Cabo Verde foi ontem às urnas para eleger um novo Governo, numas eleições legislativas marcadas por forte mobilização política, debates intensos sobre o futuro económico do país e uma disputa direta entre continuidade e mudança. O PAICV venceu e regressa ao poder após dez anos na oposição. O líder do partido, Francisco Carvalho, será o novo primeiro-ministro do país. Na sua primeira declaração após a vitória, Francisco Carvalho afirmou: «Os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara.»
O novo líder do governo também declarou que começa «um novo Cabo Verde» e prometeu cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Segundo os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, o PAICV conseguiu assegurar maioria absoluta no parlamento, enquanto o Movimento para a Democracia – MpD reconheceu a derrota. O atual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, felicitou Francisco Carvalho e anunciou a sua saída da liderança do partido.
Do outro lado, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, entrou nestas eleições apostando no desgaste do Governo e no descontentamento popular relacionado com o aumento do custo de vida, desemprego jovem, dificuldades no acesso à habitação e desigualdades sociais.
O PAICV chegou reforçado após os resultados das eleições autárquicas de 2024, nas quais conquistou a maioria dos municípios do país, resultado que relançou as expectativas da oposição em regressar ao poder. Acabou por se concretizar.
A campanha eleitoral ficou igualmente marcada por acusações mútuas entre os dois maiores partidos. O PAICV acusou o Governo de utilizar inaugurações de obras públicas e iniciativas institucionais para favorecer eleitoralmente o MpD, enquanto o executivo rejeitou as críticas e acusou a oposição de promover um discurso de confrontação política e instabilidade.
Também a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) procurou afirmar-se como alternativa ao tradicional bipolarismo político do arquipélago, defendendo reformas económicas e maior descentralização.
As eleições decorreram num contexto de forte atenção pública e elevada expectativa, num país frequentemente apontado como uma das democracias mais estáveis do continente africano. Observadores nacionais e internacionais acompanharam o processo eleitoral, marcado por um ambiente geralmente pacífico durante o dia de votação.
A afluência às urnas foi acompanhada com expectativa pelos partidos políticos, sobretudo entre os jovens eleitores, num momento em que temas como emprego, emigração, oportunidades económicas e custo de vida dominaram o debate nacional.


