Construção para arrendamento é uma nova tendência em Portugal

Após décadas de domínio do paradigma de promoção de habitação para venda, a construção de edifícios residenciais para arrendamento promete tornar-se uma classe de ativos emergente em Portugal, diz a CBRE, empresa de consultoria no setor Imobiliário, com presença em Portugal desde 1988, no seu estudo sobre o setor Residencial em Portugal.

O relatório “Mercado Residencial em Portugal: Desempenho e Perspetivas”, que integra uma análise detalhada dos mercados de Lisboa e Porto, prevê que a construção para arrendamento acelere na sequência do novo coronavírus e da dificuldade na aquisição de habitação própria pelas famílias num contexto económico recessivo.

A escassez de habitação em Portugal a preços acessíveis era um dos principais desafios com que o País se deparava quando surgiu o novo coronavírus. A pandemia veio reduzir o número de transações de habitação, prevendo-se, em 2020, um decréscimo face ao ano anterior de cerca de 10-15% em Lisboa e de 20-25% no Porto. Isto travou a tendência de subida dos preços de venda.

Embora seja provável uma descida nos preços em algumas localizações nos próximos meses, a CBRE não antecipa quedas significativas, uma vez que continua a haver uma enorme escassez de oferta. Note-se que em 2019 foram concluídas apenas 3 mil casas novas na Área Metropolitana de Lisboa e 1600 na Área Metropolitana do Porto, que compara com 11 mil e 6900, respetivamente, em 2009.

Para Joana Fonseca, Associate Director do departamento de Strategic Advisory da CBRE, “existem diversas tendências, correlacionadas, que estão a ter um impacto profundo na forma de viver das pessoas, contribuindo para uma perspetiva de redução, no longo prazo, da percentagem de casas próprias em Portugal e no crescimento do setor residencial para arrendamento.”

Nuno Nunes, responsável pelo departamento de Capital Markets da CBRE, acrescenta que o investimento em ativos do setor residencial para arrendamento multiplicou-se dez vezes na Europa ao longo da última década. Esta tendência segue os EUA, onde este tipo de ativos está muito desenvolvido, oferecendo aos inquilinos soluções de habitação acessíveis e eficientes com uma gestão profissional, e proporcionando aos investidores rentabilidades interessantes. “Este sector, a par da logística, está no topo das preferências de investimento dos maiores investidores institucionais.”

Mas, para Nuno Nunes, apesar do mercado de investimento privado em habitação para arrendamento estar ainda numa fase inicial em Portugal, “começam a ser concebidos os primeiros projetos em Lisboa e no Porto.”


Cristina Arouca, responsável pela área de Research da CBRE Portugal, destaca como tendências do setor o crescimento do mercado privado de arrendamento; um aumento da procura de casa fora dos centros urbanos; a importância de ter um espaço de trabalho adequado em casa; um incremento de soluções de sustentabilidade na habitação; a integração de serviços complementares ou “hotelification”; as residências de estudantes e o co-living.”

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