Cabo Verde respira devagar, mas acelera rumo a momentos decisivos. A ligação entre as ilhas, o crescimento do turismo e o desenvolvimento económico sustentável dependem, acima de tudo, da conectividade — por ar, por mar e pelo digital. Esta é a base estrutural sem a qual não é possível garantir investimento, gerar confiança ou impulsionar […]
Cabo Verde respira devagar, mas acelera rumo a momentos decisivos. A ligação entre as ilhas, o crescimento do turismo e o desenvolvimento económico sustentável dependem, acima de tudo, da conectividade — por ar, por mar e pelo digital. Esta é a base estrutural sem a qual não é possível garantir investimento, gerar confiança ou impulsionar os pequenos negócios, da Brava ao Sal.
A terceira edição da Leadership Summit Cabo Verde decorreu entre 22 e 23 de maio no TechParkCV, na cidade da Praia, sob o lema ‘Liderança Estratégica: Confiança, Conexão e Transformação’. O evento reuniu líderes nacionais e internacionais para debater os desafios e oportunidades do desenvolvimento sustentável em Cabo Verde, com foco nos setores marítimo, aéreo e digital.
Rotas, navios e muito mapa para explorar — a importância da intermodalidade
Falar da escala do mercado é falar de um desafio transversal. Mas Cabo Verde é, na verdade, um país grande — se o observarmos pela sua dimensão marítima, pela sua diáspora e, sobretudo, pela sua ambição.
A solução passa por um alinhamento estratégico — quase um pacto de regime — entre a tutela, os operadores privados e os investidores. Nas palavras do Ministro do Mar, Jorge Santos, o país «precisa de previsibilidade, confiança e uma abordagem estratégica para ligar as várias ilhas». Só assim conseguirão atrair investimento, gerar emprego e fazer com que o desenvolvimento chegue a todo o lado. Na sua ótica «o segredo está na intermodalidade.»

O país tem vindo a trabalhar para garantir essa segurança. A estabilidade na operação marítima, por exemplo, só foi possível graças à definição de rotas fixas, navios alocados e horários fiáveis. Esta organização tem permitido reconstruir a confiança do cidadão comum — tal como os avanços tecnológicos, que ainda assim exigem um esforço governamental em várias frentes.
Para o comandante Fernando Braz de Oliveira, administrador do Grupo ETE, os transportes têm, essencialmente, uma dimensão social:

«Os transportes são para servir as pessoas e, num país que é um arquipélago, as ligações marítimas são o que o tornam unificado. Mas temos de entender que não é um processo que tenha nascido hoje e que termine amanhã.»
A prioridade tem de ser o bem comum e a confiança nos serviços. Ou então não se sai do cais, nem se chega a porto algum. Mas enquanto tudo isto se torna real, há outros setores que exigem atenção.
Marco Paulo Bento, chairman da Unitel T+, destaca a energia como recurso fundamental para o funcionamento de todo o resto:

«Já temos dois parques tecnológicos e estamos a fazer investimentos na digitalização da saúde das populações. Temos ainda de ter um compromisso no combate à iliteracia digital.» É esta visão global que pode dar viabilidade a negócios nascidos em ilhas pequenas — negócios com ambição para crescer e inovar para além do arquipélago.
O debate foi conduzido por Marco Rocha, jornalista da Televisão de Cabo Verde.
E porquê investir em Cabo Verde?
A resposta, no final das contas, é simples: confiança. Jorge Santos reitera que a sedução com o turismo tem de ser calculada: «Tudo isto exige conexão — primeiro pelo mar e também através dos transportes aéreos. O mar representa um grande desafio». Por essa razão, Cabo Verde definiu uma estratégia para desenvolver a economia azul.
Tal como avançou o ministro «isso inclui os transportes marítimos, a modernização dos portos, a digitalização dos serviços portuários, da pesca e da relação do utente com o transporte». Tudo isto são prioridades que estão a ser implementadas neste momento.
Além disso, Cabo Verde é um país com segurança jurídica para investimentos e posiciona-se como um gateway para o resto do mundo.
Assim, é uma nação que está a construir o seu futuro com os pés bem assentes na terra – e com os olhos no Atlântico. É preciso continuar o trabalho que está a ser desenvolvido: governo, privados, investidores. É necessário manter a ambição e a confiança. Porque o futuro de Cabo Verde – ligado por ar, mar e digital – já começou. E é para ficar.
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