Grupos de WhatsApp, redes sociais, sites e cartazes espalhados pela cidade: descobrir o que fazer ao fim de semana nem sempre é fácil. Uma nova aplicação portuguesa quer resolver esse problema, recorrendo a IA para reunir eventos, experiências e comunidades locais num único espaço digital.
Encontrar um concerto, uma exposição, um mercado de rua ou uma atividade para fazer em família pode exigir hoje uma verdadeira maratona digital. Foi precisamente para combater essa dispersão de informação que nasceu a Soko, uma nova aplicação criada por dois empreendedores portugueses que combina inteligência artificial e contribuição humana para ajudar os utilizadores a descobrir o que está a acontecer à sua volta.
Lançada esta semana, a plataforma estreia-se em Lisboa com mais de mil eventos já disponíveis para o mês de junho, reunindo iniciativas tão diversas como festas populares, ciclos de cinema, encontros comunitários, exposições ou eventos culturais de bairro.
Uma alternativa ao excesso de informação das redes sociais
A premissa desta nova app é simples: reduzir o tempo passado a procurar planos online e aumentar o tempo dedicado a viver a cidade.
Atualmente, a informação sobre eventos encontra-se dispersa por múltiplos canais, desde redes sociais e websites ou cartazes de rua. Segundo os criadores da aplicação, esta fragmentação dificulta a descoberta de atividades relevantes e acaba por excluir quem não utiliza regularmente determinadas plataformas.
«Estamos constantemente conectados online e desligados do sítio onde vivemos. Passamos horas nas redes sociais e continuamos sem saber o que está a acontecer à nossa volta. Ao perdermo-nos em feeds intermináveis não descobrimos o que realmente nos interessa. Descobrir o que acontece numa cidade continua mais difícil do que devia», afirma João Albino, CEO da Soko.
Como funciona a app?
Ao abrir a aplicação, os utilizadores podem consultar eventos próximos dos dias seguintes, receber sugestões diárias e explorar uma seleção semanal personalizada.
Uma das funcionalidades mais diferenciadoras passa pela utilização de Inteligência Artificial conversacional. Os utilizadores podem perguntar diretamente à plataforma ou até através do WhatsApp questões como: «O que posso fazer com os meus filhos amanhã?» ou «Que eventos estão a acontecer perto de mim?»
A aplicação aprende progressivamente as preferências dos utilizadores, permitindo criar listas personalizadas de eventos e locais, seguir recomendações de amigos ou acompanhar listas criadas por curadores especializados.
Até os cartazes de rua podem transformar-se em eventos digitais
Um dos aspetos mais inovadores da plataforma é a capacidade de integrar informação proveniente do mundo físico. Por exemplo, basta fotografar um cartaz de rua para que a aplicação consiga identificar a informação relevante e criar automaticamente um evento na plataforma.
A combinação entre IA e participação da comunidade permite que qualquer utilizador contribua para enriquecer a agenda local, ajudando a tornar visíveis eventos que muitas vezes não chegam aos canais digitais tradicionais.
Lisboa é o ponto de partida
Nesta primeira fase, a Soko está focada na cidade de Lisboa. No entanto, a ambição dos fundadores passa por expandir o modelo para outras regiões de Portugal e posteriormente para mercados internacionais.
A arquitetura da plataforma foi desenvolvida para funcionar em diferentes geografias, permitindo que qualquer comunidade local possa utilizar a aplicação para divulgar iniciativas, descobrir eventos e construir redes de proximidade.
Segundo os responsáveis, a integração entre tecnologia e participação humana permite replicar o conceito em qualquer cidade do mundo. A aplicação está disponível para iOS e Android.
Dois empreendedores portugueses por detrás do projeto
A Soko foi fundada por João Albino, antigo responsável da Urbvan, e João Graça, ex-Unbabel, ambos com experiência na criação e desenvolvimento de produtos tecnológicos à escala internacional.
O objetivo passa por criar uma ferramenta capaz de fortalecer as comunidades locais e facilitar a descoberta de experiências relevantes, numa altura em que a sobrecarga de informação se tornou um dos principais desafios da vida digital.


