Carta aberta aos CEO: As 12 lições da Era COVID-19

Com a crise da COVID-19 a mudar o epicentro para a Europa e Estados Unidos da América, podemos aprender com as empresas chinesas que estão no final do ciclo desta pandemia. Eis as 12 lições que devemos ter em conta.

A China começa a mostrar os primeiros sinais de recuperação da economia com um aumento da circulação de pessoas, mercadorias e o regresso da produção. É hora de pensar no plano de recuperação.

As empresas de alto rendimento já estão a preparar o seu regresso, enquanto outras estão concentradas apenas no momento. Todas as crises têm o seu fim e todas as crises geram oportunidades. O diferencial é saber identificá-las e agir rapidamente.


Gustavo Mattos Santos, chairman of CEO advisory board – Vistage Portugal, analisou diferentes artigos e reuniu 12 lições para os CEO.

1. Analise o pós-crise e adapte-se constantemente ao cenário futuro
Crises são acontecimentos que requerem comunicação constante, mudança de planos e adaptação de modelos de negócio. Evite entrar em discussões infinitas e tome decisões rápidas. Este é um processo que deve ser liderado pelo CEO. O termo agile (ser ágil) nunca teve tanta importância na gestão do negócio. Elabore o seu plano de recuperação, revisão dos negócios e de crescimento. Não espere pelo seu concorrente para agir. Identifique novos padrões de comportamento dos seus clientes e adapte a sua organização para ter respostas rápidas. É hora de investir no tempo que não tinha antes.

2. Velocidade vertical
Como CEO deve assegurar que as suas decisões top-down chegam a todos de maneira rápida. Uma crise é um momento de intensas mudanças de cenários e reações. Assegure-se que a implementação é concretizada e crie um canal aberto bottom-up para verificar a sua efetividade. Não deixe que aconteçam desvios e envolva-se pessoalmente. Um desvio será mais uma ação que terá de corrigir posteriormente. Elimine barreiras e quebre regras desnecessárias para criar a velocidade vertical necessária, em ambas as direções.

3. Promova transparência e dê o exemplo
Durante uma crise é difícil manter a coerência de informação e em épocas de informação online massificada e de fake news, a melhor opção é criar regras operacionais bem claras e de fácil comunicação. Lembre-se que a sua identidade e atos são o que gera confiança na equipa. Guie os seus colaboradores de maneira a protegê-los e a proteger os seus bens tangíveis e intangíveis. Estenda essa ação aos familiares dos seus colaboradores. Afinal, todos estamos apreensivos. Seja humano.

4. Redirecione pessoas para outras atividades e crie flexibilidade
Se o seu negócio for atingido e não o conseguir sustentar, empreste os colaboradores a quem precisa. Supermercados, empresas de transporte e outras atividades essenciais precisam de mão-de-obra. Procure quem precisa e negoceie um plano de flexibilidade. Os seus colaboradores vão reconhecer o gesto de solidariedade humana e trarão novas habilidades para a empresa. Se não conseguir, crie uma equipa criativa para repensar o negócio e o que precisa de mudar para ser mais eficiente e crescer após a crise. Mas faça-o de maneira transparente.

5. Avalie os seus canais de venda e internacionalização
Indústria e setores que necessitavam de um espaço físico para vender foram forçadas a repensar os canais online de vendas. Seja rápido e crie um novo espaço para a sua marca. Transforme os seus vendedores locais em influencers digitais. Aproveite a tecnologia e teste. Testar, testar e testar. Esta é a hora para a tecnologia servir os novos negócios. Identifique quem precisa do seu produto e crie canais online ou distintos dos atuais.

6. Use as redes sociais
Com atividades remotas e online, muitas empresas identificaram novas oportunidades de comunicação. Salas virtuais, vitrines virtuais, multiexperience virtual rooms, entre outras, as tecnologias estão a acelerar a experiência do utilizador. Crie competições online entre os seus colaboradores de alcance nas redes sociais. Faça de maneira organizada com os seus clientes e fornecedores um ranking de sucesso baseado em gamificação. Tudo isto pode trazer um aumento de vendas e diversão.

7. Prepare-se para uma recuperação rápida
Prever o tempo de recuperação e o impacto económico de cada país será algo impossível. Considere que levará tempo para identificar os impactos causados no negócio, para o voltar a calibrar, para redefinir prioridades, redirecionar o trabalho e fortalecer, mas é necessário começar em paralelo a gestão inicial da crise. Atualize os seus sistemas internos, crie e treine novas competências, desenhe novos produtos e prepare-se para o dia 1 desta nova jornada. Esperar que a crise passe para tomar decisões é estar fora do mercado.

8. Velocidades diferentes para setores diferentes
É claro que setores e indústrias têm um ritmo diferente de recuperação. Se a sua empresa trabalha em vários grupos ou setores, crie atividades distintas de cada grupo e navegue um a um de acordo com o seu plano de recuperação. Coloque no seu esforço muita disciplina, para ter a certeza que cria otimismo e que o negócio core puxa os restantes.

9. Adapte o negócio localmente
As restrições e medidas tomadas para conter a crise diferenciam-se em cada localidade, não necessariamente seguindo a estrutura geográfica da sua empresa. Isso requer flexibilidade. Se a cadeia de abastecimentos está localizada em diversos locais com regras distintas, planeie o regresso seguindo o ritmo dessa localidade ou crie novas cadeias de abastecimento locais para ganhar velocidade. Medidas de restrição de mobilidade também trazem desafios. Crie novas competências locais para ter velocidade.

10. Inove de maneira rápida
Além de reequilibrar o negócio, novas exigências vão aparecer e isso é uma oportunidade única para inovar. Muitas empresas estão na defensiva. Aquelas que inovarem criarão uma nova categoria no mercado e estarão sozinhas por um bom tempo. É hora de tirar as ideias da gaveta e testar. Use uma rede de inovação para encontrar parceiros. Existem muitos bons profissionais e a precisar de desafios nesta crise.

11. Identifique novos hábitos de consumo
Alguns hábitos vão persistir e alguns setores terão vantagens maiores, tais como a educação online, B2C e e-commerce. Outros serão repensados como a necessidade de viagens de negócios. Somente o tempo dirá quais é que irão perdurar. Monitorize e planeie como pretende acompanhar os novos hábitos dos seus clientes, ou até promovê-los, para criar vantagem competitiva no mercado.

12. Ninguém é melhor que todos juntos
Estas e muitas outras experiências serão discutidas com o avanço do vírus pela Europa e demais países. Como CEO, já se sente sozinho em muitas situações. E com esta crise, mais pressão sentirá. Estamos a ser forçados a nos distanciar fisicamente do convívio social. Estar conectado psicológica e intelectualmente não é uma tarefa simples. Principalmente pelo facto de nenhum de nós ter vivenciado um isolamento como nos dias atuais.
Como CEO, todos esperam que tenha todas as respostas. Respostas para quê? Para o futuro, para o negócio, para as vidas dos colaboradores e dos seus familiares. Precisamos de um espaço onde nos sentimos psicologicamente seguros. Também precisamos de um ambiente onde nos podemos atualizar e manter atentos e curiosos. Os nossos medos e receios não podem ser comunicados abertamente, pois somos o espelho do negócio e todos esperam que seja o CEO a mostrar a direção a seguir. Una-se a outros CEO.

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