Capacitar para preparar o futuro

Inesperada e abruptamente, a crise pandémica que assolou o mundo, impactou a sociedade a vários níveis, já o sabemos. O necessário confinamento, a fim de evitar a propagação desmedida do coronavírus e a consequente quebra da atividade económica, trouxeram graves implicações que agora enfrentamos, sem data de fim à vista.

As medidas de distanciamento implementadas ampararam o crescimento de novos casos de contágio, e os mecanismos de apoio à economia permitiram atenuar os efeitos negativos resultantes da pandemia. Com a ameaça de uma segunda vaga e de um novo período de confinamento após um regresso à rotina, prevê-se que as dificuldades evidenciadas até então continuem.

Num contexto marcado por uma crise sanitária e socioeconómica, a solidariedade e inclusão nunca foram tão importantes. É preciso apostar na resiliência da sociedade, dar apoio às camadas mais vulneráveis e preparar para um futuro desafiante e incerto que se avizinha. Assumindo a missão da Fundação Ageas enquanto organização corporativa de solidariedade social, identificamos e desenvolvemos desde o primeiro momento mecanismos capazes de dar resposta aos principais desafios impostos pela pandemia. Facto é que as desigualdades que já se faziam sentir foram intensificadas, e o agravamento do desemprego foi uma das consequências mais notórias.

De acordo com estatística recentes, é possível contabilizar, desde fevereiro, mais 91 740 novos desempregados à estatística de inscritos nos centros de emprego nacionais. Em julho, o número de desempregados já ascendia a mais de 407 mil pessoas, tendo aumentado na maioria dos concelhos do país. Números pouco simpáticos que refletem uma realidade sobre a qual é necessário agir.


Foi por isso que a Fundação Ageas, em parceria com o Impact Hub Lisbon, lançou o “Relança-te”. Este programa tem como principal objetivo dar resposta a este problema, promovendo a transição dos novos desempregados para o autoemprego. Agora em versão digital e com um conceito renovado dentro do já premiado “Escola de Impacto”, prevemos a criação de 20 projetos capazes de andar por si próprios. Projetos de empreendedorismo, com responsabilidade social e modelos de negócio sustentáveis, bem como objetivos de impacto adaptados ao mundo futuro, que possam por si próprios multiplicar os bons resultados deste programa. Tendo sido direcionado aos desempregados de longa duração nas primeiras duas edições, o programa muda agora de foco e adapta-se à situação atual, dirigindo-se aos desempregados da era COVID, isto é, para quem tenha mais de 21 anos e ficou numa situação de desemprego, de lay-off ou com uma significativa redução do seu rendimento, ou por outro lado iniciou ou gostaria de iniciar um projeto de empreendedorismo sustentável.

Acredito que uma das melhores formas de combater a crise é a capacitação e a resiliência das pessoas, dando-lhes instrumentos que possam converter a seu favor e fazendo-as crescer. Mais do que uma solução ao desemprego, o Relança-te pretende motivar e mostrar que é possível recomeçar!


Por Célia Inácio, presidente da Fundação Ageas

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