viver mais longe da cidade. Escolher usar menos o carro. Escolher adiar a compra de casa.

Cada uma dessas decisões nasce do mesmo ponto: o equilíbrio difícil entre rendimentos e despesas. E esse equilíbrio tornou-se mais frágil nos últimos anos. Porque o custo de vida já não depende apenas do que acontece dentro das fronteiras de um país. Depende também daquilo que acontece em lugares distantes — rotas marítimas, conflitos regionais, mercados energéticos.

Às vezes, um estreito no Golfo Pérsico pode parecer muito longe. Mas basta olhar para o talão do supermercado ou para o visor da bomba de gasolina para perceber que, na economia global, não está assim tão longe quanto isso.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Do reconhecimento ao financiamento de empresas de excelência em Cabo Verde

31 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A cerimónia, realizada em Cabo Verde na cidade da Praia, decorreu no âmbito de uma parceria entre a Pró-Garante e a iniciativa Empresa Excelência, promovida pela BTOC.

Transformar mérito em acesso ao crédito

No seu discurso, a presidente do conselho de administração da Pró-Garante, Antónia Cardoso, destacou que o reconhecimento do mérito empresarial vai além de uma simples certificação. «Valorizamos as boas práticas empresariais, representando confiança, transparência e credibilidade», afirmou.

Segundo Cardoso, a entrega das 25 garantias pré-aprovadas, num montante global de 1,485 milhões de contos, permite operações que podem chegar a 75 milhões de escudos, com coberturas entre 50% e 80%, tornando o financiamento mais ágil, previsível e acessível.

«Ao associar mérito empresarial ao acesso ao financiamento, estamos a construir uma economia mais transparente, inclusiva e dinâmica, acrescentou, apelando às empresas a continuarem a liderar.

Até fevereiro de 2026, a Pró-Garante já concedeu mais de 4.600 garantias, mobilizando mais de 11 milhões de escudos em crédito e contribuindo para a sustentação de mais de 28 mil empregos, números que refletem o impacto da instituição na economia nacional.

«Quando reconhecemos o mérito e abrimos portas ao financiamento, não estamos apenas a apoiar empresas, estamos a assegurar o futuro de Cabo Verde», concluiu.

Garantias pré-aprovadas: uma ponte estratégica

O gestor de projectos da BTOC, Pedro Andrade, explicou que as garantias pré-aprovadas resultam de um mecanismo criado no âmbito da iniciativa Empresa Excelência, que certifica empresas com base em desempenho, governação e fiabilidade.

Segundo Andrade, este instrumento constitui uma mais-valia para as empresas certificadas, oferecendo condições preferenciais de crédito e criando uma ponte estratégica entre as empresas Excelência.

A iniciativa tem abrangência nacional e é aberta a todas as empresas do setor privado. Nesta fase, a maioria das empresas certificadas pertence às ilhas de Santiago, Sal e São Vicente, estando prevista a entrega de garantias a empresas de outras ilhas em futuras fases.

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Talento sem fronteiras: o papel crítico da mobilidade internacional

31 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

O que define hoje uma estratégia eficaz de Mobilidade Global e Relocation para empresas com ambição internacional?

Enquanto empresa especializada em imigração e realocação, consideramos que uma estratégia eficaz de mobilidade global é hoje um elemento crítico para o crescimento sustentável de organizações com ambição internacional. Não se trata apenas de movimentar colaboradores entre geografias, mas de estruturar um ecossistema integrado onde mobilidade, compliance e experiência do colaborador estejam totalmente alinhados com os objetivos de negócio.

Uma abordagem eficaz exige uma visão holística que combine planeamento estratégico, rigor legal e fiscal, eficiência operacional e uma forte componente de employee experience. A mobilidade deve ser encarada como um investimento — e não apenas como um custo —, com impacto direto na capacidade de atrair, desenvolver e reter talento global.

