Como se mede uma vida – a nossa?

Os falecimentos, nestas últimas semanas, de duas figuras importantes da gestão, passaram quase despercebidos em Portugal. In memoriam:

        1. Bernard Ebbers, ex-CEO da Worldcom faleceu aos 78 anos. Liderou a companhia, mais tarde comprada pela Verizon, numa fraude contabilística de 11 mil milhões de dólares, a qual resultou na até então maior falência na história dos EUA. Condenado a 25 anos de prisão foi libertado porque a sua saúde se deteriorava. Durante a defesa adotou a tática do avestruz, argumentando que nada sabia da fraude. Pessoas próximas do processo admitem a possível veracidade do argumento. Aliás, sendo Ebbers um controlador nato, é admissível que a sua atenção estivesse desfocada. Dizia-se que contava os filtros do café por suspeitar que os empregados os levavam para casa, e que teria sugerido que fosse colocada, em segredo, água da torneira nas fontes de água mineral para poupar dinheiro. É bem possível que quem anda preocupado com estes assuntos não perceba o que se passa debaixo do seu nariz.
        2. Clayton Christensen, professor em Harvard e um dos últimos gurus da gestão, ganhou popularidade com a sua tese da disrupção. Hoje fala-se de disrupção a propósito de tudo e de nada – o que atesta a sua popularidade. Mas ele também escreveu How Will You Measure Your Life, um livro sobre o que cada um de nós quer fazer com o tempo que tem.

Tragicamente Ebbers, talvez por não ter lido o livro de Christensen, será sempre conhecido como um símbolo da corrupção empresarial. A mensagem de Christensen tem, creio, menos a ver com o julgamento que fazemos da vida dos outros e mais com o que queremos fazer da nossa. A morte de Ebbers é apenas um momento para o recordar. Paz às suas almas.

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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