Depois de várias semanas de oscilações, o preço do cabaz alimentar registou a maior descida desde o início de abril. Ainda assim, comprar os mesmos 63 produtos essenciais custa hoje mais 67 euros do que em 2022.
O preço do cabaz alimentar composto por 63 produtos essenciais voltou a descer na última semana, registando a maior queda desde o início de abril. De acordo com a recente análise da DECO PROteste, os consumidores gastam atualmente 255,57 euros para comprar o conjunto de bens alimentares monitorizados pela associação de defesa do consumidor, menos 3,74 euros do que na semana anterior.
Apesar deste alívio, a tendência de longo prazo continua a refletir o impacto da inflação alimentar. Desde o início de 2026, o mesmo cabaz encareceu 13,75 euros, enquanto face ao período homólogo custa mais 14,79 euros. A diferença torna-se ainda mais expressiva quando comparada com janeiro de 2022: há quatro anos, era possível comprar exatamente os mesmos produtos por menos 67,87 euros, uma subida acumulada de 36,16%.
Couve-coração lidera aumentos da semana
Embora o valor global do cabaz tenha descido, alguns produtos registaram aumentos significativos nos últimos dias. Entre 3 e 10 de junho, a couve-coração foi o produto que mais encareceu, com uma subida de 9%, seguida pelo pão de forma sem côdea, que aumentou 7%, e pela manteiga com sal, cujo preço cresceu 5%.
Estes aumentos demonstram que, apesar da redução global do cabaz, a volatilidade dos preços continua a afetar vários produtos de consumo frequente das famílias portuguesas.
Os alimentos que mais subiram no último ano
A comparação com junho de 2025 mostra que alguns produtos continuam a destacar-se pela forte valorização. A couve-coração lidera novamente a tabela, apresentando uma subida de 37% face ao mesmo período do ano passado, seguida do carapau, que encareceu 32%, e dos brócolos, cujo preço aumentou 28%.
Atualmente, a couve-coração custa cerca de 1,85 euros por quilograma, o carapau ronda os 5,38 euros por quilograma e os brócolos atingem os 3,39 euros por quilograma.
Carne de novilho, ovos e couve-coração lideram aumentos desde 2022
Desde que a DECO PROteste começou a monitorizar regularmente os preços dos alimentos, a cinco de janeiro de 2022, alguns produtos registaram aumentos particularmente expressivos.
A carne de novilho para cozer lidera a lista, com uma subida acumulada de 125%, atingindo atualmente os 13,08 euros por quilograma. Seguem-se a couve-coração, que aumentou 87%, e os ovos, cujo preço disparou 84% no mesmo período.
Inflação alimentar continua a pesar no orçamento das famílias
Apesar da descida registada esta semana, os dados mostram que o custo da alimentação continua significativamente acima dos níveis observados antes da crise inflacionista que marcou os últimos anos.
A evolução dos preços dos produtos essenciais continua a ser um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias portuguesas, sobretudo num contexto em que os gastos com habitação, energia e crédito permanecem elevados.