Adicionalmente, a incorporação de tecnologia e de data-driven insights permite otimizar processos, antecipar desafios e garantir maior previsibilidade. Num contexto global cada vez mais dinâmico, a flexibilidade e a capacidade de adaptação são determinantes para assegurar competitividade e resiliência.

 

Num contexto de escassez de talento e crescente mobilidade, o que distingue uma abordagem especializada em relocation face a soluções mais tradicionais ou internas?

A principal diferença reside no nível de especialização, antecipação e qualidade de execução. Enquanto empresa especializada em imigração e realocação, trazemos um conhecimento aprofundado dos enquadramentos legais e operacionais de cada mercado, bem como uma capacidade comprovada de gerir processos complexos de forma eficiente e em conformidade. Esta especialização permite não só garantir conformidade, mas também reduzir significativamente riscos e tempos de execução.

Ao contrário de abordagens internas, frequentemente limitadas por recursos e know-how específico, uma solução especializada permite uma gestão proativa dos processos, reduzindo riscos e evitando atrasos que podem comprometer tanto a experiência do colaborador como os objetivos da empresa.

Para além disso, asseguramos um acompanhamento personalizado, com uma abordagem centrada no colaborador e na sua família, reconhecendo que o sucesso de uma mobilidade internacional depende de fatores profissionais e pessoais. A nossa rede local de parceiros e a experiência acumulada permitem garantir uma transição mais fluida, consistente e de elevada qualidade, reforçando a proposta de valor das empresas junto do talento internacional.

Trabalhamos em estreita colaboração com as equipas de Recursos Humanos, atuando como uma extensão das mesmas, com o objetivo de garantir uma experiência positiva e consistente ao longo de todo o processo. O foco não é apenas a conformidade e a eficiência operacional, mas também o bem-estar, a satisfação e a retenção — porque colaboradores bem acompanhados são um fator crítico para o sucesso das organizações.

 

Quais são os principais benefícios que uma gestão estruturada de mobilidade internacional traz às empresas — tanto ao nível da retenção como da performance dos colaboradores?

Uma gestão estruturada de mobilidade internacional traduz-se em benefícios claros e mensuráveis. Desde logo, permite reduzir significativamente o tempo de adaptação do colaborador ao novo contexto, acelerando a sua integração e contribuindo para um desempenho mais rápido e eficaz.

Ao assegurar uma experiência de relocation fluida e bem acompanhada — incluindo suporte à família — contribui-se diretamente para níveis mais elevados de engagement, satisfação e estabilidade emocional, fatores que impactam positivamente a produtividade e a retenção.

Um fator diferenciador crítico é o conhecimento local. A presença no terreno e o profundo entendimento do mercado — desde práticas imobiliárias e enquadramento legal até dinâmicas culturais e sociais — permitem antecipar desafios, evitar erros comuns e garantir soluções mais rápidas e eficazes. Este know-how traduz-se numa experiência mais segura, eficiente e alinhada com a realidade do país de destino.

Do ponto de vista estratégico, uma abordagem estruturada proporciona maior controlo de custos, mais transparência nos processos e mitigação de riscos legais e fiscais. Permite ainda às empresas posicionarem-se como empregadores de referência a nível internacional, reforçando a sua capacidade de atrair e reter talento altamente qualificado.

 

Que fatores são hoje críticos para garantir o sucesso de uma mudança internacional, tanto do ponto de vista do colaborador como da organização?

Com base na experiência no terreno, o sucesso de uma mudança internacional assenta em quatro pilares fundamentais: planeamento, compliance, experiência e acompanhamento contínuo.

O planeamento antecipado é essencial para garantir que todos os aspetos — desde vistos e autorizações de residência até questões logísticas e habitacionais — são tratados de forma atempada e estruturada. A componente de compliance é igualmente crítica, assegurando o cumprimento de todos os requisitos legais e fiscais e evitando riscos para o colaborador e para a empresa.

A experiência do colaborador deve estar no centro de todo o processo. Isto inclui não só o apoio direto ao profissional, mas também à sua família, cuja adaptação é frequentemente determinante para o sucesso da mobilidade. O apoio no destino — desde a procura de casa até à integração cultural — tem um impacto direto na estabilidade e no bem-estar.

