Colaboradores criativos e que arriscam levam as empresas à inovação

A capacidade de tentar algo novo, explorar o desconhecido, aceitar a incerteza e a possibilidade de fracasso. São ainda algumas e relevantes as “skills” humanas que as máquinas não conseguem replicar e que impactam positivamente o desempenho profissional. É o caso da criatividade.

Algumas destas mais-valias da criatividade são bastante evidentes, mas há uma outra que surpreende e que faz diferença. Trata-se de um benefício menos apreciado, e igualmente poderoso, que é a ligação entre criatividade e risco. A consultora Michele Wucker, explora esta temática num artigo publicado pela “Strategy + Business”, para quem os “funcionários criativos” são mais propensos a assumir os riscos “bons” que levam à inovação, “estão predispostos a assumir o risco social de conversar abertamente ajudando a orientar as equipas para fora de caminhos de perigo”, o que permite alimentar a estratégia, a inovação e o crescimento da empresas.

É por isso que, segundo a autora, a roda que range – o denunciante, o cético, o questionador constante – também podem ser um reservatório de criatividade. Esta opinião assenta em estudos de vários psicólogos da Universidade da Georgia e de Plymouth no Reino Unido, trabalhos que Michele Wucker recupera para sustentar as valências da criatividade, medida como “ fluência associativa, pensamento divergente, tolerância à ambiguidade, estilo de vida criativo ou realizações intelectuais” quando adoptada num discurso “aberto” em grupo e contrariando a tendência de comportamentos mais reservados. Por isso os mais “faladores” e criativos podem ser os maiores ativos de uma empresa, têm a dupla vantagem de trazer o tom criativo que apoia a procura de novas oportunidades, ao mesmo tempo que estão dispostos a levantar “bandeiras vermelhas” que podem ajudar a empresa a evitar perdas. Mas afinal o que é em concreto a criatividade?

 

Risco, criatividade e visão

Muitas pessoas associam a arte à criatividade e à inovação, mas para a autora “a maioria de nós só pensa numa parte da questão quando se trata de criatividade artística”. Desenhar é uma habilidade altamente transferível que, além das aplicações puramente estéticas, tem sido usada em todas as grandes ideias e invenções ao longo da história, afirma Michele Wucker que recorda declarações da artista Drue Kataoka, acerca da interseção da arte com a tecnologia: “De Leonardo a Edison e daí em diante, eles primeiro desenhavam”, de forma espontânea “pegavam num pau na areia ou nas costas de um guardanapo e começavam a formular ideias, expunham o que lhes ia na mente” disse ela, e é esse tipo de trabalho que ajuda a desenvolver habilidades em torno do cultivo da visão, a aventura em territórios desconhecidos que, por sua vez, permite a inovação.

Mas a criatividade também tem a ver com a disposição de considerar e testar ideias fora dos limites da sabedoria convencional. O verdadeiro poder da criatividade, para além da visão artística e da capacidade de imaginar e de construir algo novo, é a capacidade de testagem, é preciso testar, assumir que o que sabemos e pensamos pode estar errado “E arriscar”, considera a escritora que acrescenta “é a trabalhar num cenário de incerteza que permite aguçar a visão e avançar na inovação.”  E tal como afirmou Sir Ken Robinson, ainda em vida num TED Talk, dos mais concorridos de todos os tempos : “Se não estivermos preparados para errar, nunca encontraremos nada original”.

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