Black Friday: dia de não comprar nada!

Hoje é dia de não comprar nada. Conhecido mundialmente como “Buy Nothing Day”, esta data celebra-se anualmente na última sexta-feira de novembro, coincidindo estrategicamente com a Black Friday. A iniciativa foi do artista Ted Dave, em 1992, com o intuito de alertar sobre o impacto do consumismo excessivo no meio ambiente.

Atrás das grandes petrolíferas, a moda é considerada a segunda indústria mais poluente do mundo. Segundo as Nações Unidas, ela é responsável por oito a dez por cento das emissões de carbono no mundo, em que um único par de calças de ganga requer cerca de 7.500 litros de água para ser produzido, o equivalente em média ao que uma pessoa bebe ao longo de sete anos. Estima-se que só a indústria da moda use cerca de 93 biliões de metros cúbicos de água por ano, o suficiente para saciar cinco milhões de pessoas.

Mas o impacto vai para além do uso excessivo de recursos. O elevado e fugaz consumo de roupa tem feito com que o desperdício têxtil tenha crescido exponencialmente pelo mundo. O EcoWatch aborda o caso do deserto de Atacama, no Chile, um local onde a “fast fashion morre”. É um cemitério de roupas que não são vendidas a nível mundial, e dessas 59 mil toneladas que chegam por ano ao Porto de Iquique, no norte do país, pelo menos 39 mil acabam como lixo nesse deserto. Estima-se que as roupas possam levar centenas de anos para se decompor, sendo até em alguns casos impossível, adicionando à fatura, as toxinas contidas na roupa que são libertadas no ar e nos canais de água subterrâneos.

Mas há boas notícias. Franklin Zepeda, fundador da EcoFibra, fabricante de painéis isolantes produzidos a partir de roupa desperdiçada, vem demonstram ser possível enfrentar os desastres ambientais provocados pelo consumo excessivo. “Queria deixar de ser o problema e começar a ser a solução”, afirmou à France-Press (AFP).

Há, de facto, formas em que podemos atuar. É crucial repensarmos o nosso consumo de bens para garantir a sustentabilidade do planeta, por sua vez tão conectada à nossa. “Precisamos de um modelo que não comprometa os valores éticos, sociais e ambientais e que envolva os clientes, em vez de os encorajar a comprar excessivamente tendências em constante mudança”, apontou a Greenpeace na sua campanha Detox My Fashion.

Há que desmistificar que consumir é um sinónimo de felicidade e estatuto social, e passar a dar tempo para considerar se de facto compramos por necessidade ou por imagem. Cabe a nós resistir a tendências passageiras, e aos fabricantes a criar peças duráveis e sustentáveis, procurando por inovar no tingimento e escolha de fibras.

Enquanto não formos agentes ativos da mudança, as dunas no deserto do Atacama continuarão a crescer. Independentemente de ser adepto da Black Friday ou do Buy Nothing Day, considere as suas necessidades e as do Planeta. Será que realmente precisa do que está a comprar?

Por Patrícia Monsanto

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