Por fim, o acompanhamento contínuo e uma comunicação clara e transparente são essenciais para gerar confiança, gerir expectativas e assegurar uma experiência positiva e sustentável ao longo de todo o processo.

Na Eres Relocation, acreditamos que cada mobilidade é única. É por isso que combinamos conhecimento técnico, experiência local e uma abordagem humanizada para garantir não apenas uma mudança bem-sucedida, mas uma experiência verdadeiramente diferenciadora.

 

Este conteúdo integra a edição da newsletter ‘Em Foco’ dedicada ao tema ‘Mobilidade Global e Relocation’. Subscreva aqui as nossas newsletters.

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TP aposta na liderança feminina com primeiro Women Summit em Portugal

30 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A iniciativa reuniu líderes, colaboradores e parceiros da organização para discutir os desafios que ainda persistem na participação das mulheres no mercado laboral e o contributo das empresas para a criação de ambientes profissionais mais inclusivos e equitativos.

Num contexto em que diversidade e inclusão são cada vez mais reconhecidas como fatores determinantes para a inovação e competitividade das organizações, os dados continuam a revelar assimetrias significativas. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa média global de participação feminina na força de trabalho situa-se nos 48,5%, enquanto a dos homens atinge os 75%, uma diferença de 26,5 pontos percentuais.

«Promover a igualdade de oportunidades é uma questão de representatividade, mas também uma condição base para liderar organizações mais inovadoras, mais resilientes e mais preparadas para responder aos desafios de um mundo em constante transformação», afirmou Pedro Gomes, CEO da TP em Portugal.

Para Ana Sanches, vice-presidente de ESG e Desenvolvimento Organizacional da empresa, o reconhecimento do talento deve ser acompanhado por condições concretas que permitam o seu crescimento. «Com o TP Women Summit queremos estimular a partilha de experiências, dar visibilidade e celebrar diferentes percursos na organização, promovendo uma cultura onde a igualdade de oportunidades se traduza em ações consistentes no dia a dia», sublinhou.

Debate sobre liderança inclusiva e transformação nas empresas

Entre os momentos centrais do encontro esteve uma mesa-redonda dedicada à liderança inclusiva, com a participação da empresária Leonor Freitas, proprietária e CEO da Casa Ermelinda Freitas, como oradora principal. O debate contou ainda com Dallas FritzPatrick, vice-presidente global de Cultura e Inclusão da TP, Andreia Fernandes, supervisora de Operações da TP em Portugal, Cristina Tavares, diretora de Operações da empresa, e Filipe Madeira, chief operations officer da TP em Portugal. O painel discutiu o tema ‘Women Leading Change: A Shared Responsibility’.

A agenda incluiu também um micro-workshop intitulado ‘Leadership Without Permission’, que desafiou os participantes a refletir sobre o seu papel na promoção da mudança dentro das organizações.

Durante o evento foi ainda apresentada uma nova parceria social com a Teach For Portugal. O acordo representa um compromisso estratégico de três anos e um investimento de 30 mil euros, destinado a reforçar o impacto social da empresa e a promoção da igualdade de oportunidades no acesso à educação. A colaboração prevê, entre outras iniciativas, a criação de um círculo de mentoria entre líderes da TP e jovens apoiadas pela organização.

Outro dos momentos do summit foi a cerimónia dos WOW Awards 2026, que distinguiu colaboradoras da empresa em Portugal. As vencedoras foram escolhidas através de uma votação aberta às mais de 13 mil trabalhadoras da organização no país, que nomearam colegas que se destacaram pelo contributo para a comunidade, pela liderança emergente, pelo crescimento profissional e pelo impacto no trabalho desenvolvido. Os prémios foram atribuídos em quatro categorias: Community, Rising Leader, Rising Star e Work.

