Como gerir a cultura remotamente e em situação de crise

Se a gestão da cultura já é normalmente um grande desafio para os líderes, o novo COVID veio acrescentar mais dois desafios – fazê-la numa situação de crise e à distância. Gerir a cultura, ou seja, gerir a maneira como as pessoas pensam e agem na organização, é para a maioria dos líderes percebida como uma atividade crítica mas ao mesmo tempo é sentida como uma força mágica que poucos sabem controlar. Assim, acabam por geri-la de acordo com a sua intuição. Numa crise, e à distância, a intuição é pouco provável que chegue para fazer a gestão da cultura. Com efeito, as crises destabilizam as pessoas e a distância dificulta a passagem da cultura e a comunicação. Torna-se assim necessário algo que simplifique e que oriente a intuição. Para atingir esse objetivo, propomos o modelo da Partners in Leadership – A Pirâmide dos Resultados® – que traz clareza para a gestão da cultura e sucesso na obtenção de resultados.

Segundo este modelo temos :

  1. Os resultados da organização no topo da pirâmide
  2. As ações que levam aos resultados. Quando não se estão a atingir os resultados, os líderes tendem a introduzir ações. Estas podem ser restruturações, contratações, mudanças de processos, formação, etc. No entanto, encontram geralmente muita resistência.
  3. As convicções ou crenças estão por detrás das ações. Geralmente não se consideram nos processos de mudança e por isso estes não têm sucesso. É mesmo nas convicções que os líderes devem incidir para fazer mudanças, pois quando as pessoas têm as convicções certas elas próprias agem da melhor forma para atingir os resultados.
  4. As experiências estão na base da pirâmide. Para mudar as convicções os líderes têm de criar experiências que demonstrem aos colaboradores que realmente agora pensa-se e age-se de uma forma diferente.

Para ficar mais claro como se pode aplicar este modelo, peguemos no exemplo de uma empresa onde estamos a fazer atualmente uma mudança de cultura com a Metodologia da Partners In Leadership*. O objetivo era melhorar o engagement, a captação e a retenção de talento. Depois de fazermos o diagnóstico Culture Advantage Index® passámos à intervenção nos vários níveis da Pirâmide:

  1. Os resultados: Para alinhar todos os colaboradores a Administração redefiniu os três resultados-chave para 2020 e comunicou-os a todos os colaboradores.
    1. As ações: A partir dos três resultados-chave cada colaborador clarificou com a sua chefia como podia contribuir para cada um deles. Para além disso, a Administração fez várias mudanças rápidas nos processos e estrutura para se adaptarem à nova situação, tendo o cuidado de explicar o porquê das mudanças e de estar acessível a todos.
    2. As convicções: A Administração com uma equipa alargada de Gestão da Cultura definiu cinco convicções que são necessárias mudar na organização. Um exemplo de convicção a fomentar foi “Eu inovo com paixão”.
    3. As experiências: Para sentirem na pele e acreditarem que realmente estas convicções vieram para ficar, criaram várias experiências. Por exemplo, em relação a “Eu inovo com paixão”, os candidatos passaram a ter um desafio de criatividade como prova de seleção e as chefias passaram a comunicar a todos as histórias de inovações que surgiram.

    Atuar nos vários níveis da Pirâmide dos Resultados® torna a gestão da cultura muito mais clara, estruturada e eficiente, conseguindo-se uma grande vantagem competitiva neste novo mundo digital, acelerado e focado no cliente.


Por Isabel Freire de Andrade, Partner Bright Concept.

 

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