Como gerir a cultura remotamente e em situação de crise
Se a gestão da cultura já é normalmente um grande desafio para os líderes, o novo COVID veio acrescentar mais dois desafios – fazê-la numa situação de crise e à distância. Gerir a cultura, ou seja, gerir a maneira como as pessoas pensam e agem na organização, é para a maioria dos líderes percebida como uma atividade crítica mas ao mesmo tempo é sentida como uma força mágica que poucos sabem controlar. Assim, acabam por geri-la de acordo com a sua intuição. Numa crise, e à distância, a intuição é pouco provável que chegue para fazer a gestão da cultura. Com efeito, as crises destabilizam as pessoas e a distância dificulta a passagem da cultura e a comunicação. Torna-se assim necessário algo que simplifique e que oriente a intuição. Para atingir esse objetivo, propomos o modelo da Partners in Leadership – A Pirâmide dos Resultados® – que traz clareza para a gestão da cultura e sucesso na obtenção de resultados.
Segundo este modelo temos :
- Os resultados da organização no topo da pirâmide
- As ações que levam aos resultados. Quando não se estão a atingir os resultados, os líderes tendem a introduzir ações. Estas podem ser restruturações, contratações, mudanças de processos, formação, etc. No entanto, encontram geralmente muita resistência.
- As convicções ou crenças estão por detrás das ações. Geralmente não se consideram nos processos de mudança e por isso estes não têm sucesso. É mesmo nas convicções que os líderes devem incidir para fazer mudanças, pois quando as pessoas têm as convicções certas elas próprias agem da melhor forma para atingir os resultados.
- As experiências estão na base da pirâmide. Para mudar as convicções os líderes têm de criar experiências que demonstrem aos colaboradores que realmente agora pensa-se e age-se de uma forma diferente.
Para ficar mais claro como se pode aplicar este modelo, peguemos no exemplo de uma empresa onde estamos a fazer atualmente uma mudança de cultura com a Metodologia da Partners In Leadership*. O objetivo era melhorar o engagement, a captação e a retenção de talento. Depois de fazermos o diagnóstico Culture Advantage Index® passámos à intervenção nos vários níveis da Pirâmide:
- Os resultados: Para alinhar todos os colaboradores a Administração redefiniu os três resultados-chave para 2020 e comunicou-os a todos os colaboradores.
- As ações: A partir dos três resultados-chave cada colaborador clarificou com a sua chefia como podia contribuir para cada um deles. Para além disso, a Administração fez várias mudanças rápidas nos processos e estrutura para se adaptarem à nova situação, tendo o cuidado de explicar o porquê das mudanças e de estar acessível a todos.
- As convicções: A Administração com uma equipa alargada de Gestão da Cultura definiu cinco convicções que são necessárias mudar na organização. Um exemplo de convicção a fomentar foi “Eu inovo com paixão”.
- As experiências: Para sentirem na pele e acreditarem que realmente estas convicções vieram para ficar, criaram várias experiências. Por exemplo, em relação a “Eu inovo com paixão”, os candidatos passaram a ter um desafio de criatividade como prova de seleção e as chefias passaram a comunicar a todos as histórias de inovações que surgiram.
Atuar nos vários níveis da Pirâmide dos Resultados® torna a gestão da cultura muito mais clara, estruturada e eficiente, conseguindo-se uma grande vantagem competitiva neste novo mundo digital, acelerado e focado no cliente.

Por Isabel Freire de Andrade, Partner Bright Concept.
Leia o dossier Leading Tech aqui.
Leia mais aqui.