O evento integra a comunidade TP Women, criada em 2019 com o objetivo de promover o desenvolvimento profissional, a visibilidade e a liderança das mulheres dentro da organização. A iniciativa deverá ter continuidade ao longo do ano, através de encontros mensais e de um plano de ação centrado em temas como visibilidade, equidade e bem-estar no local de trabalho.

Arquivado em:Liderança, Notícias

«O futuro digital será mais feminino se quisermos que seja inteligente», destaca Ana Alves

30 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Num setor onde apenas 29% dos profissionais com competências em Inteligência Artificial são mulheres, Ana Alves, Head of Business da Numen Europa e co-leader da Women in Tech.org, defende que a qualificação feminina em tecnologia é hoje um fator decisivo para a inovação e a competitividade das empresas.

O que levou a Numen a participar e patrocinar o programa Potenc.IA e a apostar na formação de mulheres em IA?

A missão da Numen é aproximar pessoas e tecnologias para construir negócios mais inteligentes, impulsionando o desenvolvimento humano. O Potenc.IA, projeto desenvolvido pela Prosper Digital Skills, personifica essa crença ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial para 5.000 mulheres em situações de sub-representação. Para nós, a tecnologia só cumpre seu propósito quando serve como vetor de ascensão e inclusão.

O Potenc.IA junta formação, mentoria e aplicação prática para ajudar mais mulheres a ganhar competências que já hoje têm impacto direto na empregabilidade e na evolução profissional. Para a Numen, esta é também uma forma de ligar diversidade, capacitação e futuro do trabalho de forma prática.

 

Quantas mulheres já participaram e qual a sua evolução em termos de competências?

A participação da Numen no Potenc.IA reflete o nosso compromisso com a evolução do talento através de um modelo de impacto recíproco: para cada uma das 50 colaboradoras da nossa equipa capacitadas, viabilizámos a formação de outras 50 mulheres de comunidades sub-representadas. Esta estratégia permite-nos fortalecer as nossas competências internas em IA, ao mesmo tempo que atuamos como agentes de democratização digital, combatendo a sub-representação histórica no setor tecnológico e preparando profissionais para as funções mais expostas à automação.

Em termos de evolução, o programa foi estruturado para acolher diferentes níveis de literacia digital, permitindo que participantes com contacto inicial progredissem de forma sólida até um nível intermédio de proficiência em IA. O sucesso desta jornada de capacitação é validado por uma taxa de certificação superior a 50%, um indicador robusto de compromisso e aquisição de competências práticas. Para a Numen, este resultado reafirma que a aposta na diversidade e na formação contínua é o caminho mais eficaz para garantir a empregabilidade e a inovação num mercado de trabalho em constante transformação.

 

Como a formação em IA ajuda a mitigar o risco de automação em funções tradicionalmente femininas?

Ajuda sobretudo porque desloca as profissionais de uma posição mais passiva para uma posição mais preparada perante a mudança. Quando falamos de funções mais suscetíveis à automação, o maior risco não está apenas na tecnologia em si, mas na falta de acesso às competências que permitem adaptar-se a ela, utilizá-la e tirar partido dela.

A formação em IA cria precisamente essa base. Ao trabalhar literacia digital, uso de ferramentas, pensamento aplicado e resolução de problemas, o programa ajuda as participantes a compreender melhor o que está a mudar no trabalho e como podem integrar essas ferramentas nas suas funções.

Que critérios são usados para selecionar participantes de contextos socioeconómicos vulneráveis?

A seleção de participantes de contextos vulneráveis é pautada por um critério de impacto real sobre o perfil ideal, priorizando mulheres para quem o acesso a esta qualificação representaria uma mudança estrutural na sua trajetória de empregabilidade e confiança.

Através de uma rede robusta de embaixadoras e líderes de comunidades, da qual a nossa CHRO, Vanessa, faz parte ativamente, o programa identifica perfis que enfrentam barreiras históricas de acesso à tecnologia, garantindo que a inclusão seja o critério efetivo de entrada, e não apenas um conceito abstrato.

