Conhecer o mercado, para melhor atuar

Existe, atualmente, um enorme desafio que se coloca às empresas, na área de gestão de Recursos Humanos, que é o de corresponder às expectativas e ambições dos seus colaboradores, sem que este tema resvale sempre para um debate exclusivamente orçamental.

Para responder a esta premissa, a verdade é que nunca existiram tantas soluções para o desafio colocado. No mercado há cada vez mais empresas a apresentar serviços de benefícios extrassalariais, nos mais variados setores de atividade, para possibilitar uma melhor qualidade de vida.

Certamente um plano de benefícios adequado, dedicado aos seus colaboradores, apresenta uma atitude mais positiva e responsável dessa empresa reforçando o seu papel social, melhorando os níveis de motivação, satisfação e produtividade dos colaboradores.

Ao criar empresas felizes, os gestores contribuem para a melhoria do bem-estar do colaborador e do seu universo, e para o sucesso de recrutamento e retenção de profissionais qualificados, conferindo usualmente o acesso a diversos benefícios fiscais, tanto para a empresa como aos seus colaboradores.

Um dos melhores exemplos a esse nível é o da titularização do subsídio de refeição, a qual foi implementada em Portugal em 1974 e que evolui de forma significativa ao longo dos anos, reforçando a sua extrema importância, especialmente após a aprovação do Orçamento de Estado em 2013, altura em que número de utilizadores da titularização do subsídio de refeição começou a subir exponencialmente passando rapidamente de 45 mil para mais de 1 milhão.

Se o subsídio de refeição é um benefício social, apresentado pela entidade patronal aos seus trabalhadores, que consiste num pagamento destinado a comparticipar as despesas relacionadas com as refeições e bens alimentares, este nunca poderá ser considerado como parte integrante do salário, mas sim um complemento.

A titularização do cartão refeição existente há alguns anos, tanto em Portugal como no resto do mundo, representa inquestionavelmente uma melhoria dos indicadores de nutrição dos trabalhadores, no desenvolvimento de uma alimentação saudável e na melhoria dos indicadores de produtividade e bem-estar em contexto de trabalho.

Mas não se vislumbram apenas vantagens exclusivamente para o colaborador. Os benefícios sociais dinamizam as economias locais e os setores da Hotelaria e Restauração, e têm significativos impactos macroeconómicos relativamente às alternativas existentes.

Certo é que, no sector dos benefícios extrassalariais, é essencial conhecer bem o mercado em que cada empresa atua, o seu setor de atividade e não menos importante as leis sociais abrangentes e favoráveis, concedidas pelos governos, para incentivar o acesso a serviços dirigidos a empregados ou cidadãos.

A transparência na criação e utilização de benefícios extrassalariais deve ser um fator chave inerente a todos os intervenientes. Deve, ainda, haver conhecimento de mercado, estratégia, plano de ação, análise da regulamentação, monitorização, mapeamento e instrumentos de comunicação.

Não basta tentar aligeirar processos, afirmar que a digitalização vem transformar a realidade atual e anunciar uma revolução, como se esta já não estivesse a acontecer há bastante tempo. O trabalho que há ainda por fazer, no setor dos benefícios extrassalariais, exige elevada profundidade e uma discussão alargada entre os diversos stakeholders do ecossistema.

A verdadeira transformação não ocorre de forma instantânea e dificilmente poderá ser provocada por entidades que não estão envolvidas num diálogo permanente com as autoridades governamentais e com as associações de empresas, trabalhadores, comerciantes e consumidores. A solução não se pode reduzir por exemplo a uma solução mágica, como alguns de repente querem fazer crer por exemplo através do simples acesso a uma plataforma digital, com a promessa de tudo ser possível de forma fácil e sem esforço.

Um estudo recente, realizado pela Universidade Nova de Lisboa/ IMS Information Management School, sobre o Impacto Macroeconómico e Social do Subsídio de Refeição em Portugal, a pedido da EBFS – Associação Portuguesa das Empresas de Títulos Extrassalariais, que faz um overview geral sobre o setor dos Benefícios Extrassalariais, permite entender todas as dinâmicas, interações e impactos positivos do ecossistema do subsídio refeição. Constata-se de forma clara a efetiva importância das empresas emissoras especializadas, garantindo o funcionamento do sistema e o reporte fiscal, a promoção da correta utilização dos benefícios e a gestão profissional das redes de estabelecimento de aceitação credenciada.

A boa notícia é que em Portugal existem de facto entidades que são especializadas no sector de Benefícios Extrassalariais e que têm como uma das principais atividades o desenho, a implementação e a gestão de programas de benefícios e incentivos para milhões de consumidores à escala mundial. Estas empresas oferecem um serviço substancialmente diferente de outras entidades que, entretanto, vão surgindo e pretendem atuar no setor dos Benefícios, mas cuja experiência e conhecimento estão claramente assentes em outras áreas, nomeadamente financeiras ou tecnológicas. Como em tudo, a decisão no final depende exclusivamente daquilo que realmente se pretende obter, com que risco e a que custo.


Por Nelson Lopes, CEO Sodexo Portugal

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