O cancelamento de várias iniciativas penalizou o consumo local nas diferentes regiões, com descidas de 8,5% no ticket médio e de 6,9% no gasto por cartão face a 2025.
O Carnaval de 2026 ficou marcado por condições meteorológicas extremas que levaram ao cancelamento de diversos eventos em todo o país, afastando foliões das ruas e impactando diretamente a economia local.
Nos dez concelhos mais associados às celebrações carnavalescas, a faturação caiu 8,1% entre 14 e 17 de fevereiro de 2026, face ao mesmo período festivo do ano de 2025, segundo o REDUNIQ Insights, relatório da UNICRE que analisa a evolução dos pagamentos por cartão na sua rede nacional.
A quebra refletiu-se também nos principais indicadores médios de consumo: o gasto médio por cartão recuou para 57,47€ em 2026 (-6,9%), enquanto o ticket médio desceu para 33,80€ (-8,5%), evidenciando um consumo mais contido num contexto de menor dinamização e afluência às celebrações.
Impacto transversal, mas com intensidades distintas
Entre os concelhos analisados, Estarreja registou a maior quebra de faturação (-17,1%), seguida de Sesimbra (-10,6%), Torres Vedras (-9%), Loulé (-8,9%), Sines (-8,5%) e Alcobaça (-8,4%). A Madeira apresentou uma descida de 7,2%, enquanto a Mealhada registou uma variação negativa de 7,8%. Ovar apresentou uma quebra mais moderada (-1,5%) e Macedo de Cavaleiros foi o único concelho a manter praticamente estável a sua faturação (+0,1%).
Ao nível do gasto médio por cartão, a Madeira apresentou a descida mais acentuada (-12,2%), fixando-se nos 70,25€. Em sentido inverso, Torres Vedras destacou-se com uma subida de 12,9%, para 47,21€. No ticket médio, Sines registou a maior descida (-14,7%), para 23,95€, enquanto Torres Vedras voltou a evidenciar uma evolução positiva (+6,2%), para os 27,86€.
Em termos de peso relativo no total da faturação dos dez concelhos, a Madeira representou 44,3% do volume global, seguida de Loulé (24,1%), Torres Vedras (12,5%) e Sesimbra (6,5%), o que demonstra o forte contributo das regiões com maior tradição e projeção.
O pico de faturação concentrou-se maioritariamente no dia 14 de fevereiro (sábado), com exceção de Macedo de Cavaleiros, onde ocorreu no dia 15, e da Madeira, cujo pico se registou no dia 16, refletindo diferenças na programação local e na duração das festividades.
Mercado nacional manteve peso dominante
A análise por origem dos cartões demonstra que o consumo nacional continuou a ser predominante na maioria dos concelhos, com pesos superiores a 90% em Estarreja (96,7%), Mealhada (96,2%), Torres Vedras (95,9%), Sesimbra (95,4%) e Ovar (94,8%).
Ainda assim, os destinos com maior vocação turística mantiveram uma presença relevante de consumo estrangeiro, nomeadamente a Madeira (31,7%) e Loulé (21%).
No top 3 das nacionalidades estrangeiras com maior peso na faturação, destacam-se:
– Madeira: Reino Unido (11,8%), Irlanda (7,1%) e Alemanha (6,8%);
– Loulé: Reino Unido (12,9%), Irlanda (5,2%) e Alemanha (2,5%);
– Sines: Espanha (3,9%), Irlanda (2,1%) e França (1,8%);
– Alcobaça: Irlanda (1,9%), França (1%) e Espanha (0,9%);
– Macedo de Cavaleiros: Espanha (1,8%), França (1,8%) e Irlanda (0,7%);
– Ovar: França (1,6%), Irlanda (1,1%) e Espanha (0,7%);
– Sesimbra: Irlanda (2,2%), França (0,7%) e Reino Unido (0,6%);
– Torres Vedras: Irlanda (1,1%), França (0,7%) e EUA (0,5%);
– Mealhada: Moçambique (0,8%), França (0,8%) e Brasil (0,7%);
– Estarreja: França (1,3%), EUA (0,8%) e Irlanda (0,5%).
«Os dados mostram como fatores externos, como condições meteorológicas adversas, têm impacto direto e imediato na economia local. A descida simultânea da faturação, do gasto médio por cartão e do ticket médio sugere que o efeito não resultou apenas da menor afluência, mas também de um consumo mais prudente num contexto de menor oferta festiva e constrangimentos operacionais», afirma Tiago Oom, Head of Merchant Acquiring da UNICRE.