O desenho do processo foca na identificação do potencial de transformação e na necessidade de reforço de competências, em vez de exigir experiências prévias avançadas que muitas vezes excluem estes grupos. Ao trazer este programa para dentro da Numen, asseguramos que a nossa visão de liderança está alinhada com a democratização do conhecimento, utilizando a nossa influência no ecossistema tecnológico para abrir portas a talentos que, de outra forma, ficariam à margem da economia da Inteligência Artificial.

 

Quais são as histórias ou experiências mais inspiradoras que surgiram do programa até hoje?

São, especialmente, aquelas que materializam a “viragem de chave” na rotina das participantes. É profundamente gratificante acompanhar a evolução das nossas profissionais e de toda a comunidade, carinhosamente tratadas como as nossas “miúdas” e testemunhar o entusiasmo ao aplicarem a IA nos seus projetos diários.

Um dos momentos mais marcantes foi ouvir de uma participante que a sua rotina mudaria por completo, pois já se sentia capaz de estruturar o seu próprio “agente de IA”, demonstrando que a tecnologia deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma ferramenta de autonomia e produtividade.

Além das conquistas individuais, a formatura da primeira turma foi um marco de impacto coletivo, evidenciando diálogos de alto nível técnico e estratégico. Mais do que a conclusão de um curso, as quatro semanas de formação intensiva criaram um sentido de comunidade entre as colaboradoras da Numen. Esse estreitamento de laços, aliado à capacitação prática, reforça o nosso posicionamento de que, ao aproximarmos pessoas e tecnologia, estamos não só a otimizar processos, mas a construir um futuro onde a liderança feminina é protagonista da inovação.

 

Como a combinação de formação, prática e mentoria faz a diferença na evolução das participantes?

Faz diferença porque evita que a aprendizagem fique num plano apenas teórico. No Potenc.IA, estava bastante claro: havia avaliação inicial, trilhas de aprendizagem por nível, conteúdo assíncrono, mentorias em grupo e um projeto prático ao longo de 4 semanas. Essa combinação torna a evolução mais consistente porque permite aprender, experimentar, esclarecer dúvidas e aplicar.

A mentoria é especialmente importante porque ajuda a reduzir a distância entre perceber um conceito e conseguir usá-lo com utilidade. E a componente prática, através do projeto, faz com que a IA deixe de ser uma ideia abstrata e passe a ser uma ferramenta concreta de resolução de problemas. É essa combinação que permite que a aprendizagem se transforme em competência efetiva.

 

Que obstáculos estruturais ainda existem para a igualdade de acesso a competências digitais?

São vários e não começam apenas na formação. Há questões de contexto económico, tempo disponível, acesso a oportunidades, mas também fatores culturais e de representação. Muitas mulheres continuam a ter menos exposição a áreas tecnológicas ao longo do percurso e, em muitos casos, ainda encaram estes temas como distantes do seu dia a dia profissional.

Por isso, a igualdade no acesso a competências digitais não se resolve apenas com mais oferta formativa. É preciso que os programas sejam acessíveis, ajustados a diferentes níveis de entrada, compatíveis com realidades de tempo mais exigentes e acompanhados de mentoria e orientação.

O próprio Potenc.IA procurou responder a isso com percursos diferenciados, aprendizagem faseada e apoio ao longo do processo.

 

Em que medida a qualificação feminina em IA pode tornar-se uma vantagem competitiva para as empresas?

A qualificação feminina em IA traduz-se numa vantagem competitiva imediata através da agilidade operacional. A capacidade de automatizar processos, aumentar a velocidade de entrega e garantir eficiência técnica gera resultados tangíveis que impactam diretamente o bottom line das empresas. No ecossistema Numen, onde operamos com tecnologias de ponta como SAP, Celonis, AWS e Salesforce, vemos que equipas capacitadas em IA conseguem entregar soluções mais robustas em menos tempo, permitindo que a organização responda com maior prontidão às exigências de um mercado global altamente volátil.

