O impacto social das empresas foi tema no Encontro de Conselheiros Líder de ontem. Através dos exemplos da Coca-Cola e da Nena Selected Coffee, o evento mostrou como as marcas podem transformar a sua influência económica em projetos com impacto real nas comunidades.
As empresas são cada vez mais chamadas a gerar valor para lá dos resultados financeiros. Catarina Esteves, Communication Senior Manager da Coca-Cola Europacific Partners Portugal, trouxe exemplos de boas práticas que representam esta missão ao Encontro de Conselheiros que decorreu ontem na Casa da Praia, espaço da WYgroup, em Oeiras.

A dimensão de uma marca deve exponenciar o seu impacto positivo
O caminho começa por se determinar «a influência da Coca-Cola no país» e averiguar a pegada geográfica e económica é essencial. Catarina Esteves começou por revelar que a Coca-Cola comercializa, em Portugal, anualmente 279 milhões de litros produzidos na fábrica de Azeitão e que, por cada euro gasto pelos consumidores em produtos da marca, 82 cêntimos permanecem na economia portuguesa. A responsável sublinhou ainda a relevância da organização na criação de emprego, explicando que cada posto de trabalho direto gera outros 33 empregos indiretos, sobretudo no canal HORECA (setor de hotelaria, restaurantes e cafés).
Mas, além dos números, destacou a importância de a marca utilizar a sua dimensão para gerar impacto positivo. «Acreditamos que representamos uma marca extraordinária, com um poder extraordinário e que com este poder deve vir responsabilidade», afirmou.
A força de uma empresa tem de servir para mais do que vender um produto.

Dos jovens às mulheres, passando pelo ambiente
A intervenção centrou-se também nos programas de responsabilidade social e ambiental da empresa, como o Bora Jovens, que já contribuiu para a integração profissional de 359 jovens em situação de vulnerabilidade, e o Bora Mulheres, iniciativa de empreendedorismo feminino que apoiou mais de quatro mil participantes ao longo dos últimos oito anos. Na vertente ambiental, destacou o programa Marés Circulares, desenvolvido em parceria com a ‘Liga para a Proteção da Natureza’, que promove ações de sensibilização para a problemática do lixo marinho e para os princípios da economia circular.
Num registo mais pessoal, partilhou ainda a forma como a Coca-Cola tem apoiado o seu próprio percurso artístico paralelo à carreira profissional, considerando que a cultura da empresa lhe permitiu conciliar ambas as dimensões. «A Coca-Cola acompanha, acarinha e até promove esta minha vertente», afirmou, apontando esse apoio como um exemplo do impacto que uma organização pode ter no desenvolvimento pessoal dos seus colaboradores.
Do café nasce o propósito: apoiar produtores locais e criar impacto positivo
O encontro contou ainda com um exemplo prático do que é uma marca com impacto. Blanca Silva, fundadora da empresa Nena Selected Coffee, partilhou a visão da sua marca de café de especialidade colombiano. A missão da marca é apoiar famílias de agricultores colombianas que trabalham no setor, promovendo práticas sustentáveis e relações próximas com as famílias.
«Imaginam um mundo sem café? A palavra mágica para qualquer plano é combinar para beber um café», explicou a empreendedora. Segundo os dados apresentados, o café é a segunda bebida mais consumida do mundo, movendo milhões de dólares por ano.

Foi precisamente durante a pandemia, após ter sido despedida, que a empreendedora decidiu olhar para a indústria cafeeira com outros olhos. O contacto mais próximo com o universo do café de especialidade revelou-lhe não apenas os desafios enfrentados pelos produtores, mas também a resiliência, dedicação e paixão que existem ao longo de toda a cadeia de valor. Dessa descoberta nasceu a Nena Selected Coffee, um projeto que representa mais do que uma mudança de carreira: a concretização de um percurso guiado pelo propósito e pelo desejo de gerar impacto positivo.
A dimensão social está igualmente no centro da marca. Blanca destacou que uma parte significativa dos trabalhadores envolvidos na produção do café são mulheres, defendendo a importância de promover o seu empoderamento económico e social através de práticas mais justas e sustentáveis ao longo da cadeia de abastecimento. No coração da sua marca está responsabilidade, amor e… fé.
«Sem fé é impossível agradar a Deus e sem café muito menos!», rematou.
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