Contudo, o diferencial estratégico mais profundo reside na inovação sustentada pela diversidade. É um facto consolidado que a ausência de pluralidade de perspetivas limita a capacidade criativa de uma organização; sem diversidade, não há inovação disruptiva, e sem inovação, as empresas correm o risco real de perder relevância na nova economia digital.

Ao investir na formação de mulheres em IA, a Numen não está apenas a preencher uma lacuna técnica, mas a assegurar que o desenvolvimento tecnológico seja enriquecido por visões distintas, mitigando enviesamentos e garantindo que o futuro dos negócios seja tão inclusivo quanto eficiente.

 

Que conselhos daria para transformar iniciativas de diversidade em impacto real e mensurável na empregabilidade?

O primeiro passo é superar a dimensão simbólica e ancorar a iniciativa em resultados concretos. Na Numen, acreditamos que a verdadeira transformação começa com a intenção clara de impactar o mundo ao nosso redor, mas isso exige um desenho estruturado: objetivos bem definidos, critérios de evolução rigorosos e mecanismos de acompanhamento. O impacto na empregabilidade não é um subproduto; é o objetivo central que deve guiar cada etapa da formação, garantindo que as competências adquiridas têm aplicação imediata nas necessidades reais das organizações e do mercado.

O segundo conselho é medir para além da participação. Monitorizar o número de inscritos é insuficiente para aferir o sucesso; o foco deve estar na evolução entre níveis de proficiência, nas taxas de certificação e, crucialmente, no reforço da confiança das participantes para utilizarem a tecnologia no seu contexto profissional. Por fim, é vital garantir a continuidade. A empregabilidade constrói-se num percurso, não num evento isolado. As empresas devem ver estas iniciativas como parte de um ecossistema mais alargado de capacitação e acesso a oportunidades, criando pontes reais entre a formação e o mercado de trabalho para assegurar que o investimento em talento se traduza em valor sustentável para todos.

 

Como vê a relação entre talento feminino, inovação tecnológica e sustentabilidade das empresas?

A relação entre talento feminino, inovação e sustentabilidade é, na verdade, o motor de uma sociedade e de uma economia funcionais. Como embaixadora do programa nacional Raparigas nas STEM e participante neste momento de uma formação sobre IA e não-discriminação, a convite a CIG, em especial da Presidente Carina Quaresma, vejo que não podemos falar de inovação plena quando mais de 50% da população parte de um ponto atrás na linha de partida. O impacto de ignorar este potencial é sentido na entrega coletiva e na saúde económica global.

No perímetro das organizações, os números são incontestáveis e transformam a diversidade numa vantagem competitiva mensurável. Estudos de instituições como o Peterson Institute e a McKinsey demonstram que empresas com pelo menos 30% de mulheres em lideranças de topo lucram significativamente mais do que os seus pares, chegando a apresentar resultados 25% acima da média do setor quando a diversidade de género está presente nas equipas executivas.  É tão simples quanto isto: a diversidade gera rentabilidade, resiliência e o futuro dos negócios.

 

Se pudesse deixar uma mensagem às empresas sobre a importância da qualificação digital das mulheres, qual seria?

A qualificação digital das mulheres não é uma ação de filantropia, mas um imperativo de competitividade e sobrevivência económica. Numa era definida pela Inteligência Artificial e pela automação, ignorar o potencial de mais de metade da população é aceitar um teto de crescimento artificial. As empresas precisam entender que a inovação disruptiva só acontece quando unimos tecnologia de ponta a uma pluralidade de visões. Qualificar mulheres em tecnologia é, acima de tudo, garantir que a sua organização tem as melhores mentes a resolver os problemas mais complexos de amanhã.

Portanto, o meu conselho é: não esperem pelo “perfil perfeito”, criem-no. Invistam em programas estruturados que transformem o potencial em proficiência técnica, pois os dados são claros, equipas diversas e com liderança feminina entregam mais valor, mais lucro e mais inovação.

O futuro digital está a ser escrito agora, e ele será necessariamente mais feminino se quisermos que seja, de facto, inteligente.

 

 

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